terça-feira, 12 de agosto de 2014

nas 700 é possível ver esquinas.


aquele mesmo desespero
não o mesmo, mas ainda
que te acorda pela manhã.
é o balançar das folhas laranjas
o coração que batuca, que nunca adormece
nas intempéries de la vida.
ainda pulsa, pulsa como um abacate
que caia do alto das tuas nuvens
na-fé do mato do querer
acorda que a vida é cheia de sinais
querendo que te comer
te afogar.  

vrárrr... é só rebolar. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

almoço do meio dia

quando o silêncio chega
meu corpo parece água.

"A entrega é possível somente se existe confiança; e a confiança é um florescimento. Você pode ficar encolhido na beira do abismo do amor por meses, anos, ou muitas vidas, com medo de pular. Você pode estar ouvindo o chamado do amor pedindo para você pular, mas quando estará pronto para isso não é possível determinar.”

sim prem baba

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

ridente



desenho do rei roberto dagô

que toda defesa que possa existir
se dissipe numa contradança
e que quase sem sentido
a defesa que um dia existiu
se dissipe numa memória leve
pra dançar toda dor que um dia existiu
e que num lampejo de luz
um súbito momento presente
eu possa festejar as partidas
eu possa festejar as chegadas
com calmaria
com calmaria
com calmaria.
isso de catar lixo
na boca do luxo
ainda vai me levar além.

aprendendo nas canções aquilo que sozinha não consigo dizer com a palavras

sábado, 2 de agosto de 2014

se eu pudesse trincar a terra toda

Se eu pudesse trincar a terra toda 
E sentir-lhe um paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...

Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"

Heterónimo de Fernando Pessoa

http://www.radio.uol.com.br/#/letras-e-musicas/renato-motha-e-patricia-lobato/assim-seja/2678326

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

a place where it could be

a presença aproxima?
a ausência aproxima?
o defeito aproxima?
a diferença aproxima?
a liberdade aproxima?
o desejo aproxima?