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domingo, 30 de junho de 2013

urdimento

eu não sei se eu me lembro de algo que aconteceu comigo
ou se eu me lembro de algo que eu inventei

eu nasci num quarto sem reboco
com uma porta de lençol grudada com dois pregos
eu nasci de parto normal pelas mãos de uma parteira
doze anos depois eu voltei pro lugar
de onde eu havia nascido
onde eu nasci só tem dois caminhos
um que vai para frente
e outro que vai para trás.

domingo, 28 de abril de 2013


eu estou andando pela rua num estranhamento vertiginoso, eu me observo do auto. meu rosto cansado é puro desinteresse, meu olhar está ausente-presente.  vou e não quero chegar, chego e preciso partir, volto e começo tudo de novo. eu ando de cabeça pra baixo porque meus cabelos limpam o chão. meu olhar é estéreo, sem raiz profunda. eu esterilizo quem passa por mim, e mesmo assim sou capaz observar um balançar de quadril. observo olhares interessados na minha inquietude, eu caminho e me sinto nua. a cidade me deixa toda nua, revela minha fragilidade. a cidade é anuncio que aponta nas paredes no chão o que preciso ouvir. vez outro capto um instante, uma menina acabou de ligar para amiga,  a loja de lanches chama o cliente pelo nome, Flávio pega seu hambúrguer de frango, um telefone toca, o carro acende o farol, o chão entra em atrito e range. e amanha começa tudo de novo.  

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Uma Oração, Jorge Luis Borges

"Minha boca pronunciou e pronunciará, milhares de vezes e nos dois idiomas que me são íntimos, o pai-nosso, mas só em parte o entendo. Hoje de manhã, dia primeiro de julho de 1969, quero tentar uma oração que seja pessoal, não herdada. Sei que se trata de uma tarefa que exige uma sinceridade mais que humana. É evidente, em primeiro lugar, que me está vedado pedir. Pedir que não anoiteçam meus olhos seria loucura; sei de milhares de pessoas que vêem e que não são particularmente felizes, justas ou sábias. O processo do tempo é uma trama de efeitos e causas, de sorte que pedir qualquer mercê, por ínfima que seja, é pedir que se rompa um elo dessa trama de ferro, é pedir que já se tenha rompido. Ninguém merece tal milagre. Não posso suplicar que meus erros me sejam perdoados; o perdão é um ato alheio e só eu posso salvar-me. O perdão purifica o ofendido, não o ofensor, a quem quase não afeta. A liberdade de meu arbítrio é talvez ilusória, mas posso dar ou sonhar que dou. Posso dar a coragem, que não tenho; posso dar a esperança, que não está em mim; posso ensinar a vontade de aprender o que pouco sei ou entrevejo. Quero ser lembrado menos como poeta que como amigo; que alguém repita uma cadência de Dunbar ou de Frost ou do homem que viu à meia-noite a árvore que sangra, a Cruz, e pense que pela primeira vez a ouviu de meus lábios. O restante não me importa; espero que o esquecimento não demore. Desconhecemos os desígnios do universo, mas sabemos que raciocinar com lucidez e agir com justiça é ajudar esses desígnios, que não nos serão revelados.
Quero morrer completamente; quero morrer com este companheiro, meu corpo."


Uma Oração. Do livro Elogio da Sombra, de Jorge Luis Borges


fragmento de um livro que ainda não li que Marcos me indicou.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011


