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segunda-feira, 21 de maio de 2018

a dor é uma possibilidade muito rica 
se sente tanto que o coração aquece
o ar fica rarefeito 
os olhos se transformam em mar.
o sentir é tanto e parece, 
no meu caso, 
que vou virar nuvem
vou virar pó. 

sábado, 12 de maio de 2018

˝Não mais penso,
Nem sei se existo.
Acho que me perdi dentre sinapses convulsas, congestionadas.
Meu cérebro me expulsou, me cuspiu.
Sou mente errante.
Minhas lembranças esvoaçaram. Fiquei sem chão. Sem o chão da minha história.
Vivo de estórias instantâneas feito leite em pó.
Queria querer me encontrar, mas não sei mais querer.
Queria espelhos íntegros pra me ver.
Queria poder voltar, mas não sei pra onde.
Queria ir pra frente, mas não sei pra onde.
Sinto-me em abandono, apesar de não qualificar abandono.
Estou num estado. Estou sem ser.
Tudo que vejo tenta me fecundar. Mas sinto ser estéril.
Não sei por que, só sei que quero vestir alguém. Experimentar alguém.
Quero um encaixe. Quero uma forma. Uma forma que me dê forma.
Sinto dores. Por todos os lados, sinto dores. Acima, abaixo, dos lados.
Ah, se fossem dentro, essas dores seriam um caminho pra mim.
Quero uma chance.
Você, quem sabe você. Você é minha chance.
Me acorde, me acorde.
Me tire daqui, ou daí, ou dali.
Se puder, rasgue meu tempo, me encontre.
Só quero voltar a existir.˝

autor@ desconhecido ou poderia ser eu. 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"Escrevo-te com a veia aberta pulsando larga, dessa raridade que tu mesmo tem, do horizonte aberto, dessa palpitez do instante, o sufoco que desemboca no riso. A realidade do cérebro atualizada diariamente sem ter porque, burla-nos , se distrai, solidifica, comporta, realiza os repetidos enredos. Que o corpo da agora não pense na impossibilidade, que o corpo não pense, que o corpo se vá distraidamente no sendo. Se a natureza comporta essas dicas hospitalares, essa assepsia virtuosa da sobrevida, essas engrenagens que perfuram os tantos lugares de conquistas, não te baste sólido, nem muitos menos indigesto, crie na largura que existe e insiste, a entrega. E não é um pedido de morte, nem muitos menos um subterfugio da caridade momentânea e do egoísmo do sofrer. Requebra no tecido que se tem a curvatura monumental de uma nova articulação. Noturnas são as teias das entregas, o desgaste vem daquele que insiste no mesmo, é de vida que se tem- e muita- para poder morrer. Dedilho com os dedos do presente, o presente que me deu outrora. Berro de mundo que não quero, arranhando a garganta em desespero, de nada adianta, mas um canto ainda te mando em exagero. A confusão em desord.em, os cumes de apego, é de uma outra extratosfera a correspondecia cognitiva, é de um outro sentido a virtuosidade da razão. Frágil, obviamente, desconhecidos de um sistema espetacular de galáxias e sinapses em órbita do delírio. Ontem vi o encontro de duas galáxias, falo aqui em encontro porque é colisão. Ninguém se aproxima distraído, pacato e complacente, a beleza embrionária do choque cria a natureza necessária da tensão. Como dois rabos gigantes, recurvando-se sobre si mesmo, aderindo-se em espiraloso contato, convergendo a gravidade em dissipação. As galáxias, tão vagas para a nossa numerológica precisão, desatinam-se inteiras, curvam-se, recobrem-se para haver movimento, se saudam em explosão. Desse existir pleno e jogado, arremessado naquele teu largo horizonte, recoberto de nuvens, remexido inteiro em poeira, aberto ao todo momentâneo, carregamos a galáxia inteira e não notamos. E nessa suspensão dormente que, de maneira ou de outra, me encharcaria os olhos, relevo a condição necessária da vida, tão bem saudada, disposta, tratada como o inquilino sobrevivente, do avanço do verme cientifico, da cara disposta em normalidade de enredo. Sabemos que ter uma vida é diferente de se-la no infinito universo em que possa .Cria, cria com o sistema abatido, com a fragilidade exposta, no meio dessa tonalidade imposta, a obra última de partida. O medo desse ato é medo de viver, e pensamos: mas do que nos importa a vida!"

carta da carol barreiro para o vô.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"a fé corre, a razão fala, a emoção tomba, o medo se protege, a verdade late. corra! corra! corra!"

