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domingo, 3 de junho de 2018

amor meu grande amor


amor meu grande amor,
que nos encontremos quando formos nossos próprios brilhos
que seja doce e novo os próximos beijos
que nossa pele seja qualquer elemento
seja sinceridade
respeito
entrega
responsabilidade
seja amor
amor meu grande amor, me chegue assim tão de repente
sem avisar
sem endereço.


Desenho em aquarela da amiga Maíra Geraldo a pedido de presentear um grande amor. 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

primeiro encontro

atravessando esse tempo de avalanches onde cada passo é um lampejo e um relampo no corpo. daqueles que o corpo já bambo quase cai, quase desaba, quase quebra. eu preciso me perguntar o que estou procurando entender. daí inicio. não tem como saber do passo seguinte, pois também procuro entender o ciclo da borboleta. disseram que escrever é um passo pra estar mais próximo de si, de olhar pra si e ver o semblante transparente, poroso, venoso, cardíaco e sombroso. o que me trás até aqui é o assombro que caminha de mãos dadas comigo. vejo o corpo igual e feito da mesma matéria humana a deriva a navegar num mar ás vezes calma e outros revolto. quando revolto o cachorro que habita em mim pede colo e eu dou. faço carinho até a tremedeira do corpo se acalmar com o novo respiro nos pulmões. e eu repito internamente: vai ficar tudo bem. são só tiros. jogos de artificio. fiquei sabendo que tem um pais desses de primeiro mundo que fogos de artifício são feitos sem barulho para que os cachorros não tenham medo. acho muito pertinente ao coração dos cachorros. nesse exato momento tem uma cadela tremendo em minhas pernas. eu passo a mão em seus medos na tentativa de acalma-lá. isso me faz lembrar das minhas noites de medo e paralisia do corpo. quando algo metafisico me toma pelo invisível e me faz física toda de medo. por minutos transformados em horas sou tomada pelo peso do medo, até que aos poucos o medo que chegou sem avisar parta me deixando cansada derramada na cama e com o coração saindo pela boca seca. dai o batimentos vão ficando cada vez mais naturais, lentos e calmos.  ás vezes volto a dormir. outras demoro na cama vasculhando cada território que a cama pode me oferecer até que não se tenha chão para pisar. nessas horas prefiro já ter pego no sono.
outro paragrafo. e eu achando que iria começar pela borboleta nova que entrou pelo meu quarto ontem novamente. ano passado foi a mesma borboleta que estava de passagem. talvez seja ela a reencarnação da anterior. fiz umas pesquisas e descobri que se trata de uma mariposa que assim como as borboletas representam mudanças e a morte para o risco. o novo. uma amiga me perguntou qual era meu animal de poder e não soube responder. daí descobri que o animal de poder é que te escolhe. pela recorrência dos fatos e das mortes a mariposa me escolheu. a cada fim de ano e isso não é conto de fadas uma mariposa preta entra na minha casa. ela sedenta por luz morre de paixão para que o novo corpo renasça. daí começo a entender das mortes que passo a cada ciclo de avalanches. a mariposa que entrou pela minha janela e passou a noite comigo me trouxe a morte. hoje sou outra.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

a nova



todo mudança trás uma borboleta para minha casa. ano passado ela veio por debaixo da cama e vôo pela janela abrindo um choro feliz em mim. esse ano ela entrou pela janela e tá de passagem pela minha casa. esse ano resolveu habitar o telhado do quarto. não sei por quanto tempo ela vai ficar por aqui, mas espero que goste da estádia que meu coração tem a compartilhar.

domingo, 29 de novembro de 2015

Não quis cumprir o que tinha estabelecido pra si mesma. Então, levada pelo toque sutil do amor se deixou levar pelo dia de chuva, cama e arrepios de pele. Deixou-se pegar em chamas como um tambor que bate no peito e aquece o coração. Passou o dia inteiro nos braços do seu mais novo amor. Aquele amor que demorou uma vida inteira para acontecer e quando menos imaginou lá estava ela abrindo a porta de casa sem pedir permissão para entrar. Assim, ela entrou na vida da menina que se escondia do mundo debaixo da cama. Desde que ela entrou na casa, o amor, a menina resolveu descosturar cada ponto de linha do corpo. Desde então, ela parou de fugir das avalanches da vida, sobretudo, do amor. Hoje, ela acordou com um pouco mais sem controle das coisas. As coisas... A vida... Dormiu e acordou nos braços de um amor que a cada dia lhe ensina que é preciso ter coragem para caminhar nesse mundo de mudanças. Hoje, elas olhando uma para outra, olhando para o semblante e para o mistério uma da outra, deixaram-se que as lágrimas corresse no mesmo rio, um rio sem margem. Chorou-se tanto que a casa não era mais feita de concreto e de cinzas, mas de água vindo de seus corpos. Quando a lágrima uma da outra caiu sobre seus olhos nada mais precisou ser dito.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"a fé corre, a razão fala, a emoção tomba, o medo se protege, a verdade late. corra! corra! corra!"

