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domingo, 15 de junho de 2014

quinta-feira, 10 de outubro de 2013


eu sou a liberdade quando eu danço com você, é um com você que é, que toca com calma de tempo. é criança, é bola, é tempo que não tem fim. é nosso recomeço. remo. te levo. me leva? já estou sendo você, e você sou. circulo. água. vento. silêncio. nós. eu. você. liberdade amarela, cinza, branca, tudo tanto sem fim. recomeço. eu sou você. eu sou ... um rio.

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

"Ser criado, gerar-se, transformar 
O amor em carne e a carne em amor; nascer 
Respirar, e chorar, e adormecer 
E se nutrir para poder chorar 

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito..."


Vinicius de Moraes. 

sexta-feira, 5 de julho de 2013

tempo rei, transformai as velhas formas do viver, ensinai-me o que eu ainda não sei.


Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...

Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...

Água mole
Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...

Pensamento!
Mesmo o fundamento
Singular do ser humano
De um momento, para o outro
Poderá não mais fundar
Nem gregos, nem baianos...

Mães zelosas
Pais corujas
Vejam como as águas
De repente ficam sujas...

Não se iludam
Não me iludo
Tudo agora mesmo
Pode estar por um segundo...

Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me
Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo
Socorrei!...

quarta-feira, 19 de junho de 2013

"por um lindésimo de segundo"


eu não sou muito de sonhar
ou melhor dizendo, pois aprendi assim com o tempo, não sou
muito de lembrar de sonhos, aqueles primeiros do inicio da noite
me lembro dos últimos, aqueles de sustos despertos pela necessidade de acordar
o celular desperta e preciso acordar pra vida
mas esses dias de muita flor na pele
lembrei de um em especial, com muito detalhes, muitas camadas
que não sei precisar o significado, mas acredito que o corpo saiba
porque ele é dotado de inteligência que as palavras costumam não dar conta
mas era assim o sonho, era assim:
uma banheira grande, pois dentro havia três mulheres
duas do signo de terra e uma com ascendência na terra
parecia um banheiro, mas poderia ser qualquer lugar
eu estava nesse sonho, estava de calcinha
era apenas uma calcinha em mim, as outras duas mulheres
me lembro do corpo e da sensação dos seus rostos
era com amor que elas me fitavam
até eu mergulhar naquela água que nos cobria perto da cintura
e que aos poucos iria cobrir meus seios
olhei fundo nos olhos das deusas, respirei sonolentamente
e mergulhei para dentro, lugar nenhum
quando abri meus olhos, me vendo como observadora no
meu próprio sonho, me vi num mar azul escuro de estrelas
era um mar azul de estrelas que eu havia mergulhado
me lembro de me sentir tocada pelo mar de estrelas
de repente eu estava nadandovoando no abismo
eu mergulhei e me perdi no que não sei explicar
e quando a gente não sabe explicar
pode ser muitas coisas, entres elas o amor, o
próprio sonho, a dança, a vida, os sentires
e muitos outros improvisos que temperam a pele

e que afinam a vida num único fio que é um rio. 

domingo, 5 de maio de 2013


fazia um tempão de tempo que o tempo não apertava tanto meu corpo contra ele - os dias cada vez mais pequenos de tanta água e sal.
metade do ano se aproxima e não iniciei a escrita que é mais urgente que essa... li num artigo que a urgência não é mais como antes, tudo é urgente, daí não é mais urgente... a tecnologia vem engolindo o tempo. bom ou ruim, eu sinto de qualquer forma esse percurso.
tenho sentido dificuldade de respirar, pois o tempo tem passado as mãos em mim com mais desejo e vontade de mostrar que ele existe. tenho me sentido triste, não com uma tristeza de uns dez anos atrás, mas uma tristeza nova.
tristeza nova que cresce com tempo, que segue o rio e logo ali na frente deságua em uma alegria vinda não sei de onde.
eu não sei. necessito morrer, necessito morrer de amor antes que meu tempo morra. necessito aprender a me amar e te amar também. 

quinta-feira, 28 de março de 2013


se der ame, se der me ame, se der me beije. derrame um rio em mim. hoje necessito de um amor, hoje eu anunciei em voz alta, que é pro acaso escutar que estou de poros abertos para o amor. qualquer amor que seja, seja de um dia de passagem de muito sol, um de três dias, ou um que mexa nas minha moléculas por mais dias, até nesses dias de muita chuva.
eu quero um amor correspondido (sem resposta). recuso os amores mal-vividos, nunca-ditos, escondidos em mim, mortos como um feto dentro de mim. estou aberto para o movimento, que venha as dores e suas danças. quero errar, não sei lá o que sentir e morrer de amor. e de repente é uma coisa importante, da maior importância.
deve haver uma amor de transito livre, de colo quente, que faça samba a noite inteira. deve haver amor pra maria, pra clarice, pra marcinha, pra marília.
que venha o tempo
que venha o mar
que venha o amor
que venha
pois estou aqui, e se preciso for eu saio da beira
e “pode avisar que hoje eu não vou dar não, eu vou é distribuir.”

segunda-feira, 11 de março de 2013

de não ser quase ninguém


parar de pensar para dormir
preferir pegar a caneta azul
o caderno branco sem pauta
aumentar mais um pouco o volume do som
alargar Caetano dentro de mim
feito adivinhação sobre a lua
clarice, clarice... porque se guardar assim tão firme, no coração?
seu mistério desdobra em mim
que mistério tenho eu para me guardar assim tão firme, no coração?
assistindo a solidão alimentar meu corpo
lentamente perco a doçura
o rio solicita o tempo
me solicita para seus braços
no dia que eu for embora
não quero levar nada
é hora de apagar o que não precisa de luz
desligo, Caetano. 

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

minha casa não tem meu jeito, minha parede conta outras histórias que não são minhas. minha casa mostra um tempo passado-presente que não foram tecidos pelos os meus dedos. da parede que tomei para mim, cobri de retalhos na tentativa de abrir espaços, na tentativa de um vento inverso que me leve a habitar uma casa nova. mudar-me-ei agora de mim, onde eu habite outro eu que ainda seja eu em uma nova casa. quero poder mudar a cada instante, errar a casa instante e não dever uma perfeição que eu não sou. nunca disse que eu era perfeita, minha nova casa está uma bagunça, e insistem em me cobrar uma perfeição preciosa que não sou.   essa mudança me provou da certeza do risco, do cisco, da complexidade das relações humanas tortuosas, e da necessidade de pintar uma parede, habitar um espaço e deixá-lo ir ao mesmo tempo. deve ser por isso que deixei muita memória na casa de lá, da casa de cá vou praticar com mais rebeldia o desapego. fazer doutorada no tempo presente, enviar cartas que sempre penso em mandar. dizer mais eu te amo não com a afirmação da distância, mas com a afirmação do amor que tudo envolve e quer respirar. pretendo me dedicar e não me obrigar a ser feliz, pretendo me revisitar toda vez que o processo necessitar, pretendo praticar o amor com mais afeto e sinuosidade de uma árvore de porte grande e longas raízes. pretendo e não me obrigo a me apaixonar. me pretendo dançar mais com minhas manifestações, inquietações, com as  minhas frustrações  pretendo a sagacidade de um rio, o percurso  torto em vez de toda dureza que ainda possa existir. pretendo viver, e já me é o bastante. 



sábado, 12 de maio de 2012

vestido ou um tempo agora de abraços.


me vesti e dancei um choro
cai no rio que fiz
ao te ter em meus (a)braços
desenhei em linhas tortas meu nome
me despi e virei mulher em meus braços.