segunda-feira, 31 de maio de 2010

Dionisíacas Orgiasíacas

Reconheço a total atemporalidade transcendente de José Celso Martinez. Uzina/Uzona é a grande biodigestora de tragédias do planeta, mas tenho preguiça da beatificação da orgia em seus espetáculos. Ver os alunos da Oficina e do Dulcina, protagonizando algumas cenas, foi para mim muito constrangedor.

Da melancolia em mim

não, não pode mais meu coração
viver assim dilacerado
escravizado a uma ilusão que é só... desilusão...

ah, não seja a vida sempre assim
como um luar desesperado
a derramar melancolia em mim, poesia em mim...

vai triste canção
sai do meu peito e semeia emoção
que chora dentro do meu coração...

Pina Baush- Walzer

Quando ouço essa música não consigo ficar parada. As pernas começam a mexer quando vejo os braços estam no alto pulando... Ai, vira isso, esse desajuste pra dançar. E, dai? Dançar é liberdade. Livre... (Amo Pina Bausch)

sábado, 29 de maio de 2010

Bunda no chão Coração no céu

Tou aqui na biblioteca nacional vendo suas fotos (...) Esperando o tempo passar pra assistir as orgias do Zé Martinez (bacantes). Tô te esperando também, espero que apareça. Passei a tarde toda sentada nos concretos de Brasília. Sentada perto dos espelhos negros atrás da biblioteca. Esse lugar é inspirador mais ando tão cansada ultimamente que não tenho tempo pra ficar com os olhos abertos. Tudo que eu quero nesse e nos últimos dias é dormir dois dias seguidos e esquecer do mundo. Ando tão cansada que vire e mexe me pego dormindo de olhos abertos. Ontem foi a decadência: dormi dentro do ónibus e passei da minha parada. Tava tão mole que não tive nem forças pra me chamar de anta, idiota, lesma, então aproveitei pra andar um pouco pela rua. Fazia tempo que eu não desvela a noite. Olhei pro céu e lá estava a formosa dama no céu: Lua -Seus olhos não são verdes, mas brancos como no fundo dos olhos de uma menina matuta- Quando olho pra Lua penso em uma pessoa, mas dessa vez pensei em você (...) A Lua me encanta. Nem sei porque estou te falando isso. Na verdade era só pra falar das fotos e acabei me prolongando. Bom que passou o tempo. Daqui a pouco começa a peça e espero que venha. Quem sabe não possamos desvelar a Lua Juntas hoje sobre o céu de Brasília.

O silêncio inspira.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

A vida é sonho

Que é a vida? Um frenesi.

Que é a vida? Uma ilusão.

Uma sombra, uma ficção;

O maior bem é tristonho,

Porque toda a vida é sonho

E os sonhos, sonhos são

De La Barca

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Dama da noite























- Priez pour nous et bénizzez notre maison.

Que sentido devo fazer?
Quantas vidas terei que viver?
Quantas mortes terei que ter?
Quantos porquês ainda me restam?
Por que, hein?
O porquê desse silêncio...

Uma parte de mim é só vertigem


Canta ai

Traduzir-se

Uma parte de mim é todo mundo: outra parte é ninguém: fundo sem fundo. Uma parte de mim é multidão: outra parte estranheza e solidão. Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira. Uma parte de mim almoça e janta: outra parte se espanta. Uma parte de mim é permanente: outra parte se sabe de repente. Uma parte de mim é só vertigem: outra parte, linguagem. Traduzir-se uma parte na outra parte - que é uma questão de vida ou morte - será arte? Será arte?


Ferreira Gullar

quarta-feira, 26 de maio de 2010

E que tudo mais vá pro inferno

Segunda-freira cinzenta...

Esta manhã acordei mais cedo do que de costume com cinco despertadores ferozes. As sirenes invadiram meu sono justo na hora em que  eu não queria acordar. Pensei: queria comprar um tempo extra pra dar conta da vida.

Tomei um banho quente, tão quente, que não consigo entender como não senti minha pele queimando, mas continuei envolvida pela água. Era um aconchego, de certa forma, me senti envolvida num invólucro. Depois de um tempo de pura imersão voltei para superfície fria e silenciosa da minha casa. Na sala café na mesa nada atraente devido ao meu desajuste pela falta de cadência com a comida. Café forte e açucarado, pão torrado preto, duro como pedra, mas encarei aquele banquete dos deuses.

E quando vi já estava na rua indo para meu enterro. Ando raivosa desde que retornei pra faculdade. Morro todos os dias quando coloco meus pés na universidade. Não é o ambiente que causa minha morte é a obrigação de estudar algo que não se gosta. Não amo o que faço. Estou cansada de ir contra correndo, por isso, que essa manhã decidi pra mim mesma que não fico mais nenhum minuto aqui. Vou fazer as coisas que amo e tentar ser feliz...