terça-feira, 23 de março de 2010

Foco

A primeira vez que te vi pouco dei atenção... Rosto marcante, olhos verdes claros, jeito de menina desafiadora, petulante, nariz empinado. Essas foram às únicas sensações que abstrai no primeiro contato. Mas, alguma coisa me atraiu, ainda sem saber o que. Talvez ficou evidente quando você tocou aquela música do Yann Tiersen. Fiquei baqueada com escolha musical e fascina com que pude ver. Mesmo assim não te dei atenção... Observando as coisas ao meu redor, pessoas, objetos, deparei com seu olhar. Silêncio. Não conseguia desviar meus olhos dos seus. Você reparou e logo mudou a direção dos seus. Te assustei... Tudo que eu via era quem realmente você era apesar de não te conhecer... Olhos tão profundos e misteriosos. Depois em relasse você reverbera pela sala que não conseguia me olha nos olhos porque eu te desafiava, assustava. Eu sei que assusto as pessoas com meu olhar certeiro, mas você não era desafio. Queria fazer parte de você naquele breve momento de trocas de olhares. Tempo. É o que nos espera, ou me espera, não sei... Eu sei esperar. Eu espero. Um olhar certeiro seu.


Tente guardar seu coração um pouquinho na garganta...

segunda-feira, 22 de março de 2010

"...parte da escuridão."

PETER BROOK

"Nunca acreditei em verdades únicas. Nem nas minhas, nem nas dos outros. Acredito que todas as escolas, todas as teorias podem ser úteis em algum lugar, num dado momento. Mas descobri que é impossível viver sem uma apaixonada e absoluta identificação com um ponto de vista. No entanto, à medida que o tempo passa, e nós mudamos, e o mundo se modifica, os alvos variam e o ponto de vista se desloca. Num retrospecto de muitos anos de ensaios publicados e ideias proferidas em vários lugares, em tantas ocasiões diferentes, uma coisa me impressiona por sua consistência. Para que um ponto de vista seja útil, temos que assumi-lo totalmente e defendê-lo até a morte. Mas, ao mesmo tempo, uma voz interior nos sussurra: "Não o leve muito a sério. Mantenha-o firmemente, abandone-o sem constrangimento."

domingo, 21 de março de 2010

Nossa morte de cada dia

Eu morro todo dia... Hoje morri mais um pouco com seu último suspiro. Meu coração parou de bater... segurei sua mão, pedi pra você não ir, disse que te amava... e você foi para onde não posso mais te acompanhar... Eu morro todo dia, com ação do tempo, das perdas, das doenças, dos vícios... mas sua perda me fez morrer mais uns dez anos subitamente...

É engraçado que ela é tão presente. Sim... a morte. Só o fato de estar aqui, já estou morrendo um pouquinho, respirando, sofrendo sua perda. Isso me assusta. É, por que é bem fácil não estar mais aqui. Basta eu querer, e pronto... Mas, não posso fazer isso com você. Você que sempre quis meu bem, minha atenção. Não vou me abater.

Prometo que ficarei bem... até me divertir mais com as perdas, não me entenda mau. Eu ficarei bem...

sábado, 13 de março de 2010

Pedras


Se você fosse uma pedra velha,

enrugada, cheia de fissuras

te chamaria de meu

te pegaria pra mim

te faria meu lar de todos os dias...

Tormenta

Se eu pudesse explodir, explodir agora minha família. E, das cinzas fizesse ressurgir uma que fosse perfeita estaria mentindo pra mim mesma... –Desculpe, não depende só de mim essa reforma... Os defeitos não são só meus, a impaciência, os gritos, as brigas... faço o que posso você precisa entender, mas não depende só de mim.

(...)

Silêncio

Vivo machucando-me em carne viva, exposta aos meus olhos, secreções escorrem lentamente, lentamente em minha pele enrugada, amarga, acabada... Dores já não fazem o mesmo efeito como no tempo em que parecia que eu iria morrer a qualquer momento. Agora são bem vindas, festejadas... aclamadas com ironia. Pode parecer que sou amarga, tempestuosa, mas não sou de todo mau só quando quero espantar meus temores pra bem longe do meu convívio. Até posso ser generosa... eu me suporto porque sou meu próprio fardo. Não se assustem com que vou dizer, mas não temo o fim que se aproxima a cada piscadela. Dizem que sou assim porque sofri muito, não fui amada por ninguém, não fui desejada, não aprendi amar e de fato nada disso me aconteceu. Não aconteceu porque não permiti sentir tais sentimentos humanos. Não gosto de ser humana... cometemos atrocidades... Agora apenas por um instante peço silêncio a vocês. Silêncio. Mas, não existe silêncio... Silêncio!...- Sua mente continua martelando, gritando? A minha também. Não existe silêncio...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Diz pra mim cadê você?

Posso está ausente, mas não ausente de mim... Dúvidas, incertezas, martírios, medos... O não ausente de mim ainda prevalece mesmo com as dúvidas, as incertezas, os martírios, os medos... De repente como um susto diante do espelho, tomo consciência das minhas lamurias. Ausente... ausente... ausente de mim? Já não tenho certeza. Contradições permanentes... Se eu pudesse mostrar o que se passa, talvez ninguém entendesse. Mas se eu ousar te contar o que se passa pode até se esforçar não entenderia... Então preste atenção, lute por mim, me entenda me tire daqui... Vem! Me de sua mão e faça o que me melhor lhe parecer pra salvar meu coração... Depois vou descansar.

domingo, 7 de março de 2010

Planetário

Viajei pra bem perto das estrelas e nem precisei sair do chão. Sentada e acompanhada por crianças berrantes, eufóricas, bagunceiras, festeiras, até arrisquei uns gritos abafado por elas. O que se ouvi além dos gritos eram meus risos... – Se preparem para maior viagem de suas vidas. Contagem regressiva 1, 2, 3, 4,5... Chegamos às galáxias... –Gira, gira, gira, gira, gira, gira, gira... Elas não paravam de repetir... Outra sacudida e voltamos pra terra firme.

sábado, 6 de março de 2010

Então, não seja...

Oito pessoas... Desafio cada olhar que atravessa os meus, calmos, sérios esperando meus deslizes... um em especial me incomoda, riso de boca aberta debochado, sentenciando minha derrota. E perco não por elas, mas por minha incapacidade de fluidez.

terça-feira, 2 de março de 2010

Mundo meu

Existem bilhões de pessoas no mundo, mas só precisamos de algumas para compartilhar afetos... Olhei o mundo e não gostei do que vi, então, fiz um só pra mim. E é lá sei, que não vou encontrar mentiras... Tentei deixá-lo perfeito...