terça-feira, 6 de julho de 2010

A Paixão Segundo GH

"Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: -quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Summer 78

sábado, 3 de julho de 2010

Saiba!

Saiba! Todo mundo foi neném Einstein, Freud e Platão, também Hitler, Bush e Saddam Hussein Quem tem grana e quem não tem... Saiba! Todo mundo teve infância Maomé já foi criança Arquimedes, Buda, Galileu E também você e eu... Saiba! Todo mundo teve medo Mesmo que seja segredo Nietzsche e Simone de Beauvoir Fernandinho Beira-Mar... Saiba! Todo mundo vai morrer Presidente, general ou rei Anglo-saxão ou muçulmano Todo e qualquer ser humano... Saiba! Todo mundo teve pai Quem já foi e quem ainda vai Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé Gandhi, Mike Tyson, Salomé... Saiba! Todo mundo teve mãe Índios, africanos e alemães Nero, Che Guevara, Pinochet E também eu e você...

Ciranda da Bailarina

Procurando bem Todo mundo tem pereba Marca de bexiga ou vacina E tem piriri, tem lombriga, tem ameba Só a bailarina que não tem E não tem coceira Verruga nem frieira Nem falta de maneira ela não tem Futucando bem Todo mundo tem piolho Ou tem cheiro de creolina Todo mundo tem um irmão meio zarolho Só a bailarina que não tem Nem unha encardida Nem dente com comida Nem casca de ferida ela não tem Não livra ninguém Todo mundo tem remela Quando acorda às seis da matina Teve escarlatina ou tem febre amarela Só a bailarina que não tem Medo de subir, gente Medo de cair, gente Medo de vertigem Quem não tem Confessando bem Todo mundo faz pecado Logo assim que a missa termina Todo mundo tem um primeiro namorado Só a bailarina que não tem Sujo atrás da orelha Bigode de groselha Calcinha um pouco velha Ela não tem O padre também Pode até ficar vermelho Se o vento levanta a batina Reparando bem, todo mundo tem pentelho Só a bailarina que não tem Sala sem mobília Goteira na vasilha Problema na família Quem não tem Procurando bem Todo mundo tem...

...O que eu tentava dizer mesmo... É que... O que eu mais gosto nesta vida, o que me mais instiga, o que me preenche o vazio, o que me faz feliz, o que... não sei... Enfim, o que me faz sentir uma pessoa, mas uma pessoa de verdade... É... não sei. Eu simplesmente não sei o que quero. Mentira. Sou egoísta por querer o mundo. Isso nunca acaba enquanto há desejo... sabe de uma coisa eu tenho medo do que sinto. Meu peito grita. Sou arrastada com uma corda no pescoço... O que quero dizer... meus demônios me tentam o juízo. Quase sem força sou vendida a preço vil vestida com insultos e ofensas. Carrego a cruz dos meus pecados. Quem terá amor por uma alma atormentada como a minha? Quem terá compaixão? Que besteira. Não era isso que eu queria falar. Expor assim meus demônios, que besteira. Pra quê dizer algo quando quase sempre quero ficar em silêncio... -Cala a boca e escuta.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Tarde de cinzas. Vou ao se encontro. Ela com sua espada na mão. Escreve, escreve... se esconde. Ouço o barulho do seu vento. Ela me faz odiar, me tira do serio, me tira o eixo... Olho sua sombra com atenção e abominação que há em mim. Dentro dela habita um mostro. Isso me assusta... não consigo entrar em seu mundo. Egoísta, fraca, teimosa eu odeio seu egoísmo. Odeio com dor nos pulmões. Odeio sua contradição. Odeio sua fuga... Antes de te odiar te amo... Pra quê disfarçar, não vou mais negar o que há em mim.

A sombra

Pra quê dissimular? Se ela me segue aonde quer que eu vá? Melhor encarar E aprender com ela a caminhar Não vou mais negar Por todo caminho, minha sombra está Eu quero saber me querer Com toda a beleza e abominação Que há em mim Isso nunca se desfaz E quanto a desejo, não há paz Isso nunca se desfaz.

A minha alma nem me lembro mais em que esquina se perdeu ou em que mundo se enfiou.


Há tempos não tenho motivos pra nada. Só penso na cama quente de armadura. Durmo na escuridão do meu silêncio. Despedaçada. Sou inquieta e áspera e desesperançada. Sou tudo e sou nada. Quase sempre sou nada. Um coração de papel. Que guarda e esconde uma mulher adormecida. Que grita dentro de mim. Me dê uma razão para ser... uma mulher. Eu quero apenas ser uma mulher desacorrentada. Quero ser a mulher que ama a que seduz quando necessário. Quero amar com coração de mulher... Ás vezes penso na criança esquecida em mim, ai tenho medo ser mulher. Ainda sou jovem e cheia de crises. Estou tão cansada de brincar com esse arco e flecha. Vou dar meu coração de papel pro tempo. O tempo que voa bem no alto das árvores. E com diz a criança em mim se o tempo voasse ele estaria no céu, no mar... é tão difícil ser. É melhor ser nada. Nada. Se eu fosse nada nem precisaria disso... não seria. Minhas costelas doem, meu peito dói, a cama revestida me chama, o silêncio grita e a música triste repetida é o silêncio em mim. Por trás dessa moldura poderia florescer flores... eu seria a mulher que tanto quero.