domingo, 28 de fevereiro de 2010

Ando pelo rua...

Ando por calçadas já pisadas, gastas por outras pessoas no bolso levo sua foto acolhida com minha mão congelada... Quem sabe te encontro na próxima esquina. E te peço que me aceite se eu não souber o que dizer paralisado com sua presença. Vou-te inserir na minha paisagem. Têm espaço de sobra no meu coração se você me aceitar. Prometo te acolher, levar sua bagagem e o que mais te ver na mão.

Pé d'água

Mais uma vez a chuva marca meu tempo. Pouco sei dos pingos lá fora... caem, caem, caem, caem... lentamente umedecendo tudo que toca. E apesar de não está lá no festejo me sinto acolhida com a sonoridade de cada gota que cai. Gotas, gotas, gotas que parecem ser infinitas... não param despencar sobre tudo. Mas, não demora muito o vazio aparecer. Ele sempre vem. É inevitável o congelamento do meu corpo. A respiração forte tenta combater o barulho lá fora, inutilmente. Quando a chuva se faz presente o vazio de mim fica aberto... fico vulnerável...

Qual a razão?

- Coisas acontecem... dores viram fantasmas... sangue pára de circular... pessoas... pessoas apagam... Tem muitas coisas serem ditas... muito mais que uma vida... bem mais que minha vida ainda pode me dar... mas... já não tenho forças . Eu estava lutando. E, então pensei, apenas por alguns segundos... pensei... qual é o sentido de estar aqui. E, desisti. Parei de lutar... Não conte a ninguém.
- Tudo bem.
(...)

Fragilité

Suas palavras me calam fundo, mas fundo que uma navalha afiada. Penetra e arrasa tudo que encontra. Faz festa em mim. Suga o sangue que me alimenta até a última gota, contamina, deixa seu azedume sobre mim... E, fico aqui sem forças, acuada, fumando o último cigarro amargo produzindo meu próprio azedume.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...

Tempo passa

Tempo voa

Tempo vai

Tempo chega

Passa, voa, vai, chega.

Tempo de fim

Tempo de recomeço

Tempo de amor

Tempo de lágrimas

Fim, recomeço, amor, lágrimas.

Tempo pequeno

Tempo grande...

Tempo de poemas

Tempo de sistemas

Pequeno, grande, poemas, sistemas.

Tempo que machuca...

Tempo de alegria

Tempo de amizade

Tempo de descobrir

Machuca, alegria, amizade, descobrir.

Tempo de cinema

Tempo de estrelas

Tempo de problemas

Tempo de soluções

Cinema, estrelas, problemas, soluções.

Tempo de estar

Tempo de seguir

Tempo de perdoar

Tempo de cantar

Tempo de atuar

Tempo de ficar

Tempo de amar

Tempo de chorar

Tempo de raiva

Tempo do partir

Tempo de ócio

Tempo do agora

Tempo do ontem

Tempo do passado

Tempo do tempo

Tempo, tempo, tempo, tempo, tempo, tempo...

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Tiê- Dois

?

Se você me conhece ao ponto de saber dos meus defeitos mais profundos, então me diz se fiz careta pra alguém num intuito de desfazê-la? Se dormi antes de banhar? Qual foi a última música triste que escutei só pra me sentir mais feliz?... Admite, não sabe de mim não sabe dos meus vícios... Por que não pega sua escova dente e parta...

Regina Spektor- Man Of A Thousand Faces (Video Mix)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

É, não sei e dai?

Não sei...

Eu não sei.

Não sei de mim, não sei de você. Não sei de muitas coisas e mesmo assim sou obrigada a de saber tudo, ou quase tudo. Não sei do dia de amanhã. Não sei de mim quando chegar o amanhã. Só sei da projeção do amanhã que tenho como uma espécie de lista de afazeres, obrigações, trabalhos... E não adianta, eu bem sei que não esperam de mim um “não sei”. Esperam sempre objetividades, precisões, repostas na ponta da língua... Ás vezes queria ficar apenas com um não sei...

Não sei isso, não sei aquilo, não sei.

Labirinto

Parece inexplicável a minha indecisão. Tantas escolhas me deixam confusa como no tempo em que eu tinha que escolher qual seria a próxima brincadeira... E confesso que fico atordoada com essas indecisões. E te peço não me deixe fazer a escolha errada, fique de olho bem aberto quando parecer que enfie os pés pelas mãos, pegue na minha mão e faça o que melhor lhe parecer.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Amigo

(...)

- Sinto saudade do tempo em que éramos amigos.

- Eu também. Tenho saudade das nossas apostas bestas, do tempo que parecia ser mais fácil, do afeto que nos unia, do complemento que éramos. Quando a ausência de nós se faz presente, eu perco meu complemento. Nós temos que ficar juntos. Nós, que apesar de todas as diferenças nos queremos tanto, por tudo o que vivemos, pela cumplicidade de tantos anos. Não podemos ficar tão ausentes um do outro, não podemos permitir esse afastamento.

- Volte a ser meu complemento?

(...)

Para tempo!

Noite chuvosa. Pingos molhando minha cama, parecem marcar o tempo que não sei... Estou no meu casulo, sozinha. E é nessa hora que preciso de você. Um, dois, três... nove, dez... Não vou mais contar os pingos. Para tempo! Chá na cama, livro de cabeceira quem sabe no pego no sono e sonhe com você. Um, dois, três, quatro, cindo, seis... dez, onze... vinte, vinte e um, vinte e...

Mais perto

Hoje me deu uma vontade de lhe escrever algo. Sei que estou muito afastada, então, agora é uma boa hora para ficar mais próxima, mesmo sendo uma carta e não minha presença. E nada justifica a minha ausência. Talvez o tempo que é presente em tudo se encarregou de nos afastar. Mas, não quero culpar o tempo, nem sei se existe um culpado.

As coisas por aqui continuam as mesmas. Vivo estressada, irritada e de saco cheio como sempre. Você sabe o quanto sou impaciente, com as pessoas e com a vida... Engordei alguns quilos devido ao velho habito de almoçar em restaurantes. Mas, não se preocupe não vou virar uma bolotinha. Não vou comer mais em restaurantes até segunda ordem, ou, até conseguir me controlar.

Esses dias sofri um acidente, segundo colegas que viram, muito feio, mas nada grave. Cai de cabeça no chão e o único mau que sofri foi perder alguns cabelos e ficar com um galo do tamanho de uma bola de basquete. Mentira. Estou aumentando um pouco pra você ficar preocupada comigo e mandar noticias o quanto antes.

Sinto sua falta todos os dias... Sinto falta de tudo em você, seu cabelo encaracolado, suas unhas roídas, sua boca macia, das suas piadas sem graça. E, a Bella? Sinto até falta da sua cachorra pulguenta que adorava morder meus sapatos.

Como eu te valorizo e te quero tão bem... Haja o que houver eu vou lhe ver esse ano. Prometo. Te encho de beijos, carinho, preencho o tempo que deixamos passar. Olha, eu citando o pobre do tempo novamente. Ele não tem nada haver com nossa displicência. Vou parar com isso e pegar o primeiro avião amanhã cedinho para te ver. Vou chegar primeiro que essa carta. Então, lemos juntos... Fico por aqui, na certeza que chegarei primeiro que esse papel, na esperança de olhar mais uma vez seus olhos tão amados... Te fazer carinho...

Beijos saudosos.