eu enquanto me aproprio de Camila
eu enquanto nada sei
eu enquanto não faço escolhas
eu enquanto dureza, pedra lascada
eu enquanto ouço a mesma música repetitivamente
eu enquanto espero, espero, espero o ônibus lotado do Arapongas
eu enquanto acordo cedo pra pegar novamente um ônibus lotado
eu enquanto amo cantora brasileiras
eu enquanto queria me casar com Pina Baush, Clarice Lispector, 
Cibelle, Adriana Calcanhotto, Thiago Pethi, Cícero...
eu enquanto queria me casar com Maria Bethânia, Chico Buarque
eu enquanto amo a lua, os ipês amarelos, rosas, brancos
eu enquanto quero sumir daqui
eu enquanto escrota
eu enquanto Clarice Lispector
eu enquanto perco meu tempo com coisas desimportantes
eu enquanto cretina
eu enquanto tenho um coração de manteiga
eu enquanto falo em fazer e não faço
eu enquanto me apaixono
eu enquanto não demonstro amor
eu enquanto grossa
eu enquanto amor
eu enquanto solidão
eu enquanto tristeza
eu enquanto capricorniana
eu enquanto não namoro ninguém
eu enquanto fico pra titia
eu enquanto me encorajo
eu enquanto tenho medo
eu enquanto atriz
eu enquanto me arrisco a dançar
eu enquanto queria tacar um foda-se em tudo e todos
eu enquanto queria ser escritora
eu enquanto não posso ser o que se espera
eu enquanto expectativas
eu enquanto conheci Nicolas Behr pela Camila
eu enquanto fico puta com a Camila
eu enquanto amo a Camila
eu enquanto não me dou bem com minha família
eu enquanto quero fugir de mim
eu enquanto não posso fugir de mim
eu enquanto não me movo de mim
eu enquanto vazio, silêncio, escarcéu
eu enquanto finjo não te querer mais
eu enquanto queria ser natureza
eu enquanto tenho medo do bicho homem
eu enquanto virgem
eu enquanto não me toco
eu enquanto tenho medo do futuro
eu enquanto não quero fazer nada
eu enquanto quero matar um
eu enquanto quero ser ácida como Hilda Hilist
eu enquanto socrática, existencialista, sonhadora, nada
eu enquanto quero ter dinheiro
eu enquanto quero dá uma vida melhor pra minha família
eu enquanto não tenho quarto, cama, sofá, luz
eu enquanto não quero nada dizer
eu enquanto não sei parar com isso
eu enquanto quero um amor de verdade
eu enquanto queria ter uma câmera fotográfica
eu enquanto vergonha
eu enquanto não acredito em mim
eu enquanto não acredito que tô fazendo isso
eu enquanto escrevo palavras tortas
eu enquanto erro conjugações, verbos, concordâncias
eu enquanto morro todos os dias um pouco
eu enquanto assimilo o mundo
eu enquanto tenho saudade
eu enquanto mãe da minha irmã
eu enquanto pago minhas contas
eu enquanto compro presentes
eu enquanto morro na praia
eu enquanto sou saudade de ilha
eu enquanto sou outras tantas em mim
eu enquanto não me reconheço e era isso que eu queria
eu enquanto tenho um desejo cravado na carne
eu enquanto sexo, seios, mulheres, homens, menstruações
eu enquanto quero fazer sexo
eu enquanto amo a alma e não o sexo
eu enquanto não tenho paciência
eu enquanto, enquanto ainda não tenho fim
eu enquanto piauiense, planaltinense, brasiliense, brasileira fudida, calanga do cerrado
eu enquanto faço longas viagens em pensamento
eu enquanto durmo no ônibus
eu enquanto punk da periferia, latina Americana Lusa em pó
eu enquanto filha, irmã, amiga, nada, bucólica
eu enquanto vadia
eu enquanto filha da mãe
eu enquanto filha da puta
eu enquanto tenho que dormir agora
eu enquando soy clandestina
eu enquanto vertigem, versos rasgados, promessa
eu enquanto pedaço
eu enquanto escrevo de noite
eu enquanto quero beijar
eu enquanto só quero beijar
eu enquanto chovo
eu enquanto avesso, transverso, gordura trans
eu enquanto poesia, música, teatro, cinema, arte de meandrar, efêmera
eu enquanto como gelo
eu enquanto não aguento mais
eu enquanto me reconstruo
eu enquanto, enquanto espero amor
eu enquanto itinerante, dormentes
eu enquanto vago
eu enquanto, enquanto
eu enquanto por enquanto  

terça-feira, 22 de março de 2011

Hoje me senti produtiva, depois de muito tempo.
A felicidade realmente existe nas pequenas coisas.
Perdi uma aula, nem sei por que, aproveitei pra ler um artigo sobre autoralidade, grupo e encenação. Um artigo muito bom da Roseane Trotta. Tô lendo agora um livro bem complexo, que tô penando, Uma casa na escuridão do José Luis Peixoto.
Adoro me apaixonar por pessoas admiráveis. Minha professora de métodos qualitativos é apaixonante. Ela ama o que faz e passa isso em seu olhar. Tô sentido que esse ano, vou produzir, botar a criatividade pra funcionar e sair da zona cinza.
À bientôt. 

