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domingo, 3 de junho de 2018

oca da lua


atravessei um caos rodopiante
uma gota de sangue caiu sobre a terra
era meu coração crescendo
brotei e lancei raízes fortes até o centro do magma
me alimentei da força mãe
a minha mãe primordial
nos tornamos uma só
alma e corpo
a dança da vida
me tornei forte
por ser acolhida em seu útero
agora neste agora
sou meu próprio brilho
minha própria luz
meu próprio caminho
minha força
minha coragem
uivei e dancei com sua força de mulher
a grande avó lua
gratidão minha mãe.

domingo, 27 de maio de 2018

O despertar de Odara





Agora é chegada a hora de despertar para vida, fazer a minha história, celebrar a vida que já é. Libertar e honrar os caminhos da minha mãe e do meu pai. Me libertar de toda culpa que afunda e me paralisa. Chegou a hora de crescer e me tornar uma ser consciente de minhas escolhas e da minha própria história. E tá tudo certo. Não há erros não acertos. Fiz o meu melhor com as ferramentas que tive e que aprendi, mas agora preciso seguir em frente com minhas próprias pernas. Não posso mais caminhar capenga, sem minha totalidade.
Eu me liberto e vos liberto. Fizemos o melhor que podíamos.
Mãe, eu te liberto.
Pai, eu te liberto.
Mariana, amor da minha vida, eu te liberto.

sábado, 12 de maio de 2018

˝Não mais penso,
Nem sei se existo.
Acho que me perdi dentre sinapses convulsas, congestionadas.
Meu cérebro me expulsou, me cuspiu.
Sou mente errante.
Minhas lembranças esvoaçaram. Fiquei sem chão. Sem o chão da minha história.
Vivo de estórias instantâneas feito leite em pó.
Queria querer me encontrar, mas não sei mais querer.
Queria espelhos íntegros pra me ver.
Queria poder voltar, mas não sei pra onde.
Queria ir pra frente, mas não sei pra onde.
Sinto-me em abandono, apesar de não qualificar abandono.
Estou num estado. Estou sem ser.
Tudo que vejo tenta me fecundar. Mas sinto ser estéril.
Não sei por que, só sei que quero vestir alguém. Experimentar alguém.
Quero um encaixe. Quero uma forma. Uma forma que me dê forma.
Sinto dores. Por todos os lados, sinto dores. Acima, abaixo, dos lados.
Ah, se fossem dentro, essas dores seriam um caminho pra mim.
Quero uma chance.
Você, quem sabe você. Você é minha chance.
Me acorde, me acorde.
Me tire daqui, ou daí, ou dali.
Se puder, rasgue meu tempo, me encontre.
Só quero voltar a existir.˝

autor@ desconhecido ou poderia ser eu. 

sábado, 10 de janeiro de 2015

dilatamento do corpo


ô  céus, ô vida, ô divino que me dilata! gratidão por cada pessoa que já encontrei até hoje nessa vida, gratidão por cada desejo de amor que recebi ontem, pela lua amarela de ontem, pelo nascimento do coração novo que recebi na virada... o recomeço, amor, morte e nascimento! que os encontros em minha vida sejam cada vez mais profundos, sinceros, alegres e o que tiver pra ser de vida. gratidão vida! 

domingo, 4 de janeiro de 2015

agora me vejo de fora




Agora me vejo de fora
Caminho e abandono a memória
E saio num passo corrido
No peito um solfejo contido
E tudo tá mais colorido
O foco tá bem mais preciso
Agora eu vejo o que sinto
E tudo faz bem mais sentido

Agora me vejo de fora
Caminho e abandono a memória
E saio num passo corrido
No peito um solfejo contido
E tudo tá mais colorido
O foco tá bem mais preciso
Agora eu vejo o que sinto
E tudo faz bem mais sentido

O custo de todos os riscos
Do forte ao mais agressivo
Das coisas que a gente se lembra

o que não tem resposta


o que me move
é o que me falta
o que não mais espanta
é o que me mata
o que me assusta
é o que me alcança
o que me impede
de entrar
na dança
o que me espera
é outra estória
o que tem pressa
é o que me cansa
o que me assusta
é o que te alcança
o que te impede
de entrar
na dança
e o que não tem resposta
a gente canta
e o que não tem resposta
o que me move
é o que me falta
o que não mais espanta
é o que te mata
o que me assusta
é o que te alcança
o que te impede
de entrar
na dança
e o que não tem resposta
a gente canta
e o que não tem resposta

