sexta-feira, 30 de julho de 2010

A casa tá com cores diferentes devido à mudança de rotina.

Blá, blá, blá...

Nas noites escuras todos dormem em paz ou não nas suas camas, enquanto eu permaneço com os olhos abertos. Queria me sentir segura, mesmo com a tempestade, mas sinto que a qualquer momento a casa vai cair. A gente tem a mania de viver no caos e acaba culpando os outros por nossos problemas, quando na verdade, é culpa nossa não ter capacidade de resolvê-los.
Fiz a listinha da semana e como sempre não segui a risca os meus deveres. Ok, sou uma cretina, eu sei. Mas juro que não desesperei essa semana. Internamente tôu gritando... -Não desesperei.
Tantos trabalhados acumulados, mas só senti indisposição em fazê-los. Ai, que me falta animo esse ano. Aquele tipo de animo que te faz acordar de madrugada pra tá cedo em um lugar desejado. Animo pra levantar da cama, entende?
Semana passada foi uma bela surpresa conheci outras pessoas, mas essa foi um tanto perdida. Tenho que mudar a rotina. Vou comer e estudar em baixo de árvores. Olhar para céu em dia quente e não reclamar. Dormir mais cedo e não perder tanto tempo nessa maquininha do Capiroto.
Estudar sobre o existencialismo me faz ter certa pena dos meus atos porque no afinal das contas sou totalmente culpado por todo caos que há em mim. Viva La vida... Viver é morrer um pouquinho a cada dia... lentamente, lentamente. Não é desespero ou será. Não quero pensar nisso agora. Vou tomar um chá verde e descansar um pouco a mente.

Amore Porteño




quarta-feira, 28 de julho de 2010

Espelho d´agua

A semana passou como um clarão... Foram-se ventos pesados sobre a casa... Em uma tarde de segunda sentou-se na beira do laguinho na 308 sul e brincou com sua sombra  refletida na água. O vento frio não incomodava. Levantava seus cabelos encaracolados semi secos. O sol ia desaparecendo aos poucos por trás das árvores. Ela se virou com o burburinho de duas moças jogando futebol. Vontade não lhe faltou para estar junto com elas, mas não teve coragem de criança para fazê-lo.  Olhou sua imagem refletida na água e viu como sua imagem ia desaparecendo com a noite que se aproximava. Borrões na água era o que ela via. Os peixes laranjas já não eram mais vistos com a mesmo intensidade e ao fundo ainda escutava a alegria das moças jogando futebol. De certa forma ela foi feliz naquele dia. Ela descobriu que felicidade se conquistava sozinha. 

domingo, 25 de julho de 2010

Brasília é poesia.




MARCOZERO

Minha armadura quebrou. E foi tão fácil. Me permitir ser espontânea. Não fiquei na posição de ataque. Quero agradecer ao céu, à lua, as plantas, aos ipês, a Victoria, o Leif, a Jessica (OBRIGADA POR EXISTIR NO MUNDO E NA MINHA VIDA) pelo dia incrível que passamos hoje (24 de Julho de 2010).

Objetivos a cumprir a partir de agora:

1. Sair da posição de ataque;

2. Me permitir mais;

3. Parar de sofrer;

4. Entrar numa escola de dança;

5. Ser mais leve;

6. Apaixonar por alguém (hoje senti isso por uma pessoa. Mentira. Três pra ser sincera. Mas só por uma pode ser possível, sei lá... foi ótimo;

7. Curtir a vida;

8. A riscar mais;

9. Ser feliz;

10. Começar a fazer meu projeto de pesquisa;

11. Acreditar em mim;

Cumprir esses deveres pra ontem.

sábado, 24 de julho de 2010

(...) Ando bebendo demais. Quando se bebe, fica-se com o inconsciente a nu e só se pode sentir, sentir, sentir. Deus é uma coisa que se respira. Eu não tenho fé em Deus. A sorte é às vezes não ter fé. Pois assim um dia poderá ter A Grande Surpresa dos que não esperam milagres. Parece, aliás, que milagres acon­tecem como maná do céu sobretudo para quem em nada crê. E essas pessoas nem notam que foram privi­legiadas. Cansei de pedir. Para que o milagre aconteça é preciso não esperá-lo. Nada mais quero. Eu sou a noite e Ele é o vaga-lume. Meu tema de vida é o nada.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Ódio demais mata

Às vezes os outros dizem o que eu queria dizer. Muitas vezes. Acontece o tempo todo e eu odeio e amo os autores por dizer melhor do que eu diria aquilo tudo.

