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domingo, 1 de março de 2015

a vida é um oceano e a gente fica com o olhar atento pra ver baleias emergirem à superfície.

sábado, 13 de setembro de 2014

brasília não é mais a mesma



brasília é muito ampla. o que mais se escuta por aqui são os carros e os pássaros. é um exagero, eu sei. mas quando se fala de um espaço imenso onde estão as pessoas? de certo elas estão em suas vidas. é tão óbvio na sua sutileza.
ora ou outra, ora entre outra num amplo espaço, no entre eu e a seca de setembro avisto ao longe uma pessoa caminhando. uma e o espaço. uma pessoa grão no espaço, ou do espaço. me perco, pois não é preciso definir um grão de existência no infinito do existir.
por esse mesmo espaço seco de setembro, tortuoso e luminoso um amigo leonino passa por de trás de mim. só percebi que era um amigo, porque eu olhei movida pela curiosidade de saber quem habitava aquele espaço tão amplo. uma dimensão subjetiva da manhã, um sol rasgando o meu silêncio. meu minuto de silêncio interrompido.
ele esguio passava pelo caminho dos desejos e seguiu em frente. nada disse e passou. talvez ele não quisesse interromper o meu espaço amplo. naquele momento eu habitava um amplo espaço, eu era um grão de existência debaixo de uma sombra de uma árvore do cerrado no mês da seca.
tentei assoviar pra ele na tentativa de um contato direto, mas não surtiu efeito direto. não insisti e voltei para o encontro imediato com espaço. espaço. espaço. tão amplo e tão tempo essa imagem que percorre meu dia a dia pela cidade. de ir e vir.
de um extremo ao outro comecei a ser vista por pessoas. ainda dava para contar nos dedos...  as pessoas existem nos espaços amplos de brasília.

brasília é meu castigo. 

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Quando me aprisionam...

Quando me aprisionam sinto um sufocamento da nuca até os calcanhares. A visão é escura, não vejo se quer uma luz de refúgio e proteção. A dificuldade, o medo e a impotência é tão grande que há momentos em breves segundos que penso desistir de ser, penso no salto pela janela. E quando só penso no fim da minha existência busco a última força o último fôlego pra me desvencilhar dos carnívoros. É um ir ao inferno e ver todo o caos e dor que existe e de repente voltar, nascer de novo para uma outra morte... É ir e vir e nunca permanecer. É estado de passagem. Um tempo passageiro. Um se entregar, outro se perder até que apareça uma outra porta que te leve pra outros caminhos, outros ciclos.