O que eu sou... eu sou... eu sou um abacate estatelado no chão. É que quando eu olho de frente pro meu elefante a gente diz adeus. Adeus! E nós jogamos no abismo da vida! Caímos juntos, numa queda livre. Damos as mãos e do alto GRITAMOS: EU TE LIBERTO! EU TE AMO, EU TE AMO! PODE CAIR PROFUNDO EM DIREÇÃO AO AMOR. CAI SEM MEDO, SE POSSÍVEL FOR DANCE ESSA DOR. ESSA LÁGRIMA PRECISA SE TRANSFORMAR! Na frente da minha janela tem pé de abacate, e ele me ensina de tempos em tempos, de caídas e caídas que a vida é assim. É assim mesmo. Só depende dos teus impulsos a queda livre. Não tem para onde fugir. A gente foge porque ainda tem medo, tem um cachorro latindo alto dentro da gente. A gente pode não ver, mas uma hora isso se fará tão presente como um abacate que caí. A gente sente muito! Muito tudo, tudo e tanto! A gente sente muito a vida rasgando a pele da gente, perfurando as camadas, a gente é ser sensitivo cara! Não tem como não ser. A gente não aguenta aí dança.  Eu danço porquê senão eu morro doente. E morrer doente estraga as raízes! Porque a vida já não é tão pequena... e lá no fundo algo te late, ou como me seria: meu elefante LATE! GRITA! LATE! GRITA! LATE! Esses dias eu disse adeus a mim. Disse a mim mesma que me libertaria de toda defesa que pudesse atravancar o amor. Não estou de acordo com sua covardia, porque o amor que correr pelas ruas, que pular catracas, quer gritar pra quem quiser ouvir, que brincar de subir em árvores, quer descansar debaixo de uma árvore fresca, que correr com fé em direção ao mar, CORRER COMO UM ELEFANTE FEROZ EM DIREÇÃO AO MAR! SER ONDA INTENSA NUMA QUEDA LIVRE! Meu deus como pude ter me silenciado tanto, me enganado tanto, me matando tanto! Doente. CHEGA! CHEGA! CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Porque o mar é queda mais doce que pode existir. É a queda livre dos abacates do meu jardim, eles caem pra se molharem no mar! Caem porque não se aguentam mais e se libertam! Caem porque AMANHÃ RECOMEÇO! 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

receita para arrancar poemas presos

A maioria das doenças que as pessoas têm
São poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras
calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima
Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.
Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.
Eu venho do espírito santo
Eu sou do espírito santo
Trago a Vitória do espírito santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.

Viviane Mosé

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

galope rasante

e surge o entendimento do não pertencimento. o desajuste. o desencaixe. eu não pertenço a nada que não seja a mim. me pertenço e já não sei se me pertenço. cansada disso que mora em mim e que  não tem nome. é uma dor que carrego, que nasce todos os dias. que transformo em alegria, que só sei que tá aqui dentro como um elefante a andar pela cidade. cansada dessa dor que também é meu alimento pra vida, que é a cor da minha alegria. cansada sim, mas não me desisto. me curo das setes quedas. quero me levantar. cansaço de entender a lógica. eu quero só ser. mas não. eu sou um gerúndio. uma criança que guarda na profundeza do seu abismo uma esperança. esperança é um nome bonito, mas preciso ter cuidado com ela. ás vezes acho que tenho esperança demais. sonho demais. me aguardo demais nas profundezas de mim. não sei se isso me faz tão bem. não faz, não fez. esperar um amor que sempre parte sem silêncio não faz tão bem. estou confusa com esse amor que me rasgou inteira, que me faz acordar pela manhã tendo esperança de viver, de olhar pro céu e morrer de amor. me rouba o pensamento por alguns segundos em parte do dia. eu tento controlar e já estou falando desse amor que preciso dizer adeus. e nem sei se tenho, ou sim tenho. se me envergonho desse sentir. essa vontade de mandar mais um carta dizendo estou partindo, estou rompendo de amor, estou indo a teu encontro em cumuruxatiba. 

domingo, 5 de outubro de 2014

vai


mas "óh", não é papo de luz no fim do túnel
e o caralho.
nem atalho pra felicidade.
é só o chiclete da dor que masco até perder o gosto
e então cuspir e dizer:
- já vai tarde!

