domingo, 4 de abril de 2010

Braxília chuvosa
















Un Chien Andalou


 

Quero plantar!


Acorda Maria bonita chegou o esquadrão
Que bom
Que bom!
Chegou o esquadrão.

Casa vazia

Acordei hoje e me senti mais vazia do que de costume. A casa estava vazia, sem ruídos, gritos, apenas minha respiração. No quarto a televisão desligada olhando para mim... Eu devo estar completamente avoada... Dei quatro, cinco passos e resolvi me deitar no sofá e ligar a TV desde que haja assuntos pra desenvolver. Mas confesso que não sabia enxergar tantos sinais. Não é muito fácil me desligar.

sábado, 3 de abril de 2010

OSGEMEOS - Vertigem

A primeira vista uma cabeça gigante convidativa. Entro dentro dela. É cheia de sentidos visuais, auditivos e táteis. A visão geral é magnífica, o olhar mal consegue acompanhar tantas obras. O mais interessante dessa exposição é que você se contamina por ela. Tornamos-nos parte da obra a partir do momento que compomos e interagimos com ela. Tudo é convidativo e aconchegante. Tive sensação de estar vivendo naquele mundo que poderia ser meu se eu quisesse, até senti que aquilo fora construído por mim. Houve uma confusão em mim de apropriação da obra. Senti-me pertencer aquele lugar. Muitas vezes vinha em minha mente a necessidade de viver lá para sempre. A primeira obra que entrei foi o carro. Não era só um carro era um carro armário com vários objetos dentro. Entrei dentro dele atraída por uma pessoa que já estava lá dentro. Ficamos conversando e ela disse: - Imagina sexo aqui dentro. E, eu apenas ri... O carro aproximava as pessoas. Eu poderia ficar lá horas conversando. Acoplada no carro uma escaleta, ou, teclas de piano, não sei, e ao lado uma partitura de uma música. Nessa hora me senti um pouco triste por não saber tocar e ler partitura, pois sei que aquela música iria casar perfeitamente com a atmosfera do ambiente. Duas cabeças grandes quadradas chamaram minha atenção, ele embaixo ela em cima. Acelerei meus passos e logo entrei dentro delas quase tive um enfarto do miocárdio de tanto vislumbre. Milhões de Marcia’s refletida no espelho. Ao mesmo temo que fosse entusiasmante era assustador. Não era fácil olhar para minha própria face... Engraçado que me deu vontade de chamar uma pessoa pra entrar junto comigo e foi o que eu fiz, mas não era permitida a presença de outro. Então retornei sozinha ficando por lá por muito tempo olhando na minha face refletida no espelho. Fui convidada a me retirar, porque eu estava sendo muito egoísta ficando lá tanto tempo. Logo em frente tinha casa e pensei: - Essa casa é minha, eu mobilhei cada cantinho dela. Sentei no meu sofá e comecei a chorar de felicidade. Tudo dentro dela combinava a música que tocava repetidamente, a televisão, as luzes, o som da água caindo na pia, os quadros... Resolvi passear mais um pouco lá fora. No meio do grande salão uma obra estranha minimalista. Parecia um animal, mas os olhos e a boca eram humanos. Tinha oras que ele me olhava encarando-me e outra mudava o olhar abruptamente me assustando. Duas obras me causaram inquietação uma era um carro gigante com uma cabeça também enorme. Fiquei curiosa para entrar lá dentro, mas na era permitido. Pelas fechaduras do carro vi sua dimensão interior. Pareci uma espaçonave no ponto de partida para uma viagem. A outra obra era duas mãos gigantes que pareciam nascer do chão, olhei curiosa para elas e me deu a sensação que aquelas mãos fizeram aquele mundo. Mais adiante um submarino enorme, lindo, com uma proa de navio, ela te desafiava encarando com seu olhar penetrante. Do lado externo do submarino várias gavetas saiam pra fora e dentro dele aqueles aparelhos que te permite visualizar o exterior do submarino, não sei o nome daquilo, mas não importa. Olhei cada pessoa que estava lá fora e me sentia no dever de proteger aquele lugar. O submarino interagia com meus gritos, sorrisos. Ao lado do dele um painel imenso cheio de detalhes, criaturas que eram engolidas para dentro da parede e seus membros saiam em outros lugares. No meio uma casa parecia solitária, ou, não. Engraçado que a cada vez que eu olhava para aquela obra encontrava uma coisa diferente que ainda não tinha visto. Olhava, olhava, olhava mais uma vez em vários ângulos e era tudo tão rico. A hora da partida se aproximava, mas eu não queria partir eu queria era morar lá, mas convenhamos era fantasia eu deveria acordar no momento que saísse de lá, e foi o que aconteceu.

