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domingo, 15 de janeiro de 2017

silêncio

“A mente silenciosa é como água mansa e cristalina. Ao identificar-se com os pensamentos, a mente se agita, e imediatamente torna-se turva e barulhenta. Ao deixar-se levar pelos pensamentos, você se esquece que é o oceano e passa a acreditar ser uma onda. A onda é passageira. Ela é o produto de uma história criada a partir da identificação com um pensamento. Um único pensamento é capaz de criar um mundo inteiro. O silêncio, porém, só é possível quando esse mundo ilusório deixa de existir.”


Sri Prem Baba

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

galope rasante

e surge o entendimento do não pertencimento. o desajuste. o desencaixe. eu não pertenço a nada que não seja a mim. me pertenço e já não sei se me pertenço. cansada disso que mora em mim e que  não tem nome. é uma dor que carrego, que nasce todos os dias. que transformo em alegria, que só sei que tá aqui dentro como um elefante a andar pela cidade. cansada dessa dor que também é meu alimento pra vida, que é a cor da minha alegria. cansada sim, mas não me desisto. me curo das setes quedas. quero me levantar. cansaço de entender a lógica. eu quero só ser. mas não. eu sou um gerúndio. uma criança que guarda na profundeza do seu abismo uma esperança. esperança é um nome bonito, mas preciso ter cuidado com ela. ás vezes acho que tenho esperança demais. sonho demais. me aguardo demais nas profundezas de mim. não sei se isso me faz tão bem. não faz, não fez. esperar um amor que sempre parte sem silêncio não faz tão bem. estou confusa com esse amor que me rasgou inteira, que me faz acordar pela manhã tendo esperança de viver, de olhar pro céu e morrer de amor. me rouba o pensamento por alguns segundos em parte do dia. eu tento controlar e já estou falando desse amor que preciso dizer adeus. e nem sei se tenho, ou sim tenho. se me envergonho desse sentir. essa vontade de mandar mais um carta dizendo estou partindo, estou rompendo de amor, estou indo a teu encontro em cumuruxatiba. 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"o que vemos só vale - só vive em nossos olhos pelo que nos olha".

o caminho é longo e a vida é breve. a vida é breve e surge uma coragem desmedida em mim. um cavalo no meu peito correndo em direção ao mar. olha a vida e quer molhar o corpo inteiro no mar das incertezas. um paradoxo, uma coragem de viver na intensidade do amor que me rouba do tempo. que me rouba de mim e me perco.
o tempo que cura a dor e transforma em pulso a vida. batimentos cardíacos sem categorias.
descobri que a caminhada se faz a pé mesmo, passando por todos os tipos de terrenos. e quanto mais me encaminho a mim mais posso sair dos meus castelos. sair pra passear, ver, olhar, sentir, respirar, silenciar. 
os tijolos eu vou derrubando pra construir outros caminhos. caminho de árvores me parecem mais vivos que tijolos e muros de pele. 
nunca fui covarde em andar pela vida. se tive medo fui com ele. a entrega talvez não tenha sido tão plena, mas talvez não fosse o momento naquele processo.
e não é à toa que se tem uma vida pra viver. se bem que não acredito em apenas em uma. a vida é um dos mistérios mais divinos que pode existir. é lindo isso. não tenho palavras, mas tenho sentimentos pulsando em mim. se eu pudesse dançar isso por meio dessas palavras, talvez alguém enxergaria.
a minha jornada foi feita de encontros e de fugas. agora nesse tempo de mudanças e trovoadas vindo da vida  não preciso mais fugir. me tornei pra mim um encontro vasto. um risco de querer me conhecer a cada em encontro. de me abandonar e voltar a mim. de ir no outro mesmo com avalanches e redemoinhos internas. tenho aprendido a ter mais calma. calma de um bebê recém-nascido conhecendo a vida.
curioso que nessa busca de liberdade tive que conquistar minha  solidão primeiro. conquistar minha solitude dançando e tendo medo. o medo que me impulsionou para o abismo. eu sempre me joguei em abismos, vou fundo. quando vejo já estou estatelada no chão como um abacate que cai na seca. abacates se lançam do alto como quem se lançam na morte querendo nascer. eles se jogam pra se perder na terra. "... tem força suficiente para admitir que quando não mais se aguenta... tomba... quando não suporta cai, desapega, desgruda, em queda livre, ponto em risco até a semente..."
o bom da vida é se perder. abraçar seus monstros e anjos. olhar pra vida com olhos de criança. porque a realidade é uma das piores ditaduras que pode existir.
quero antes de tudo agradecer a vida pelos sinais de amor que sempre existiu. pela delicadeza que sou agora pra ter calma de viver. agradecer pelo engajamento de vida que sempre existiu e que agora e percebido com mais intensidade. obrigada pela abertura para outro. e não é fácil. nunca foi.
melhor que a solitude de se ser é caminhar a pé com outros. somos. não estou mais sozinha, pois percebo que a coragem e a covardia é um jogo que se joga a cada instante do viver.  

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Minha sede cansada

Que importa que em aparência eu continue nesse momento no dormitório, as outras moças mortas sobre as camas, o corpo imóvel? Que importa o que é realmente? Na verdade estou ajoelhada, nua como um animal, junto à cama, minha alma se desesperando como só o corpo de uma virgem pode se desesperar. A cama desaparece aos poucos, as paredes do aposento se afastam, tombam vencidas. E eu estou no mundo, solta e fina como uma corça na planície. Levanto-me suave como um sopro, ergo minha cabeça de flor e sonolenta, os pés leves, atravesso campos além da terra, do mundo, do tempo, de Deus. Mergulho e depois emerjo, como de nuvens, das terras ainda não possíveis, há ainda não possíveis. Daquelas que eu ainda não soube imaginar, mas que brotarão. Ando, deslizo, continuo, continuo... Sempre, sem parar, distraindo minha sede cansada de pousar num fim.