domingo, 7 de fevereiro de 2010

17 de fevereiro de 1989

17 de fevereiro de 1989

Porto Alegre

Meu bem,

E ai, quais são as novidades? Vai se fazer de misteriosa mais uma vez? Ando curiosa para saber o que você pretende comigo. Não quero parecer ansiosa, mas estou contando os dias para sua chegada. Acho até que vou colocar uma roupa nova para esperar você na estrada; faço questão de que me encontre bonita. Para começarmos com pé direito, como você gosta, vou comprar uma garrafa de champanhe; brindaremos á nossa saúde no momento em que cruzarmos os olhos. Feliz- é assim que o quero, Ano Novo, e farei tudo que estiver ao meu alcance para que isso seja possível. Se dependesse de mim, sua estadia entre nós seria uma alegria após a outra. Receio, porém, que de mim pouca dependa. É realmente uma pena que você e o Ano Velho não tenham chance de se encontrar, pois ele, que esta de saída, poderia lhe contar como ficaram os meus dias com sua ausência. Pois bem, fora essas e mais uma meia dúzia de acontecimentos, não prevejo problemas no decorrer de sua presença. Na verdade com a quantidade de festejos e comemorações com que o enche aqui, você passa entre nós quase sem ser percebido. Quando começarmos a nos estabelecer das festas da sua chegada, já estaremos mais próximos novamente. Depois, vem à hora de se despedir, e, de repente, você já esta arrumando as malas para ir embora. Falando nisso: gostaria de dizer que eu não tenho expectativas em relação ao que você vai me trazer, mas tenho. Principalmente porque você sabe tudo de que eu preciso e tem espaço suficiente para que várias dessas coisas caibam em sua mala. Sabe também que eu não sou muito fã de surpresas, então não se esforce demais para me surpreender. Se por acaso me trouxer algumas más notícias, tudo bem, mas tente não ser abrupto. Sei que vários problemas estão fora do seu alcance; portanto, prometo não me aborrecer caso algo não venha como eu esperava. Traga o que trouxer- fique tranqüilo-, você será recebido com foguetes, pois sua chegada, sempre tão pontual e garantida, com suas promessas, sempre tão amplas e verdadeiras, renova, em mim, a esperança que se vai embora, um pouco, a cada dia. E, ai, ai, ai, já está chegando à hora.

Minhas simpatias,

P.S. caso venha com muito dinheiro no bolso, conforme espero, cuidado com os assaltos.

Beijos

Essa canção

Olha o rosto desses que não querem enxergar.

Finge não ver vidros derramados no chão,

Sinto e vejo pedaços por todos os lados.

Parecem saírem de mim

Fragmentos, ossos, olhos...

Gotas da alma que varre o chão.

Entre varias pessoas, lugares

só penso em fugir para o oeste dos meus pensamentos.

Imagens... Gostos... o mar como companheiro

das minhas brincadeiras.

Perfeição e riqueza dos sonhos que se formam.

Cores, risos... Amores diversos

Sabor de algodão doce

Doce deleite.

Música e palavras cantadas... (Essa canção francesa)

Para jamais esquecer

Desse mundo tão meu...

Aparição

Caminho pela rua. Sinto a brisa do vento, é tão suave. Percorre todo meu corpo. Leves ondas que soam aos poucos nos meus ouvidos, aconchegando-me cada vez mais. A cada passo o corpo vai sendo levado para bem longe sem pretensões... O vento entra em cada poro aberto. Toda essa sensação se esvaiu quando o vento começou a ficar agitado. Olho ao meu redor e não vejo nada exceto uma pontinha de um pé que se faz presente do nada. Ele vai se revelando e aos poucos o vento vai diminuindo. Bonita feição ele possui... Branco como as nuvens. Aproxima-se como uma melodia. Fico frente a frente... Em uma piscadela ele desaparece com o sopro do vento.

Passarinho

Sabe?

Quando não sei o que expressar escultor Tiê.

“Como é bom voar...”




"Como um brotinho de feijão foi que um dia eu nasci,
Despertei cai no chão e com as flores cresci.
E decidi que a vida logo me daria tudo
Se eu não deixasse que o medo me apagasse no escuro.

Quando mamãe olhou pra mim, ela foi e pensou
Que um nome de passarinho me encheria de amor
Mas passarinho se não bate a asa logo pia
Eu que tinha um nome diferente já quis ser Maria
Ah, e como é bom voar"

Reações

Um olhar impetuoso de forma exagerada... Posso sentir o vento que nos toca. O frio que congela nossos lábios. Trocas de olhares... O que será que você está pensando?... Não para de olhar para mim. Estamos a 180 km/h e ela continua me olhando. Onde andara seu pensamento? Dará voltas na terra ou no firmamento? O tempo pára enquanto trocamos olhares atentos. Estamos congeladas até um toque inesperado. Mão quente, macia, cheiro incomum. Aconteceu algo diferente com seu olhar. Pupila dilatada. Respiração ofegante... Circulação sanguínea...