O que eu sou... eu sou... eu sou um abacate estatelado no chão. É que quando eu olho de frente pro meu elefante a gente diz adeus. Adeus! E nós jogamos no abismo da vida! Caímos juntos, numa queda livre. Damos as mãos e do alto GRITAMOS: EU TE LIBERTO! EU TE AMO, EU TE AMO! PODE CAIR PROFUNDO EM DIREÇÃO AO AMOR. CAI SEM MEDO, SE POSSÍVEL FOR DANCE ESSA DOR. ESSA LÁGRIMA PRECISA SE TRANSFORMAR! Na frente da minha janela tem pé de abacate, e ele me ensina de tempos em tempos, de caídas e caídas que a vida é assim. É assim mesmo. Só depende dos teus impulsos a queda livre. Não tem para onde fugir. A gente foge porque ainda tem medo, tem um cachorro latindo alto dentro da gente. A gente pode não ver, mas uma hora isso se fará tão presente como um abacate que caí. A gente sente muito! Muito tudo, tudo e tanto! A gente sente muito a vida rasgando a pele da gente, perfurando as camadas, a gente é ser sensitivo cara! Não tem como não ser. A gente não aguenta aí dança.  Eu danço porquê senão eu morro doente. E morrer doente estraga as raízes! Porque a vida já não é tão pequena... e lá no fundo algo te late, ou como me seria: meu elefante LATE! GRITA! LATE! GRITA! LATE! Esses dias eu disse adeus a mim. Disse a mim mesma que me libertaria de toda defesa que pudesse atravancar o amor. Não estou de acordo com sua covardia, porque o amor que correr pelas ruas, que pular catracas, quer gritar pra quem quiser ouvir, que brincar de subir em árvores, quer descansar debaixo de uma árvore fresca, que correr com fé em direção ao mar, CORRER COMO UM ELEFANTE FEROZ EM DIREÇÃO AO MAR! SER ONDA INTENSA NUMA QUEDA LIVRE! Meu deus como pude ter me silenciado tanto, me enganado tanto, me matando tanto! Doente. CHEGA! CHEGA! CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Porque o mar é queda mais doce que pode existir. É a queda livre dos abacates do meu jardim, eles caem pra se molharem no mar! Caem porque não se aguentam mais e se libertam! Caem porque AMANHÃ RECOMEÇO! 

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

receita para arrancar poemas presos

A maioria das doenças que as pessoas têm
São poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras
calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima
Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.
Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.
Eu venho do espírito santo
Eu sou do espírito santo
Trago a Vitória do espírito santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.

Viviane Mosé

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

galope rasante

e surge o entendimento do não pertencimento. o desajuste. o desencaixe. eu não pertenço a nada que não seja a mim. me pertenço e já não sei se me pertenço. cansada disso que mora em mim e que  não tem nome. é uma dor que carrego, que nasce todos os dias. que transformo em alegria, que só sei que tá aqui dentro como um elefante a andar pela cidade. cansada dessa dor que também é meu alimento pra vida, que é a cor da minha alegria. cansada sim, mas não me desisto. me curo das setes quedas. quero me levantar. cansaço de entender a lógica. eu quero só ser. mas não. eu sou um gerúndio. uma criança que guarda na profundeza do seu abismo uma esperança. esperança é um nome bonito, mas preciso ter cuidado com ela. ás vezes acho que tenho esperança demais. sonho demais. me aguardo demais nas profundezas de mim. não sei se isso me faz tão bem. não faz, não fez. esperar um amor que sempre parte sem silêncio não faz tão bem. estou confusa com esse amor que me rasgou inteira, que me faz acordar pela manhã tendo esperança de viver, de olhar pro céu e morrer de amor. me rouba o pensamento por alguns segundos em parte do dia. eu tento controlar e já estou falando desse amor que preciso dizer adeus. e nem sei se tenho, ou sim tenho. se me envergonho desse sentir. essa vontade de mandar mais um carta dizendo estou partindo, estou rompendo de amor, estou indo a teu encontro em cumuruxatiba. 