domingo, 20 de março de 2011

1. Janela 2. Animal interior

1- Abri a janela e não havia horizonte algum na paisagem. Forcei o olhar e, no mais profundo de mim, vi espelhos quebrados... É o que sou: espelho quebrados...
Os cacos refletem a linha da minha paisagem... despedaçada! Fecho as janelas para sonhar  que ainda haja um horizonte distante a se alcançar. 
Eu quero o mar onde eu possa me perder em mim, onde eu possa ser aquilo que não fui, quero poder abrir os olhos e inserir na minha paisagem um sonho bom.
Será como uma grande onda, invadirá meu peito, encharcando as memórias, derrubando as paredes, lavando as vidraças, afogando as inspirações não expiradas.
Quero a urgência de um rio, aquele que não pergunta se pode passar, que não olha para trás e carrega todo o peso da margem em sua correnteza: móveis velhos, roupas puídas, insetos mortos, escombros da casa que mando agora pelos ares.


2- No meu ser habita um animal feroz que não tem forma, é feito de silêncios. Seu rugido é tão implacável, tão absurdo, tão afiado que, ao sair de sua garganta, fazendo vibrar as grades da minha pele, cala todos os sons do mundo... até que não haja mais porque dizer. me recolho em silêncios múltiplos, em amarras e remorsos múltiplos. 
Fujo pra não causar comoção, fujo da batucada dos meus silêncios.
No meu ser habita um animal ferido de tanto se debater na jaula que lhe construí: feriu um olho, quebrou as presas, perdeu as garras e a vontade de rugir. 
Ficou solitário...
A perda da vontade é irmã da morte...
Somente se prestar muita atenção é possível ouvi-lo deitado no tapete atrás da porta da minha boca gemendo baixinho... Num arrepio sutil, ele suspira baixinho... É um breve grito, um último suspiro.
No meu ser não habita mais animal algum, apenas fantasmas de uma sede antigamente mortal, de uma fome antigamente normal, de uma esperança que nunca foi do animal, mas do menino.

Eu e Dagô Cardô.

Quero os opostos

Na minha cabeça, sinto que há mil pessoas gritando. Mas por fora, sempre tive esse ar de durona. Por dentro, sinto que tenho múltiplos enfartos no miocárdio. Na minha cabeça, não tenho medo do mundo. Fora da minha cabeça falta coragem, sobram amarras. No mais profundo dos meus pensamentos, eu ainda acredito em uma felicidade. Eu acredito que talvez possa aportar uma felicidade desvairada em meu peito. Mas venho pensando, que essa história de felicidade-para-sempre, talvez não exista... Eu quero o oposto da solidão. Quero o oposto da dor. Quero os opostos.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Não consigo escrever o que estou sentindo nos últimos dias. Até sem bem dessas variantes, mas transpor problemas em linhas retas é um saco. Eu que tanto me exponho em linhas, faço esforço absurdo pra entender a causa da minha dor. Escrever não é um habito é uma necessidade. Escrevendo posso ser maior do que sou. Ás vezes bate um vazio e as palavras escorrem de mim como um rio feroz. É mais fácil escrever do que falar, mesmo agora, que minhas amigas palavras fogem de mim. 
... eu não sei dizer sei foi melhor assim. É certo, que perderei todas as canções guardadas por anos na gaveta, os rascunhos de cartas. Talvez fosse melhor assim, do contrario não estaria aqui escrevendo nesse papel velho que sobrou. Fazia tempo que eu não tirava um tempinho pra arrumar as gavetas, as coisas bobas e tolas que você deixou. Não estou triste com o fim, pois o tempo é um amigo precioso. Ele se encarregará de cuidar de mim nesses próximos dias. Ainda resta um pouco de bagunça na cama que estou arrumando com calma. O sono e o descanso também são amigos preciosos. Mudo de página hoje, escrevei outras histórias. A gente fica vivendo no caos e acaba confundido com felicidade. Confesso que sinto imensa curiosidade de saber do dia de amanhã. 

