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sábado, 7 de agosto de 2010

Uma lembrança

Quando eu era criança a coisa que eu mais queria era ganhar uma bicicleta. Eu sonhava tanto em ter uma que quando ganhei minha primeira achava que estava vivendo em um sonho.

Nessa época eu passava o dia inteiro nas ruas andando pra lá e pra cá. Só voltava a noite pra casa. Não me cansava. Eram engraçadas as primeiras pedaladas.

Havia uma rua perto da minha casa que tinha um buraco enorme e profundo. Quando eu tentava fazer a curva da rua eu sempre caia no buraco. Não conseguia fazer uma curva perfeita. Lembro que eu vivia toda arranhada e com as roupas encardidas de lama por causa do buraco.

Ele era profundo e cheio de entulhos. Até hoje tenho as cicatrizes. Ás vezes sinto no corpo as lembranças das quedas... eu sempre levantava... Por incrível que pareça eu era feliz com minha bicicleta. Todos os dias eu tentava fazer aquela curva. Os vizinhos riam de mim pela minha persistência em vencer aquele abismo.

Um dia de tanto tentar eu consegui fazer a curva. Continuei pedalando... e o buraco foi ficando pra traz. Não sei descrever o que eu senti naquele dia. Acho que era felicidade. Eu chorei tanto em cima da bicicleta, mas de felicidade. Naquele dia andei de bicicleta até a noite. Depois veio o cansaço e voltei pra casa e dormi.

Até hoje fico na dúvida se aquilo foi verdade ou foi um sonho. Foi uma felicidade que não costumo sentir mais.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Primeiros passos

Quando eu era pequena ter cabelos vermelhos fazia com que eu me sentisse diferente. Aos treze as primeiras perguntas começaram a surgir. Mentira. Muito cedo elas já me perturbavam. Nesse tempo eu já sabia que as coisas não eram tão fáceis como eu imaginava. Mas não demorou muito tempo para que eu me convencesse que a vida era bem mais complicada... Meu verdadeiro temor era me sentir sozinha. Hoje em caro a solidão como uma amiga necessária. Aos 15 conquistei meu primeiro namorado. Ele achava minhas sardas irresistíveis e foi o que despertou meu amor por ele. Ele era diferente. Curioso. Só me interesso por alguém ou por algo se for diferente. Sou muito curiosa. Mas com o tempo as diferenças se tornaram um puro charme.

terça-feira, 20 de julho de 2010

You do me wrong now

É muito estranho... Desde ontem as lágrimas secaram.
Tão fácil... Parece que certas lacunas não existem mais.
Não sei... É que não tou sentindo nada.
Eu sofro de nada... E ainda não sei do dia de amanhã.
Insônia... Queria um chocolate quente.
Tá tão frio... Ouço essa música... “You really gotta hold on me”.
Precisamente... Escutei 140 vezes essa música só nessa semana.
Não chamo isso de depressão… Não é tristeza.
Gosto de ouvir uma música muitas vezes em um mesmo dia.
Música me faz bem... “l don’t like you, but l love you”.
Amanhã é mais um dia… Dia de ser...
Preciso dormir… Tempo, tempo seja meu amigo.
Tempo, tempo, tempo... Fazer tudo correndo.
Escrever tudo correndo... Ler tudo correndo.
Acho que tôu sentindo... Agora, precisamente.
“Seems that l´m always thinkin of you”... Chega.
Vou mudar de música… Talvez coloque uma dançante.
Ah, não... Quero essa mesmo.
Quero sair daqui... Quero minha cama.
Meus livros... Meus discos.
Ontem comprei um disco... El Radio.
Gostei do que ouvi... Gostei de uma música que agora não me lembro o nome.
Meu joelho... Tôu com câimbra.
É a posição desconfortável na cadeira.
Com o tempo os joelhos... Não funcionam mais.
O meu já não bate bem de saúde.
Quando criança... Eu costumava jogar futebol.
Eu era considerada... A “fominha” da turma.
Era mesmo... Mulheres ás vezes são lentas.
Não tenho paciência... Queria ter paciência.
Paciência com esse frio... Essa insônia.
“Tudo sobra em mim... Ao mesmo tempo não há nada em mim.
Nem ninguém... Eu sofro de nada e de ninguém”.
Ai, que vontade de urrar... Rasgar a roupa e gritar até suar.
Até quebrar tudo... Derrubar prédios... Vitrines.
Estourar copos de cristal... Lá do outro lado da cidade.
Gritar um “foda-se” pro mundo... Foda-se.
Foda-se você... Foda-se seu egoísmo.
Foda-se... Foda-se.
Que besteira... Também sou fudida.
A vida é muito mais fácil... Quando você definha sozinha.
Quero ficar aqui sentada... Mas a dor aumentou.
Merda... De joelhos.
Eu sou o coelhinho da Alice... Me enfiando na toca e caindo no buraco.
Chega... Vou dormir.
Mesmo com dor... Mesmo sem sono.
Talvez um cigarro antes dormir... Ajude essa minha intranquilidade.
Culpa dessa música... “You really gotta hold on me”.
Prometo que essa vai ser a última vez... Que escuto essa música.
Quando ela acabar... Vou me acalmar.
Vou me deitar... Na cama de poeira.
Amanhã tudo vai voltar ao normal... Hoje vou dormir.
É necessário... Imperativo.
Essencial.
“l love you and all l want you to do is just.
Hold me… Hold me…”

quarta-feira, 14 de julho de 2010

(...)

(...)

Dagô Cardô: O que seria de você sem as fotos que eu tirei?
DieuLeVeut: Seria uma mulher sem sua cruz.
Dagô Cardô: Ou uma mulher que perdeu a si mesma e sua cruz.
DieuLeVeut: Que lastima seria.
Dagô Cardô: Uma lágrima verteria.
(...)
Dagô Cardô: Você tem que ser paciente.
DieuLeVeut: Desculpa essa alma impaciente.
(...)
DieuLeVeut: Estou muito frágil...
(...)
DieuLeVeut: Estou em estado de desistências.
Dagô Cardô: Até...?
DieuLeVeut: Tudo.
(...)
DieuLeVeut: Um dia te conto meus segredos.
(...)
Dagô Cardô: Mas a gente tem tão pouco tempo juntos.
DieuLeVeut: Façamos um tempo juntos, então, para contar segredos.
(...)
Dagô Cardô: Façamos, então!
(...)
Dagô Cardô: Teremos mais tempo.
DieuLeVeut: As coisas vão ficar melhores...
(...)
DieuLeVeut: Beijos de Lua.
Dagô Cardô: Beijos de Sol.
(...)