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"o que vemos só vale - só vive em nossos olhos pelo que nos olha".

o caminho é longo e a vida é breve. a vida é breve e surge uma coragem desmedida em mim. um cavalo no meu peito correndo em direção ao mar. olha a vida e quer molhar o corpo inteiro no mar das incertezas. um paradoxo, uma coragem de viver na intensidade do amor que me rouba do tempo. que me rouba de mim e me perco.
o tempo que cura a dor e transforma em pulso a vida. batimentos cardíacos sem categorias.
descobri que a caminhada se faz a pé mesmo, passando por todos os tipos de terrenos. e quanto mais me encaminho a mim mais posso sair dos meus castelos. sair pra passear, ver, olhar, sentir, respirar, silenciar. 
os tijolos eu vou derrubando pra construir outros caminhos. caminho de árvores me parecem mais vivos que tijolos e muros de pele. 
nunca fui covarde em andar pela vida. se tive medo fui com ele. a entrega talvez não tenha sido tão plena, mas talvez não fosse o momento naquele processo.
e não é à toa que se tem uma vida pra viver. se bem que não acredito em apenas em uma. a vida é um dos mistérios mais divinos que pode existir. é lindo isso. não tenho palavras, mas tenho sentimentos pulsando em mim. se eu pudesse dançar isso por meio dessas palavras, talvez alguém enxergaria.
a minha jornada foi feita de encontros e de fugas. agora nesse tempo de mudanças e trovoadas vindo da vida  não preciso mais fugir. me tornei pra mim um encontro vasto. um risco de querer me conhecer a cada em encontro. de me abandonar e voltar a mim. de ir no outro mesmo com avalanches e redemoinhos internas. tenho aprendido a ter mais calma. calma de um bebê recém-nascido conhecendo a vida.
curioso que nessa busca de liberdade tive que conquistar minha  solidão primeiro. conquistar minha solitude dançando e tendo medo. o medo que me impulsionou para o abismo. eu sempre me joguei em abismos, vou fundo. quando vejo já estou estatelada no chão como um abacate que cai na seca. abacates se lançam do alto como quem se lançam na morte querendo nascer. eles se jogam pra se perder na terra. "... tem força suficiente para admitir que quando não mais se aguenta... tomba... quando não suporta cai, desapega, desgruda, em queda livre, ponto em risco até a semente..."
o bom da vida é se perder. abraçar seus monstros e anjos. olhar pra vida com olhos de criança. porque a realidade é uma das piores ditaduras que pode existir.
quero antes de tudo agradecer a vida pelos sinais de amor que sempre existiu. pela delicadeza que sou agora pra ter calma de viver. agradecer pelo engajamento de vida que sempre existiu e que agora e percebido com mais intensidade. obrigada pela abertura para outro. e não é fácil. nunca foi.
melhor que a solitude de se ser é caminhar a pé com outros. somos. não estou mais sozinha, pois percebo que a coragem e a covardia é um jogo que se joga a cada instante do viver.  

sábado, 20 de setembro de 2014

é sonho-segredo, não é segredo.

manoel de barros-me diz, nesse sábado tão quente. 
(...)não aguento ser apenas
um sujeito que abre
portas, que puxa
válvulas, que olha o
relógio, que compra pão
às 6 da tarde, que vai
lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
perdoai. mas eu
preciso ser outros.
eu penso
renovar o homem
usando borboletas.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

será que eu suplico e fico a sua espera, ou me despedaço e faço esse amor morrer

pra dizer adeus a toda defesa que pode existir

sonhei com você
novamente uma visita efêmera
tentei te dizer abafada pelos teus beijos
quase não resisti
o sonho acabou, toda dor de perdas
toda magoa viajou pra lugar nenhum
não tem mais endereço em mim
sonhei contigo pra dizer adeus
meu grande amor
se o amor ainda quiser a gente
ele vai nos dizer
hoje digo adeus pelo direito de ir e vir
e eu não sei onde isso vai dar
pois não mando no querer

adeus

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Manifesto pela ocupação amorosa dos corações vazios

