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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"o que vemos só vale - só vive em nossos olhos pelo que nos olha".

o caminho é longo e a vida é breve. a vida é breve e surge uma coragem desmedida em mim. um cavalo no meu peito correndo em direção ao mar. olha a vida e quer molhar o corpo inteiro no mar das incertezas. um paradoxo, uma coragem de viver na intensidade do amor que me rouba do tempo. que me rouba de mim e me perco.
o tempo que cura a dor e transforma em pulso a vida. batimentos cardíacos sem categorias.
descobri que a caminhada se faz a pé mesmo, passando por todos os tipos de terrenos. e quanto mais me encaminho a mim mais posso sair dos meus castelos. sair pra passear, ver, olhar, sentir, respirar, silenciar. 
os tijolos eu vou derrubando pra construir outros caminhos. caminho de árvores me parecem mais vivos que tijolos e muros de pele. 
nunca fui covarde em andar pela vida. se tive medo fui com ele. a entrega talvez não tenha sido tão plena, mas talvez não fosse o momento naquele processo.
e não é à toa que se tem uma vida pra viver. se bem que não acredito em apenas em uma. a vida é um dos mistérios mais divinos que pode existir. é lindo isso. não tenho palavras, mas tenho sentimentos pulsando em mim. se eu pudesse dançar isso por meio dessas palavras, talvez alguém enxergaria.
a minha jornada foi feita de encontros e de fugas. agora nesse tempo de mudanças e trovoadas vindo da vida  não preciso mais fugir. me tornei pra mim um encontro vasto. um risco de querer me conhecer a cada em encontro. de me abandonar e voltar a mim. de ir no outro mesmo com avalanches e redemoinhos internas. tenho aprendido a ter mais calma. calma de um bebê recém-nascido conhecendo a vida.
curioso que nessa busca de liberdade tive que conquistar minha  solidão primeiro. conquistar minha solitude dançando e tendo medo. o medo que me impulsionou para o abismo. eu sempre me joguei em abismos, vou fundo. quando vejo já estou estatelada no chão como um abacate que cai na seca. abacates se lançam do alto como quem se lançam na morte querendo nascer. eles se jogam pra se perder na terra. "... tem força suficiente para admitir que quando não mais se aguenta... tomba... quando não suporta cai, desapega, desgruda, em queda livre, ponto em risco até a semente..."
o bom da vida é se perder. abraçar seus monstros e anjos. olhar pra vida com olhos de criança. porque a realidade é uma das piores ditaduras que pode existir.
quero antes de tudo agradecer a vida pelos sinais de amor que sempre existiu. pela delicadeza que sou agora pra ter calma de viver. agradecer pelo engajamento de vida que sempre existiu e que agora e percebido com mais intensidade. obrigada pela abertura para outro. e não é fácil. nunca foi.
melhor que a solitude de se ser é caminhar a pé com outros. somos. não estou mais sozinha, pois percebo que a coragem e a covardia é um jogo que se joga a cada instante do viver.  

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

empoderamento



como eu amo a vida. é uma espécie de mágica. é uma dança que me desloca pra dentro e fora de mim. é um instante pequeno e gentil de entrega. e só basta eu ficar atenta, forte, com um olhar amplo, generoso e vivo. é preciso viver com coragem a cada instante único que se pode ser pleno. é preciso se entregar. hoje tenho dimensão desse amor, das oportunidades que ela me oferece. e como são tantos os sinais no caminho. antes eu tinha medo, era cega e não via seu emaranhado do todo que nos une. um elo. eu só quero agradecer a ela, pelo inúmeros presentes no caminho, que vão desde encontros com pessoas preciosas e abacates estatelados no chão, ipês amarelos feito algodão doce, nuvens no céu, eu indo ao encontro de um grande amor. um grande amor que nunca morre. e se morre é pra nascer diferente. transformado.  re-curso de um rio. vivo. obrigado por tudo, vida!obrigado pelo entendimento do desatar nós, do desatar defesas do meu coração, essa dureza imposta que agora posso transformar. amo você vida! amo tudo isso e tô aqui com coragem pra viver. pra ficar descabelada e assanhada de querendo toda em mim.