domingo, 5 de outubro de 2014

vai


mas "óh", não é papo de luz no fim do túnel
e o caralho.
nem atalho pra felicidade.
é só o chiclete da dor que masco até perder o gosto
e então cuspir e dizer:
- já vai tarde!

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

empoderamento



como eu amo a vida. é uma espécie de mágica. é uma dança que me desloca pra dentro e fora de mim. é um instante pequeno e gentil de entrega. e só basta eu ficar atenta, forte, com um olhar amplo, generoso e vivo. é preciso viver com coragem a cada instante único que se pode ser pleno. é preciso se entregar. hoje tenho dimensão desse amor, das oportunidades que ela me oferece. e como são tantos os sinais no caminho. antes eu tinha medo, era cega e não via seu emaranhado do todo que nos une. um elo. eu só quero agradecer a ela, pelo inúmeros presentes no caminho, que vão desde encontros com pessoas preciosas e abacates estatelados no chão, ipês amarelos feito algodão doce, nuvens no céu, eu indo ao encontro de um grande amor. um grande amor que nunca morre. e se morre é pra nascer diferente. transformado.  re-curso de um rio. vivo. obrigado por tudo, vida!obrigado pelo entendimento do desatar nós, do desatar defesas do meu coração, essa dureza imposta que agora posso transformar. amo você vida! amo tudo isso e tô aqui com coragem pra viver. pra ficar descabelada e assanhada de querendo toda em mim. 

domingo, 24 de agosto de 2014

ainda pulsa



olho para trás e a dor é menor. talvez o pequeno nem seja a questão. talvez o meu aquário se expandiu pra além de mim. de mim narciso. e aí a visão e mergulho tornar-se mais profunda. é assim que me é no momento. e aí começo a ver o que de infinito existe e posso serestar. 
olho porque o sofrimento existe e não preciso mais esconder as marcas do meu corpo. sou essa marca de tempo e experiência, um abraço de amor apesar das perdas.
o sofrimento esse eterno sentimento vicioso ganhando outras formas em meu ser não é mais o mesmo.
o menino sofrimento vem dançando leve. leve. leve. acorda de manhã com um olhar calmo que tateia a janela, bisbilhotei as folhas laranjas. respira o vento norte. acorda em brasília querendo o mundo cósmico.  
minha cabeça trovoa com olhar de movimento e falo mansinho pro menino sofrimento: calma, calma, calma. segue em frente que o amor não morre assim de perdas. na verdade ele só aumenta ainda mais em meu peito. ainda pulsa, graças as nuvens que amo com o mesmo efeito de entrega. 
eu não desisto
eu resisto
eu me refaço
me desfaço
me refaço
me movimento
me invento no presente
me giro
me deixo ir
me morro
me abismo
me nasço na manhã seguinte
me choro pra curar as dores nos músculos 
me grito
me silêncio
me deixo amor serestar.
eu resisto porque o amor é um tambor que dança em meu peito
eu resisto porque o sofrimento não me parece mais um sofrimento sem fim.
ele é um bom movimento a sacudir as defesas que ainda possa existir.