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Eu vi... pois é, eu reparei

A efemeridade anda comendo o mundo, digo, a mim. Tá tudo tão corrido, pessoas vão e vem, vem e vão num arrepio sutil. Janeiro foi efêmero, passou como um clarão em minha vida. Me pego pensando: acorda Marcia as coisas vêm e vão, o tempo segue seu fluxo. Então, não se comova mais. Vai acertar pedras, vai desajuizar seu juízo, seus princípios. Vai criança, vai exercitar o desapego.
Ficar em casa me causa um grande desespero. Como pode isso? É aonde me encontro mais triste. Meus laços familiares são bem desgastados. As velhas vozes me aconselham: “tudo vai ficar bem. Só não sei se vou ficar também”. Não fui capaz de retribuir um abraço materno, não fui capaz de assistir um filme fraterno. Vejo minha tia pelo arame, peço bênção por obrigação. Tenho uma prima a dois passos de mim e só consigo ficar em silencio perto dela. É desesperador o silencio familiar. Minha mãe sonha ganhar um bolo de aniversário. No último aniversário dela eu me esqueci de seu dia.   Olha só que filha da puta eu sou. Esse ano ela se esqueceu do meu, acho justo, eu esqueci o dela também. Mas no final do dia não sei como ela se lembrou e me senti ainda mais culpada e sem jeito. De comemoração ganhei uma salada espedaçada da minha irmãzinha com pedaços enormes de tomates, alfaces, e mangas verdes de acompanhamento. Eu juro pra mim mesma que não serei mais tão filha da puta. Próximo ano tomo jeito e faço um bolo de aniversário pra minha mãe. Mas penso que é melhor peneirar algumas atitudes pra agora enquanto tenho tempo. 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Leve desespero

ando assim sem jeito
leve desespero
vou dormir mais cedo
pra não ter que viajar
contar carneiros
vou desistir de dormir
vou sair pela janela
descer silenciosamente o muro
vou sair pelo jardim da vizinha
encontrar um deserto sem dor
vou beber, comer, mastigar, deglutir
preencher o vazio em que me encontro
mas ás vezes o que eu quero é não ter que fazer nada
se seu corpo ficasse marcado
se seu caso fosse qualquer caso
sem gosto com desgosto.
Escrever é como se sentir nu, com o corpo entregue a um desejo fulminante de pertencer. E, pertencendo, sou eu o objeto da escrita e não o contrário. É ela quem me cria, não sou eu o criador. 
Me vejo ameaçado pelo papel, mas meu desejo é chamado pelas palavras do meu eu guardado.
O papel que me ameaça é também o cofre de mim mesmo, e a ponta da caneta é o segredo capaz de revelar-me, de soltar os vários eus que consomem meu corpo.
Escrever, ao mesmo tempo, é como trancar-se, prender-se no papel e abandonar ao vento uma parte de si. É também pertencer, é ser, conhecer a si mesmo através das palavras extraídas do seu eu inconsciente. 
Talvez, então, a folha de papel não seja mais do que um espelho que ora se parte e quebra me expondo como realmente sou: fragmentos, cacos. 
E apesar de todas as minhas urgências no final do papel ou da minha vidinha, eu sou nada. 


Luiz e Regina
Os corpos se desnudam sob as árvores. 
Serpenteiam o dia.
São como cobras preparando o bote sobre nosso desejo. O nosso velho e monstruoso desejo camuflado.
É o monstro que ameaça a segurança debaixo da cama.
É uma urgência desmedida que desespera e que espera e que é esperança e que é desistência.
É estar de mãos dadas com a morte, mas é a morte vestida com sua roupa de vida de gala nos levando a uma grande festa.
É uma farsa, mas só você sabe da real situação, que é simplesmente deixar o desejo selvagem correr solto e devorar os corpos que se desnudam sob as árvores.