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

me faltam palavras pra dizer do ano de trovoadas e lampejos. e faltam mesmo palavras que envolvam o tudo de dois e catarse, como diria o rafa. palavra é pedra e o ano foi sensação brotando de dentro pra fora, de fora pra dentro. isso aí. tudo. lampejos. abacates estatelados no chão. cavalos com fogo nas patas correndo em direção ao mar. ano de quedas em abismos e lá no fundo de si não estando só de si o conhecimento, transformação, refazer, amar... só soube do amor, nas suas camadas mais doces e amargas. quero agradecer ao universo, que acho que engloba tudo pelo tudo que foi, que é, que serei a partir do que já fui. passado-presente. viva a morte! viva os encontros!! viva o amor esse mais belo ato de vida que carregamos no corpo e não só no corpo. viva o olho no olho, o abraço, o afeto, o sofrimento como abertura para a transformação, a generosidade, o tudo de ruim e de bom, os monstros!!! amor, obrigada por me mostrar que só no amor podemos viajar com aventuras. você é muitx maravilhosx, é uma faca me rasgando e eu nunca sei o que vai acontecer.  

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"a fé corre, a razão fala, a emoção tomba, o medo se protege, a verdade late. corra! corra! corra!"

O que eu sou... eu sou... eu sou um abacate estatelado no chão. É que quando eu olho de frente pro meu elefante a gente diz adeus. Adeus! E nós jogamos no abismo da vida! Caímos juntos, numa queda livre. Damos as mãos e do alto GRITAMOS: EU TE LIBERTO! EU TE AMO, EU TE AMO! PODE CAIR PROFUNDO EM DIREÇÃO AO AMOR. CAI SEM MEDO, SE POSSÍVEL FOR DANCE ESSA DOR. ESSA LÁGRIMA PRECISA SE TRANSFORMAR! Na frente da minha janela tem pé de abacate, e ele me ensina de tempos em tempos, de caídas e caídas que a vida é assim. É assim mesmo. Só depende dos teus impulsos a queda livre. Não tem para onde fugir. A gente foge porque ainda tem medo, tem um cachorro latindo alto dentro da gente. A gente pode não ver, mas uma hora isso se fará tão presente como um abacate que caí. A gente sente muito! Muito tudo, tudo e tanto! A gente sente muito a vida rasgando a pele da gente, perfurando as camadas, a gente é ser sensitivo cara! Não tem como não ser. A gente não aguenta aí dança.  Eu danço porquê senão eu morro doente. E morrer doente estraga as raízes! Porque a vida já não é tão pequena... e lá no fundo algo te late, ou como me seria: meu elefante LATE! GRITA! LATE! GRITA! LATE! Esses dias eu disse adeus a mim. Disse a mim mesma que me libertaria de toda defesa que pudesse atravancar o amor. Não estou de acordo com sua covardia, porque o amor que correr pelas ruas, que pular catracas, quer gritar pra quem quiser ouvir, que brincar de subir em árvores, quer descansar debaixo de uma árvore fresca, que correr com fé em direção ao mar, CORRER COMO UM ELEFANTE FEROZ EM DIREÇÃO AO MAR! SER ONDA INTENSA NUMA QUEDA LIVRE! Meu deus como pude ter me silenciado tanto, me enganado tanto, me matando tanto! Doente. CHEGA! CHEGA! CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Porque o mar é queda mais doce que pode existir. É a queda livre dos abacates do meu jardim, eles caem pra se molharem no mar! Caem porque não se aguentam mais e se libertam! Caem porque AMANHÃ RECOMEÇO! 

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"o que vemos só vale - só vive em nossos olhos pelo que nos olha".