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

choro de saudade


e não é o fim
porque meu choro dilata o corpo
e não é o fim
porque hoje é quarta feira e comemoro o amor
porque não é o fim do amor que existe em mim.

o que tenho do amor no mais palpável dos meu sonhos
é a saudade.

choro e comemoro a saudade que é grande
que me faz movimentar
resistir
crescer
morrer
renascer
pra morrer
pra um novo amor. 

quinta-feira, 14 de agosto de 2014


"Certas tristezas doem mais porque vêm com uma delicadeza infinita. É como se, no lugar do grito, apenas o seu peito espremido, mas mudo. O choro não é contido, mas a voz embargada. A lágrima fica presa na sua expressão e os olhos lânguidos, meio adoecidos, uma beleza de fragilidade na feição.

Certas tristezas são muito discretas. Seus hematomas são familiares, suas fraturas não são expostas. E, de tão explícitas, pouco se mostram. Você fica melancólica, distante, quase indiferente ao resto de tudo. Você sabe que vai passar, mas naquele momento não acredita: de tão inapetente, apenas contempla sem saborear a escuridão cobrindo o mundo. É dor que dói em silêncio sem o alvoroço da aflição: espécie de tristeza concisa.
É tristeza que dá sono, o cansaço prematuramente perdoado. A vontade de se recolher e se acolher por ter algo que nem ao menos possa ser compartilhado.
Certas tristezas vêm como a fotografia de uma árvore frondosa e solitária...
Numa paisagem bonita.
Certas tristezas grudam em nós à espera de uma boa notícia."

sexta-feira, 18 de julho de 2014

volto pra casa pra olhar nos olhinhos
a dor da minha tia da minha mãe
e saber que também sou parte desses músculos que se contraem
nesse mundo dragão que te draga
volto porque quero abraçá-las e nos transformar
parto porque a vida é uma viagem de aprendizagens.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

venho pensado sobre as escolhas, sobre as minhas escolhas. e chego no ponto de perceber que minha vida, são as escolhas que faço desde da hora de escolher ou não acordar. tenho pensado sobre o peso das escolhas de deixar de fazer uma coisa em prol de outra que me leva a outros caminhos. há sempre uma perda. e nesse instante o exercício é deixar leve minhas escolhas, principalmente, aquelas que me levam pra lugares de afastamento do outro, mas que me leva a outros.
voltando pra casa depois da aula de fundamentos da psicologia do desenvolvimento e aprendizagem (disciplina que tá me deixando doida de tantas coisas para pensar e aplicar <3), encontrei no caminho um menino que praticava violino debaixo de uma árvore. fiquei observando ele atentamente com meu olhar profundo, até eu tropeçar numa raiz grande que havia no caminho. ele percebeu e fez um gesto diferente com o rosto. a minha real vontade naquele momento era parar e ficar ouvindo ele brincar com o instrumento dele. mas passei e deixei o desejo morrer dentro de mim. pensei em voltar, muitas vez até não ouvir mais o violino dele. não voltei e me arrependi dessa escolha.

o exercício que me proponho deste evento é arriscar-me apesar da insegurança. pensando muito – é o que eu mais faço - hoje pelo caminho da aula até a copiadora, percebi que sofro de um complexo de inferioridade complexo, e isso tem determinado minhas atitudes no últimos meses. percebi que esse estado tava adormecido, pois eu tinha adquirido uma certa autonomia sobre mim. mas de uns tempos pra cá esse estado voltou. somado a insegurança (no âmbito social-emocional-político-econômico-biológico...) com o complexo de inferioridade meus dias tem se tornado terríveis dentro de mim. a minha vontade nos últimos dias é pular no abismo de vez sem sentido nenhum, finalmente rumo ao nada. 

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

conheci uma menina que falava baixo
bem pequeninho, tinha uns olhos grandes
que escondia um mar de dor
tão jovem que era parecia ter fome nos olhos
seu nome é vitória, mora na invasão da L4 norte
estuda no plano piloto,  pede um salgado
um suco de laranja pra matar a fome
que a vida lhe proporciona. 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

o tempo não é efêmero

ele sempre está de passagem.

the artist is present - marina abramovic.