Roberto e Márcia

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Pra quê negar o que estou sentido.
Estou magoada e muito com sua indiferença.
Indiferença é quando você espera do outro algo.
Espera, espera, espera e só espera e não recebe.
Espera é quando sua bunda dói de tanto ficar sentada num banco qualquer.
Tem gente que espera um telefonema no dia do seu aniversário,
um tudo bem depois de tanto tempo sem se ver uma pessoa querida,
um parabéns mesmo que repetido.
Tem gente, como eu, que espera tanta coisa que acaba
deixando as coisas passarem na sua frente.
Outras se casam de esperar e começam a viver, como eu.
Viver é quando você respira, assim simplesmente.
Viver é ter certeza da morte, também.
Morte é o contrario de viver, ou seja, quando você para de respirar, assim simplesmente.
Tem gente que espera amar e ser amado, quando o amor não é de dois é sempre de um.
Porque o amor rima com dor, e isso não fui eu que inventei.
Não estou querendo criar uma verdade.
É por isso mesmo que não culpo quem eu amo, quem não me ligou no meu aniversário. Porque sou eu que amo, eu que ligaria pra desejar um parabéns mesmo que repetido.
Eu não posso, eu não devo culpar o outro por minhas expectativas.
Porque sou responsável por meus atos e outro não pode abarcar minhas expectativas.
Expectativa é quando você projeta um futuro que pode ser que nem aconteça.
Então, porque a magoa cisma colar no meu pensamento?

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A case of you

Definitivamente, cresce em mim um gostar, feito em noite de chuva.  De repente gosto pelo pouco, pela loucura, pela música, pela voz. De repente eu beberia você da noite para o dia, sem saber dizer o por quê. “Realmente, não tem e não precisa de palavras, só sei que eu sinto que gosto muito de você”. 

Brasíliabucolismo

Ela acordou cedo em um dia chuvoso de terça-feira. Um dia normal como outras tantas terças-feiras. Preparou-se para encarar a chuva, o vento cortante. Pegou seu guarda-chuva xadrez herdado da avó e encarou os chuviscos, tudo com um bom humor.

No caminho para escola a rua mostrava sua cara chuvosa. O mato verde crescia e cobria a cidade, parecia esconder o outro lado do horizonte. Cresci com vigor de um adolescente. Ela achou encanto e graça no mato que desafiava o homem. Ela sabia que aquela juventude toda seria podada. A cidade grande não quer mato, mato esconde e dá bichos.

Na volta pra casa, estava feito, não havia mais mato verde, não havia mais tapete verde. O que se sentia era o cheiro de mato cortado, sangue. Sentiu uma falta, sentiu bucolismo, sentiu uma perda, sentiu uma vontade crescente de campo. 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Palavras sem relações ou sim vão saber.
...
Tão pouco tive do seu beijo
é pecado pedir mais um pouco?
...
Vou dizer uma coisa. Não pedi pra nascer capricorniana. Que culpo tenho eu se nasci uma capricorniana. Tô de saco cheio de me dizerem quem sou por ser uma. Até pouco tempo nem sabia das características do meu signo. Admito que características capricornianas me pertençam. Porra. Sou capricorniana, mas não pedi pra ser. Isso não quer dizer que eu repudio a mim mesma por isso. Essa irritação toda não é sobre ser capricorniana é está de saco cheio de me dizerem quem sou só por causa do meu signo. Pô, me conhece primeiro.
...
Projeção é quando a vontade passeia num futuro inexistente no presente.
...
Eu sei falar
Eu sei escrever
Eu sei amar
Eu sei, sei que sei
...
Pequenas esperanças existem, de tão pequenas morrem.

Segue a Chuva

Lá fora a chuva cai.
Aqui dentro a casa segue o mesmo ritmo.
Gotas que desfaz uma não história...
Casa velha feita sobre outra remexida, corroída.
A parede chora, os baldes denunciam, não contem.
Durmo com goteiras na cabeça... pingam o meu sossego.
Empilho as memórias que não suportam tantas lágrimas de São Pedro.
Enquanto corpo é banhado escrevo, depois rasgo.