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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

dessa vez o veiculo de deslocamento é um micro-ônibus.

destino: volta para minha casa.

um senhor de uns 70 anos a 80 anos canta alto sem parar. eu não consigo entender nada do que ele canta sem parar. um outro homem tomado de fúria contida pelo natal bate com a sua mão no banco ao lado do senhor que canta sem parar. perguntando em voz alto se ele sabe onde vai descer. mais uma vez o senhor diz algo que não consigo identificar.
os dois levantam e começa uma discussão. o velho pergunta para o homem se ele estar nervosinho. logo ele responde que não, pois hoje é natal e não quer se meter confusão.
três minutos de bate boca com alguns palavrões do velho, o homem desce do micro-ônibus.
o senhor continua cantando, agora alguns passageiros que estavam imóveis com a cantoria do velho começam a se manifestar com fúria.

o ônibus segue viagem, eu desço no meu destino e lembro de ter visto esse senhor sentado num meio fio a pouco tempo, de olhos fechados e com os braços erguidos ao céu.  
mais uma viagem
e a escrita balança conforme o movimento do ônibus.

destino: casa da mãe em tempo de natal.

um moço entra no ônibus com uma pequena caixinha de som nas mãos, vendendo DVD’s de louvores ao senhor.
ele passa no corredor anunciando o produto, a música toma o espaço que antes era somente do próprio ônibus.
na minha cabeça
a sua voz (do moço) se transforma na mistura entre ele e ônibus.
alguns dormem, outros conversam,
um outro ler um jornal que contêm inúmeras mulheres seminuas

com roupas de mamãe noel.