Escrevo e falo tão mal (mau?) que tenho vergonha. É frustrante perder ou engolir as palavras.

Odeio me sentir burra. Odeio falar com dificuldade. Odeio engolir “r” e “s”. Odeio não saber nada de português. Odeio o meu deixar passar. Odeio com o maior ódio do mundo a minha resistência. Odeio esse ódio todo. Odeio meus bloqueios. Odeio não ter passado na prova específica. Odeio não ter autonomia maior sobre as coisas. Odeio pesar demais as coisas. Odeio não ser “CDF” (ainda existe isso?). Odeio minha culpabilidade. Odeio não me aceitar. Odeio jogar sempre contra mim. Odeio, odeio, odeio...

Quanto ódio no coração... isso não é nada bom. É quer saber - vou parar de odiar tanto e vou resolver essa listinha de ódios. 

Quarta-feira, Maio 22, 2002

Estou tão cansada. Meu corpo dói por causa da tensão. Parece que estou encolhendo. Acho que estou, mesmo. Até minhas frases ficaram mais curtas.

Acho que não acredito em mais nada. Acho que vou para casa. Empacotar minhas coisas, meus gatos, meus discos, meus livros e ir para casa. Não me arrependo de ter saído de lá, precisava enfiar a cara na lama. Mas agora preciso limpar toda a sujeira. Estou suja, imunda. Eu agüento, eu agüento, sempre agüento tudo, mas cansei. Nem meu corpo suporta mais, coitado. Preciso hibernar, dormir meses e meses e só acordar quando o sol voltar. Estou fraca e cansada. Lindo isso de caber nas calças, mas elas estão começando a cair. Não consigo comer. Não posso beber. Cansada, mole, fraquinha, tão não-eu. Cansada de ficar esperando algo que me alivie, que me deixe leve. Poucas coisas têm me feito sorrir, além de mim. Engraçado, fico feliz com o fruto da dor. É bom saber que eu mesma sou um alívio para os outros, mas ei, também preciso de um pouco de açúcar na minha tigela, como insistentemente a Nina pede nos meus ouvidos. Paciência, Nina. Muita paciência. É isso que falta. O tempo me mata.

Não sinto mais raiva. Não tenho forças para sentir raiva. Isso deve ser bom. Gostaria de sentir bastante raiva agora, acho que seria uma benção dar uns socos na parede e soluçar bem alto, arranhar meus braços e morder meu lábio com força. Mas só consigo guardar tudo dentro da garganta. Fica ali. Grudado. Estático.

E o filho da puta não pára.
Fumo, fumo, fumo. Fumei demais hoje. Ontem também.
Me deram um cobertor. Não volto para casa hoje. Fico aqui, no sofá.
Cansei. Vou embora desta cidade. Preciso de um pouco de paz.
Amanhã eu mudo de idéia. Amanhã passa. E o que passa não importa. Só as palavras importam.
Amanhã passa. E eu fico. Eu tenho que ficar.

INANIA VERBA

Ah! quem há de exprimir, alma impotente e escrava,
O que a boca não diz, o que a mão não escreve?
- Ardes, sangras, pregada à tua cruz, e, em breve,
Olhas, desfeito em lodo o que te deslumbrava...

O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, fria e espessa, é um sepulcro de neve,
E a Palavra pesada abafa a idéia leve,
Que, perfume e clarão, refulgia e voava.

Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?

E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!

Obrigada, Senhor Bilac. Era isso que eu estava tentando dizer.