Espelho

Não quero ser uma gracinha. Quero ser sexy, ardente. Bicht! Não. Sei comportar-me. Eu sempre fui uma pensadora, mas também falo muito, quando quero, sou espontânea. Mentira. Ás vezes. Além de ser meio estranha. Acho que isso não combina muito com uma pensadora. Quando falo pensadora , não digo, olha que pessoa inteligente, mas uma mente perturbada. [risos] É como se você olhasse no espelho e dissesse: Essa sou eu... Não serei dominada por ninguém, especialmente por homens. Tudo bem, me sinto feliz quando faço loucuras. Eu sou louca! Estou num mundo bizarro cheio de contradições, então, você precisa ser forte para viver nele. Isso não é a maneira como quero que as pessoas vivam suas vidas, apenas é minha forma de vê-la. Não me vejo da mesma maneira que os outros indivíduos. Eu não preciso ficar tentando agradar todo mundo, se não acabo diluindo aquilo que realmente sou. Quero ser lembrada como uma defensora alucinada da liberdade, pelo menos da minha. Acho que também posso ser contraditória com tudo isso... A vida é uma lição e tanto e não fico julgando ela, pois, sei que na verdade sou eu que a estrago. Tento não acreditar em tudo que as pessoas falam de mim, porque sei que lá no fundo ninguém é perfeito... Felicidade. Isso que quero. Então, essa é quem sou não agrado a maioria das pessoas. Mas tudo bem, sempre existe uma pessoa no mundo que goste de você um pouquinho que seja.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Corretivo

Sou uma fraude. Não precisa me dizer. Meu espelho grita minha insensatez... Máscaras no meu rosto escondem imperfeições que não quero revelar. Pasta líquida diluem o que sou... O que sou? Fala para mim espelho? E... essa mancha... no canto esquerdo do meu lábio... devo escondê-la também? Deixa meus sinais em paz! Senhora pasta líquida, você impede meu rosto de respirar. Patas pastosas mal cheirosas diluem o que sou. Quando chego a noite, me sinto melhor. É... É onde fico a vontade sem nenhuma mascara estúpida entupindo meus poros. Enfim, posso respirar o quanto eu quiser.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Menina

Menina!

Doce menina.

Em teu formoso sorriso que abriga a felicidade encontro um refugio diário. Sobre seus belos seios faço festa sem fim. Beijo! Perco-me... Beijos... Toques. Trocar toques. Desejo. Beijos... Outros beijos. Entregar-se... Menina! Pobre de mim. Fico bobo por ter você em meus braços. Bobo. Apaixonado!

Dom Juan

Dom Juan das esquinas.
Palavra afiada na ponta da língua,
cabelo bem penteado,
sapato bem engraxado pronto para dá o bote.
Enfeitiça as meninas de seios fartos,
lábios grossos e o rosto marcante.
Dom Juan perde a linha!
Apaixona-se por Maria.
Menina doce, ingênua,
lábios grandes avermelhados,
seios fartos e bem posicionados.
Rosto que cativa Dom Juan, agora, dominado!

Douleur

Ás vezes sinto uma dor nas minhas costelas
Parece que estou regredindo.

Assez!

Posso sentir sua presença. Sorrateiro e pouco cauteloso. Reparo cada movimento que seu corpo grande, desengonçado promove. O que você quer de mim? Já não lidei amor suficiente? Já não se lambuzou de mim o bastante que pode? Chega! Tire esse ar de bom moço e parta para bem longe do meu convivo.

Eu te amo

Adeus, meu amor! Meu amor descanse em seu leito quente cheio de perfume do nosso caso. Olho-te em sono profundo. Velo seu sono como um soldado protegendo sua rainha. Toco suas mãos tantas vezes beijadas e acariciadas, chego mais perto do seu corpo sinto os seus seios bem-amados, parece-me um anjo adormecido. Roubo um último beijo e tudo que minha voz consegue proferir é “eu te amo”. Muito! Volto logo.

Aceitar

Hoje conheci um alguém chamado ausência.

Hoje conheci um alguém chamado saudade.

A primeira vista nenhuma reação de puro afeto.

Um corpo estranho,

duas almas distantes por uma vida perdida.

Boca aberta para proferirem historia mal resolvida.

Histórias, contos, disse me disse.

Corpos relutantes.

Tempo perdido

Tempo escondido

Tempo demais esperado

Dois corpos, almas perdidas no mesmo vazio.

Longe, dispersos, abertos, confusos.

Tempo... Começo...

Tempo pra se conhecer,

encontrar o afeto arrancado.

Banir ausências

Esvair a dor...

Suprir a saudade

Aceitação!

Construção do afeto

Tempo para se viver juntos.