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sábado, 13 de setembro de 2014

brasília não é mais a mesma



brasília é muito ampla. o que mais se escuta por aqui são os carros e os pássaros. é um exagero, eu sei. mas quando se fala de um espaço imenso onde estão as pessoas? de certo elas estão em suas vidas. é tão óbvio na sua sutileza.
ora ou outra, ora entre outra num amplo espaço, no entre eu e a seca de setembro avisto ao longe uma pessoa caminhando. uma e o espaço. uma pessoa grão no espaço, ou do espaço. me perco, pois não é preciso definir um grão de existência no infinito do existir.
por esse mesmo espaço seco de setembro, tortuoso e luminoso um amigo leonino passa por de trás de mim. só percebi que era um amigo, porque eu olhei movida pela curiosidade de saber quem habitava aquele espaço tão amplo. uma dimensão subjetiva da manhã, um sol rasgando o meu silêncio. meu minuto de silêncio interrompido.
ele esguio passava pelo caminho dos desejos e seguiu em frente. nada disse e passou. talvez ele não quisesse interromper o meu espaço amplo. naquele momento eu habitava um amplo espaço, eu era um grão de existência debaixo de uma sombra de uma árvore do cerrado no mês da seca.
tentei assoviar pra ele na tentativa de um contato direto, mas não surtiu efeito direto. não insisti e voltei para o encontro imediato com espaço. espaço. espaço. tão amplo e tão tempo essa imagem que percorre meu dia a dia pela cidade. de ir e vir.
de um extremo ao outro comecei a ser vista por pessoas. ainda dava para contar nos dedos...  as pessoas existem nos espaços amplos de brasília.

brasília é meu castigo. 

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

empoderamento



como eu amo a vida. é uma espécie de mágica. é uma dança que me desloca pra dentro e fora de mim. é um instante pequeno e gentil de entrega. e só basta eu ficar atenta, forte, com um olhar amplo, generoso e vivo. é preciso viver com coragem a cada instante único que se pode ser pleno. é preciso se entregar. hoje tenho dimensão desse amor, das oportunidades que ela me oferece. e como são tantos os sinais no caminho. antes eu tinha medo, era cega e não via seu emaranhado do todo que nos une. um elo. eu só quero agradecer a ela, pelo inúmeros presentes no caminho, que vão desde encontros com pessoas preciosas e abacates estatelados no chão, ipês amarelos feito algodão doce, nuvens no céu, eu indo ao encontro de um grande amor. um grande amor que nunca morre. e se morre é pra nascer diferente. transformado.  re-curso de um rio. vivo. obrigado por tudo, vida!obrigado pelo entendimento do desatar nós, do desatar defesas do meu coração, essa dureza imposta que agora posso transformar. amo você vida! amo tudo isso e tô aqui com coragem pra viver. pra ficar descabelada e assanhada de querendo toda em mim. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

reconhecendo o amor



me perdi na escrita por querer te encontrar
e me encontrei
me encontrei sentada sozinha num pé de cupinzeiro
lá estava eu a meditar,
a escutar a música que a vida quer me presentear
escrevi sem vaidades pra entender, pra não entender
pra rir e chorar esse amor que tanto me transformou
que raiou um amor adormecido pelo sofrimento
que fez nascer um novo amor coragem
coragem pra combater o medo.  

domingo, 31 de agosto de 2014

cura-me


uma noite qualquer e toda a sua impermanência dos encontros. um paradoxo de se permitir e esquecer. perdoar. um olhar sem medo o que o corpo tem a dizer. o poder do corpo. uma noite vermelha. intensa. uma cozinha desenhada com muitas flores bocetas.
mil mulheres podemos ser na fila do supermercado, na pia da cozinha. na minha cama que meu sexo me conecta com a vida. em qualquer lugar.
instinto.
corpo fera desatando nós. desatando o medo querendo ser coragem. coragem amor pra combater a covardia a cada instante do viver, do desejar algo que é além do que posso imaginar.
perceber no distrair e não no fugir que a intensidade nos aproximou, e também, nos afastou. me corrói a ausência, o não dito, o incompreendido, a fuga que não foi só minha. me dói no peito e me fortalece. me faz romper as jaulas que não são só minhas. transformando o não , desatando o não.
movendo os moveis do lugar, removendo minhas memórias das paredes.
relembrando que num primeiro encontro parangolé a pureza foi um mito. o que existe,  tem e é, é a imperfeição e um aceitar o outro em todas as suas potencialidades. ter concessões pelo amor, ter coragem pra combater a apatia, o peso e a defesa que ainda pode existir.
que a alegria também se constrói. ela existe em mim também.
tudo é construção.
é um invento que posso intuir.
é contradição. é momento. é nada.
te vejo no meu presente, no meu futuro, no meu passado. no meu destino.
isso parece que existe. é um perfume em mim.
é um palco vazio trazendo a nostalgia do encontro impermanente.
é a fragilidade do amontoado de palavras que me levam a nada, ou sim, me levam ao meu encontro.
do descobrir solitude.
janelas com luzes  que me causam uma grande saudade nostálgica da sua presença passional. fugitiva. la fugitiva. aventureira.
pela infâmia do destino pode ser que seja só melancolia. outro ensaio melancólico de mais uma perda.
escrevo pra entender e pra esquecer. perdoar, assim com toda prolixidade e repetição das palavras. e quando não lembrar com tanta precisão, voltar aqui. não sei. não sei.
porque é natural que seja assim você aí. e eu exatamente aqui. e isso é lindo. vai durar.
estou te amando no gerúndio
é serio
é possível o passageiro
me lasquei
não sustento nada
não me cobre
não me infâmia
não me castigue
.
.
.
dar vontade de ser outra pessoa
diferente inconstância
bandoleira
o si mesma fiel a mim
a ti
.
.
.

e que seja mágico. 

sábado, 30 de agosto de 2014