PS: foi uma das coisas mais incríveis que já vi na vida. Desculpe-me pelos erros de concordância. Quando faço textos grandes sou muito prolixa e erro demais, mas dar pra entender alguma coisa...

OSGEMEOS - Vertigem
1 Abr a 16 Mai
Local: Pavilhão de Vidro
Horário: Terça a domingo, das 09h às 21h

A dupla apresenta telas e obras interativas que brincam com os sentidos visuais, auditivos e táteis dos visitantes. Trata-se de um painel do cenário da arte contemporânea, com personagens influenciados pelo folclore ou o cotidiano urbano brasileiro, além de objetos sonoros agrupados em uma parede que podem ser manipulados pelos espectadores.
Curadoria: Gustavo Pandolfo e Otavio Pandolfo.

SERVIÇO
Data: De 02 de março a 16 de maio
Visitação: Terça a domingo, das 09h às 21h
Local: Pavilhão de Vidro
SCES, Trecho 2, lote 22
Agendamento de visitas monitoradas: Segunda a sexta, das 8h às 18h
Telefone: (61) 3310-7480 e 3310-7420
Recepção/Informações: Terça a domingo, das 9h às 21h
Telefone: (61) 3310-7087
Entrada Franca
Classificação: Livre

Essa música tocava dentro da casa Mad World - Gary Jules
é linda!

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Anita Malfatti - 120 anos de nascimento

Conheci Anita Malfatti. Anita ora intensa mostrando sua real pintura, ora, escondendo sua personalidade em pinturas clássicas. Traços fortes, linguagem bem peculiar de pintar. Cada quadro passa uma sensação diferente. Uns me davam um vazio não da obra que eram belíssimas, mas um vazio interno que não consigo explicar agora, talvez fosse meu estado de espírito no dia que não era uns dos melhores. Cada detalhe impresso em suas obras remetia a algum significado que me fazia refletir sobre elas. Uma em especial me fez rir descontroladamente. Não sei se essa era a intenção de Anita, mas me contaminei sem pudores pelo quadro tão simples. Os corpos nus em suas obras, embora fossem com poucos traços e formas expressavam uma vitalidade impressionante. Conheci várias Anitas em uma só pessoa, mas as que mais me marcaram foram à oprimida por sua sociedade machista e pelos os críticos de merda que desmereceram suas obras, e por sua vez, a Anita libertadora que pintava o que realmente queria expressar. De fato uma mulher há seu tempo sobre tudo intensa.

Anita Malfatti - 120 anos de nascimento

1 Abr a 25 Abr
Local: Galeria 1
Horário: Terça a domingo, das 09h às 21h

Exposição com cerca de 120 obras entre trabalhos a óleo, desenhos, pastéis e aquarelas, abrangendo todas as técnicas utilizadas pela artista e que contempla as várias fases da trajetória de Anita que, de certa forma, relatam e ilustram a história das artes plásticas no País, do final do século XIX até meados do século XX.
Curadoria: Luzia Portinari Greggio.

SERVIÇO:
Data: De 23 de fevereiro a 25 de abril
Visitação: Terça a domingo, das 09h às 21h
Local: Galeria 1
SCES, Trecho 2, lote 22
Agendamento de visitas monitoradas: Segunda a sexta, das 8h às 18h
Telefone: (61) 3310-7480 e 3310-7420
Recepção/Informações: Terça a domingo, das 9h às 21h
Telefone: (61) 3310-7087
Entrada Franca
Classificação: Livre

Não percam está linda a exposição se não Anita vai puxar seus pés!

Velho violão

Perdi minhas cordas. Não dar para dedilhar minha vida com apenas duas cordas. Estou fora do eixo presa em armadilhas... Até tento ser afinada, mas com duas cordas sozinhas se torna impossível... Ainda apuro meu violão porque só eu posso salvá-lo. Então, que seja desafinado, velho e sem cordas eu tenho com atenção!
Quando te olho sinto fome... Te olho com atenção, porque te presto muita atenção...

Vamos correr hoje?

Fazia tempo que não corria. Fazia tanto tempo que não sentia o vento no meu rosto a boca seca. Não imaginava o quanto isso me fazia tão bem. Correr me liberta... O suor salgado escorrendo em meu rosto quente, o sol, as árvores sentiram falta de mim. Eu delas. Quando corro sinto meus pulmões ganhado força minha respiração se expandindo. Eu cresço e desenvolvo. Estou ativa, minha mente pouca devaneia nessas horas, apenas assimila as sensações, estímulos naturais. Esse ano encontrei uma parceira de corrida no mesmo ritmo comum do meu. Vamos lado a lado estimulando uma a outra. Não sentimos necessidade de disputa, mas sim uma entrega ao outro, compreensão dos limites nossos.