"E de agora em diante, fica estabelecido que todos os corações vazios, mal amados, partidos, abandonados ou tão somente subutilizados serão pacífica e amorosamente invadidos e ocupados pelo amor em todas as suas formas.
Sem paus e pedras e enxadas, mas com flores e música e presentes e simples declarações de apreço e cuidado, o amor tomará posse irrevogável de todo e qualquer coração devoluto. Banqueiros e bancários, construtores e operários, empresários, professores, artistas de rua, profissionais de toda sorte, adultos e crianças e velhinhos, todas as almas solitárias deste mundo! Preparem-se para ceder sem luta à chegada implacável do amor às terras férteis de seus corações.
Abram seus portões, escancarem as portas, liberem as janelas, prendam os cachorros e preparem a casa à visita permanente do amor operário, trabalhador, corajoso e simples. Ele vai chegar sem slogans ou passeatas, sem discursos, gritos de guerra ou enfrentamentos com a polícia. Vai surgir na hora mais silenciosa da noite, deitar ao seu lado e acordar com você na hora de ir ao trabalho, como se ali estivesse desde sempre.
O amor vai chegar assim, de manso, mas com o passo forte e a potência de um jato varrendo a craca dos rancores, a sujeira grossa dos maus pensamentos, a gordura acumulada das chateações diárias, da burrice, da inveja, da grosseria. Virá com a força mesma da vida, desobstruindo os canais da memória entupidos de morte. Virá alegre como o cão que reencontra o dono depois da eternidade de um dia inteiro sozinho em casa, à espera.
E então as preocupações ordinárias e mesquinhas farão as malas e deixarão os corações livres para viver em absoluto estado de ocupação plena pelas intenções e ações de um amor generoso, diário e vital.
Esse amor que acorda cedo e faz ginástica, que parece tão mais jovem do que de fato é, esse amor vai pintar as paredes da casa, mudar a posição dos móveis, vai matar a sede e a fome que restam, soltar os passarinhos de suas gaiolas ridículas, vai cuidar da horta no quintal e presentear os vizinhos com as verduras frescas. Esse amor vai florescer e perdurar e se esparramar pelas redondezas. Vai levar ao passeio diário os cachorros que vivem dentro de cada um de nós. Esse amor vai invadir em paz a nossa vida tão talhada para a guerra.
E quando as forças armadas de um coração já machucado se levantarem em defesa natural de sua estrutura, em puro e simples movimento de autopreservação, o amor estenderá sua mão pequena e linda, de unhas roídas e sem nenhum esmalte, e todas as armas cairão em silêncio. Então esse coração abrirá suas fronteiras à chegada irrefreável do encantamento amoroso e total, explosão de energia que nos leva ao encontro de quem somos, nos resgata da morte e nos devolve, sãos e salvos, à vida que é hoje, amanhã e depois um longo e eterno agora."

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

tenho um sonho em minhas mãos.


acordei com a cara inchada de lágrimas e com vergonha filha do ódio. eu sabia que iria acordar assim pela manhã. mas foi preciso expurgar aquela dor que não era ódio. eu não sou ódio. eu sou amor e a cada dia afirmo isso em mim. afirmo o  amor pra me entregar sem medos. e se não foi possível essa abertura com você eu resisto a seguir. a recomeçar. a não ter tantos segredos.
e que só nos encontros eu aprendo. e com sua visita aprendi muito. mas não tem desespero não. mas não tem revolta não. eu só quero que você se encontre. saudade até que é bom é melhor que caminhar vazio. a esperança é um dom que eu tenho em mim, eu tenho sim. não tem desespero não. você me ensinou milhões de coisas. tenho um sonho em minhas mãos. amanhã será um novo dia. certamente eu vou ser mais feliz. certamente caetano não vai se incomodar de tal plágio. 
desculpa. 

domingo, 24 de agosto de 2014

ainda pulsa



olho para trás e a dor é menor. talvez o pequeno nem seja a questão. talvez o meu aquário se expandiu pra além de mim. de mim narciso. e aí a visão e mergulho tornar-se mais profunda. é assim que me é no momento. e aí começo a ver o que de infinito existe e posso serestar. 
olho porque o sofrimento existe e não preciso mais esconder as marcas do meu corpo. sou essa marca de tempo e experiência, um abraço de amor apesar das perdas.
o sofrimento esse eterno sentimento vicioso ganhando outras formas em meu ser não é mais o mesmo.
o menino sofrimento vem dançando leve. leve. leve. acorda de manhã com um olhar calmo que tateia a janela, bisbilhotei as folhas laranjas. respira o vento norte. acorda em brasília querendo o mundo cósmico.  
minha cabeça trovoa com olhar de movimento e falo mansinho pro menino sofrimento: calma, calma, calma. segue em frente que o amor não morre assim de perdas. na verdade ele só aumenta ainda mais em meu peito. ainda pulsa, graças as nuvens que amo com o mesmo efeito de entrega. 
eu não desisto
eu resisto
eu me refaço
me desfaço
me refaço
me movimento
me invento no presente
me giro
me deixo ir
me morro
me abismo
me nasço na manhã seguinte
me choro pra curar as dores nos músculos 
me grito
me silêncio
me deixo amor serestar.
eu resisto porque o amor é um tambor que dança em meu peito
eu resisto porque o sofrimento não me parece mais um sofrimento sem fim.
ele é um bom movimento a sacudir as defesas que ainda possa existir.