tem sentimento que não faz sentido nenhum.
pois é justamente o caso deste aqui:
pouco sei eu amar
minha capacidade de lidar com amores não se concentra no coração
se concentra na vesícula,
órgão cuja localização e função me são completamente desconhecidas
pouco sei amar
me tropeço por inteiro
caem pedras de mim
viro destroços, ruínas, estilhaços
e não acho chão pra ensaiar passo nenhum
me vejo dormindo na angústia
de não saber onde encontrar
de não saber sequer o que encontrar
ouço o que me dizem sobre o amor
tento fazer turismo nessas ideias
tento me aventurar em pessoas
tento orquestrar o que sentir
mas meus sentidos não fazem sentido nenhum
quem me dera se pudesse me livrar dessa obrigação
- que nos foi inconscientemente incumbida -
de amar e ser amado
sinto que me tomaria de liberdade
e que respiraria suavemente
como quem não se importa em não achar
por já não ter o que procurar
por já não ter o que entender
ouço dizerem que pra amar não se deve pensar
mas sou dessas meninas que pensam demais
e se amar é não pensar, então me demito
sou incapaz
que achem outra pessoa pro cargo
queria fazer sentido, mas essas palavras não fazem sentido nenhum
mas se o que quis expor até aqui foi justamente toda a falta de sentido
acredito que consegui
porque eu amo
e por isso não entendo nada
e por isso já não penso
até penso
mas vejo saída nenhuma que me leve pra qualquer canto que não seja
o de me saber tão des-sabida de amar
amar não faz sentido
e eu odeio isso.
ana louresse
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sexta-feira, 22 de novembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
"Acabou-se que nada se coube em nada. Esse amor pisou tão mundo em mim e a mulher mais bonita da cidade nem sequer pensa nisso. De certo, sabe apenas que houve uma pessoa pequena em quem ela, delicadamente, tropeçou e por quem ela, como fazem os mais moços, se apaixonou leve e velozmente. De certo foi apenas isso. Coisas leves são facilmente levadas, dizem. Ela seguiu se levando e eu, pisada tão mundo pelo amor dessa mulher, consegui pouco me mover. Fiquei ali, pisada, pesada, assistindo a dança dela, ouvindo o canto nela, mas escondida no meu canto e dançando apenas dentro. Que amor egoísta é esse o meu. Se diz grande mas sequer sai de mim. Eis a razão pela qual sufoco tanto, me engasgo tanto e me mexo tão pouco. Acho que se autorizasse a liberdade do que guardo comigo, eu seria a mais temida bomba da cidade. Me pergunto se haveria quem dançasse comigo, haveria de ser alguém grande demais. Talvez a mulher mais bonita da cidade seja grande demais. Talvez ela conseguisse valsa das explosões que me fugiriam. Talvez ela conseguisse, com beijos e cafunés, me manter rente ao mundo. Mas confesso que tenho medo demais pra deixar que fujam minhas explosões. Talvez guarde comigo e pra sempre meu amor tão grande. Não, isso não é medo de ser feliz. É medo de ser tão feliz que viver não me bastaria, que amar não me bastaria, que dançar não me bastaria e eu acabaria em destroços, de algum jeito, eu me acabaria em destroços, certamente. É uma imagem exagerada, mas você não tem ideia alguma da quantidade de amor que guardo por essa mulher mais bonita da cidade. Ele cabe numa guerra e, em pelos menos, três canções."
ana larousse
ana larousse
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