Condução

Lugar de passagem onde os sentidos, estímulos, tempo se dilatam... Um ambiente novo e único repleto de imagens oníricas. O chão desfragmenta-se aos meus pés. Não é firme é irregular que me dar medo. Aprendo a controlar os meus medos com uma presença desconhecida que me conduz com o maior apego que uma pessoa pode ter pela outra. Mão macia, respiração serena, me reconforta essa presença desconhecida... Ampliação de sons me deixa ativa a qualquer barulho que parece nascer da raiz de minha cabeça em turbilhão de pensamentos. Nesse breve estágio me sinto em uma tribo indígena no momento de um ritual de passagem. Sou lançada em um trono não muito confortável. Uma música circense penetra em meus ouvidos. Euforia me invade quando vários beijos sugam minha pele e começo a rir descontroladamente. Para acabar com meu festejo gritos, miados se aproximavam e novamente sinto um arrepio. Fui salvo por mãos quentes, acolhedoras. Começaram o ritual me deitaram em uma manta protetora passando óleos e massageando meu corpo. Imersão... Uma nova porta se abre. Cheiros fortes parece penetrarem em meus poros. E sou transportado para um ambiente estranho. O chão não é firme... Depois disso voltei ao mundo real...

Brasília





Ela está me bebendo

Foi tão estranho compartilhar a sua presença com outro. Não senti ciúmes, mas vazio... Não tinha ninguém do meu lado. Só os meus pensamentos em você... Olhava para o céu, árvores pra ver se distraia meus pensamentos. Até consegui dormir e encarar o vazio como amigo constante... Acordei entediada com vontade de ir embora daquele espaço que não me pertencia. Mas a chuva que tanto amo me traiu. E não tive outra saída a encarar aquilo tudo com leveza... Sozinhas. Silêncio. Silêncio de mim silêncio de você. E isso durou por algum tempo enquanto olhávamos para o caos da chuva fora do picadeiro. Não sei de você, mas faço do silêncio meu companheiro. Dei tempo pra eu encontrar a melhor forma de quebrar aquele silêncio ensurdecedor. Ouvíamos minhas músicas que sei não te agradava muito. O picadeiro estava escuro, encharcado de água, fazia muito frio. Você me cedeu seu xale verde com pequenos fios brancos para me proteger do frio. Estávamos tão próximas e podia até sentir o calor que vinha do seu corpo... E não demorou muito começamos a conversar espontâneamente de nossos medos, egos, desejos, objetivos. Agora eu acreditava que aquele espaço poderia ser meu, ou, nosso. Acho que nunca fui tão verdadeira com uma pessoa como sou com você que mal conheço. Hoje fui impetuosa e disse o que sentia sem puder mesmo sem saber o que isso significa ainda. – E, ok. E não peço nada a você, só desabafei. Se vai entender pouco sei prever. Nem eu estou me entendo nesse momento. Foi bom aquele breve momento nosso, conversas, confissões... O sentimento era de permanecer ali não sei por quanto tempo, mas decidi partir. A chuva continua a cair, mas encarei ela de frente, como presente levei comigo seu xale verde com pequenos fios brancos. Olhei ao meu redor olhei pro céu abri os abraços para sentir o vento, mas na verdade queria olhar para trás... e assim segui em frente, peguei o ônibus encharcada, mas feliz. Durante a viagem cochilei e não pensei em você. Acordei com burburinhos no ônibus que havia quebrado. Tive que encarar a chuva novamente na esperança de pegar outro ônibus. E, não demorou muito ele apareceu. Fui espremida, amontoada na porta do ônibus que estava lotado de pobres trabalhadores cansados e com o único intuito de chegar logo em casa. Desci no meu destino acompanhada pela chuva, cheguei em casa e banhei em espécie de imersão. Lembrei de Clarice Lispector e da sua crônica “Ele me bebeu” e pensei: ela está me bebendo daqui a pouco me tira até a razão...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Meus calos

Preciso descansar. Meus calos doem... Preciso respirar profundamente pra encontrar ar puro, porque esses que se encontram aqui estão fedidos e poluídos. Preciso me encontrar... Perdi a chave de casa e nunca mais voltei ser a mesma. Tento respirar com mais força, mas me falta vigor. Meus pulmões sucumbem a cada tentativa. Cadê minha mãe? Cadê meu eu? Preciso, preciso sair daqui... Se eu pudesse mostrar o que eu sonhei está noite alguém me entenderia me tiraria daqui... Vai ser agora, poço sentir. Está quase parando... 1, 2, 3, 4, 5,6... 12,13... Ainda estou respirando. Como pode? Vou descansar outra forma não há... Preciso descansar pra sair daqui com mais vitalidade...