a dor é uma possibilidade muito rica
se sente tanto que o coração aquece
o ar fica rarefeito
os olhos se transformam em mar.
o sentir é tanto e parece,
no meu caso,
que vou virar nuvem
vou virar pó.
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segunda-feira, 21 de maio de 2018
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
eu queria ser rua numa noite
eu queria ser janela numa noite
uma janela que de dentro dela saíssem cores diversas
eu queria ser a goteira acumulada que cai de cima de uma
parada de ônibus
eu queria ser a parada de ônibus que acolhe um choro
eu queria ser o banco que assenta o corpo
eu queria ser noite
uma noite em brasília.
domingo, 27 de outubro de 2013
eu olho o mundo que se chama grama, céu, carro, essa caneta
que seguro, os insetos que me cercam, a sinfonia das cigarras, ai eu penso
tanto, que esvazio. e qual a importância dessa tanta coisa? talvez nenhuma. a importância
é não ser importância. daí quem sabe alguma coisa ganhe a sua importância
devida. a minha importância de hoje foi descobrir, ou reafirmar minha solitude.
tive um sonho nessa tarde
em que nossas mãos se soltavam
nosso beijo acabava.
eu te perdia numa longa aventura
eu te sentia pele, boca, seios
útero e mãos.
eu te deixava ir
não perguntei muito
e senti amor quando nossas mãos se soltaram.
porque elas sempre se soltam
sempre se soltam.
hoje me dei asas pra voar.
sábado, 21 de setembro de 2013
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
venho pensado sobre
as escolhas, sobre as minhas escolhas. e chego no ponto de perceber que minha
vida, são as escolhas que faço desde da hora de escolher ou não acordar. tenho pensado
sobre o peso das escolhas de deixar de fazer uma coisa em prol de outra que me
leva a outros caminhos. há sempre uma perda. e nesse instante o exercício é
deixar leve minhas escolhas, principalmente, aquelas que me levam pra lugares
de afastamento do outro, mas que me leva a outros.
voltando pra casa
depois da aula de fundamentos da psicologia do desenvolvimento e aprendizagem (disciplina
que tá me deixando doida de tantas coisas para pensar e aplicar <3),
encontrei no caminho um menino que praticava violino debaixo de uma árvore. fiquei
observando ele atentamente com meu olhar profundo, até eu tropeçar numa raiz
grande que havia no caminho. ele percebeu e fez um gesto diferente com o rosto.
a minha real vontade naquele momento era parar e ficar ouvindo ele brincar com
o instrumento dele. mas passei e deixei o desejo morrer dentro de mim. pensei
em voltar, muitas vez até não ouvir mais o violino dele. não voltei e me
arrependi dessa escolha.
o exercício que me
proponho deste evento é arriscar-me apesar da insegurança. pensando muito – é o
que eu mais faço - hoje pelo caminho da aula até a copiadora, percebi que sofro
de um complexo de inferioridade complexo, e isso tem determinado minhas
atitudes no últimos meses. percebi que esse estado tava adormecido, pois eu
tinha adquirido uma certa autonomia sobre mim. mas de uns tempos pra cá esse
estado voltou. somado a insegurança (no âmbito social-emocional-político-econômico-biológico...)
com o complexo de inferioridade meus dias tem se tornado terríveis dentro de
mim. a minha vontade nos últimos dias é pular no abismo de vez sem sentido
nenhum, finalmente rumo ao nada.
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terça-feira, 20 de agosto de 2013
quanto a mim, assumo a minha solidão.
"e eis que sinto que em breve nos separaremos. minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. agora sei: sou só. eu e minha liberdade que não sei usar. grande responsabilidade da solidão. quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. quanto a mim, assumo a minha solidão. que às vezes se extasia como diante de fogos de artifício. sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. e a dor, silêncio. guardo o seu nome em segredo. preciso de segredos para viver."
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segunda-feira, 27 de maio de 2013
domingo, 5 de maio de 2013
domingo, 28 de abril de 2013
eu estou andando pela rua num estranhamento vertiginoso, eu me
observo do auto. meu rosto cansado é puro desinteresse, meu olhar está ausente-presente.
vou e não quero chegar, chego e preciso
partir, volto e começo tudo de novo. eu ando de cabeça pra baixo porque meus
cabelos limpam o chão. meu olhar é estéreo, sem raiz profunda. eu esterilizo
quem passa por mim, e mesmo assim sou capaz observar um balançar de quadril.
observo olhares interessados na minha inquietude, eu caminho e me sinto nua. a
cidade me deixa toda nua, revela minha fragilidade. a cidade é anuncio que
aponta nas paredes no chão o que preciso ouvir. vez outro capto um instante,
uma menina acabou de ligar para amiga, a
loja de lanches chama o cliente pelo nome, Flávio pega seu hambúrguer de
frango, um telefone toca, o carro acende o farol, o chão entra em atrito e
range. e amanha começa tudo de novo.
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domingo, 21 de abril de 2013
aqui, bem aqui a seca se anuncia debaixo da sombra
o sol aquece a cidade por fora
por dentro aquele frio que envolve os prédios as casas
as folhas balançam, o vento se faz presente.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
conhecendo minha casa e descubro novamente que gosto de
ficar sozinha. gosto da companhia das paredes, do barulho da cidade e do grito
das crianças da escola em frente. gosto do silêncio interrompido pelo barulho
da máquina de lavar nova, pelo barulho da panela de pressão que minha mãe não
queria me dar, pois achava que eu deixaria ela explodir pelo meu distraimento.
me arrisquei na cozinha hoje, me arrisquei com a cebola e o
alho que deixa cheiro de um mês nas minhas mãos. confundi a lentilha com a
ervilha e fiz um arroz com as duas sementes. será que são sementes? espero que
erro faça o arroz brotar.
o que me confudi é a medida, minha medida é o exagero. às vezes
dar certo outras não, e tudo bem. faz parte dançar com o erro, com o desacerto.
pode ser que abra um sinal e um imprevisto pontue minha solidão.
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domingo, 19 de agosto de 2012
domingo, 1 de julho de 2012
é o que é
o amor é perda
é o que é
e nunca será
o amor é perda
é ilusão soluçante
é o que sinto
e nunca tive
é passo no deserto
é um poderoso sentimento
que me toma todo o movimento.
quinta-feira, 28 de junho de 2012
tudo me apavorando.
A tristeza é senhora desde que o samba é samba é assim. A lágrima clara sobre a pele escura. À noite, a chuva que cai lá fora. Solidão apavora. Tudo demorando em ser tão ruim. Mas alguma coisa acontece no quando agora em mim. Cantando eu mando a tristeza embora. O samba ainda vai nascer. O samba ainda não chegou. O samba não vai morrer. Veja o dia ainda não raiou. O samba é o pai do prazer. O samba é o filho da dor. O grande poder transformador.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
quarta-feira, 16 de maio de 2012
domingo, 13 de maio de 2012
turvo turvo
Na noite da cidade as palavras se perdem e a lua acomete dois seres hiper humanos.
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