o caminho é longo e a vida é breve. a vida é breve e surge uma coragem desmedida em mim. um cavalo no meu peito correndo em direção ao mar. olha a vida e quer molhar o corpo inteiro no mar das incertezas. um paradoxo, uma coragem de viver na intensidade do amor que me rouba do tempo. que me rouba de mim e me perco.
o tempo que cura a dor e transforma em pulso a vida. batimentos cardíacos sem categorias.
descobri que a caminhada se faz a pé mesmo, passando por todos os tipos de terrenos. e quanto mais me encaminho a mim mais posso sair dos meus castelos. sair pra passear, ver, olhar, sentir, respirar, silenciar. 
os tijolos eu vou derrubando pra construir outros caminhos. caminho de árvores me parecem mais vivos que tijolos e muros de pele. 
nunca fui covarde em andar pela vida. se tive medo fui com ele. a entrega talvez não tenha sido tão plena, mas talvez não fosse o momento naquele processo.
e não é à toa que se tem uma vida pra viver. se bem que não acredito em apenas em uma. a vida é um dos mistérios mais divinos que pode existir. é lindo isso. não tenho palavras, mas tenho sentimentos pulsando em mim. se eu pudesse dançar isso por meio dessas palavras, talvez alguém enxergaria.
a minha jornada foi feita de encontros e de fugas. agora nesse tempo de mudanças e trovoadas vindo da vida  não preciso mais fugir. me tornei pra mim um encontro vasto. um risco de querer me conhecer a cada em encontro. de me abandonar e voltar a mim. de ir no outro mesmo com avalanches e redemoinhos internas. tenho aprendido a ter mais calma. calma de um bebê recém-nascido conhecendo a vida.
curioso que nessa busca de liberdade tive que conquistar minha  solidão primeiro. conquistar minha solitude dançando e tendo medo. o medo que me impulsionou para o abismo. eu sempre me joguei em abismos, vou fundo. quando vejo já estou estatelada no chão como um abacate que cai na seca. abacates se lançam do alto como quem se lançam na morte querendo nascer. eles se jogam pra se perder na terra. "... tem força suficiente para admitir que quando não mais se aguenta... tomba... quando não suporta cai, desapega, desgruda, em queda livre, ponto em risco até a semente..."
o bom da vida é se perder. abraçar seus monstros e anjos. olhar pra vida com olhos de criança. porque a realidade é uma das piores ditaduras que pode existir.
quero antes de tudo agradecer a vida pelos sinais de amor que sempre existiu. pela delicadeza que sou agora pra ter calma de viver. agradecer pelo engajamento de vida que sempre existiu e que agora e percebido com mais intensidade. obrigada pela abertura para outro. e não é fácil. nunca foi.
melhor que a solitude de se ser é caminhar a pé com outros. somos. não estou mais sozinha, pois percebo que a coragem e a covardia é um jogo que se joga a cada instante do viver.  

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

choro de saudade


e não é o fim
porque meu choro dilata o corpo
e não é o fim
porque hoje é quarta feira e comemoro o amor
porque não é o fim do amor que existe em mim.

o que tenho do amor no mais palpável dos meu sonhos
é a saudade.

choro e comemoro a saudade que é grande
que me faz movimentar
resistir
crescer
morrer
renascer
pra morrer
pra um novo amor. 

domingo, 29 de junho de 2014

sexta-feira, 18 de abril de 2014

"não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

e por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim."

c.m.

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

"minha miséria é meu tesouro

nasci para ser sombra
não tenho face

minha espada acovardou-se
fraca e a minha vontade

a voz do meu algoz é doce
suave é o seu abraço

nas certezas, combustível
nas incertezas, chama

tudo que condeno me atrai
tudo que desprezo desejo
tudo que amo destruo
tudo que admiro não
tudo que elogio é falso
tudo que assisto é por interesse
tudo que enterro nada cresce
tudo que sei guardo pra mim
tudo que beijo morre
tudo que é oficial subverto
tudo que toco não ressuscita
tudo que gero vira nada
tudo que vi cegou-me
tudo que é poesia já escrevi melhor
tudo que não é martírio sofri
tudo que me lembro muito bem
tudo que não prometo  cumpro
tudo que é burocrático me ojeriza
tudo que leio se desintegra
tudo que me dá medo recuo

tudo que escrevo nego"


nicolas behr, o bagaçoS da laranja  vida.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

eu queria ser rua numa noite
eu queria ser janela numa noite
uma janela que de dentro dela saíssem cores diversas
eu queria ser a goteira acumulada que cai de cima de uma parada de ônibus
eu queria ser a parada de ônibus que acolhe um choro
eu queria ser o banco que assenta o corpo
eu queria ser noite

uma noite em brasília. 

sábado, 16 de novembro de 2013

bem vindas

vida que cai em mim bem vinda seja nessa tarde que passa mansa e despreocupada comigo
morte que cai bem vinde em mim agora que sou despreocupada comigo
essa tarde dourada que traz felicidade pras pessoas normais não me mente mais 
essa tarde que esquenta minha barriga por baixo da blusa preta
e meu umbigo envolvido nesse calor se faz de morto
não sente nada só vazio.
karina buhr

quarta-feira, 24 de julho de 2013

quando tudo parece derreter dentro de mim, certezas, sobretudo incertezas.
me vejo louca quando penso que ganhei um grão de conhecimento a mais em relação ao mundo, sobretudo sobre mim.
ao mesmo tempo que é certeza súbita de instante, é incerteza mais certa.

a uma hora dessas o que eu mais quero é um grão de conhecimento que me alivie de tudo.