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sábado, 11 de agosto de 2018


Quem estou sendo? A morte se faz presente. Já não sou a mesma. E é preciso acolher todas as minhas dores e sombras. Deixá-las partirem com responsabilidade, fluir. Fluir vento que vai sem culpas.  Plantar sementes novas que brotam com águas que chegam. Porque já não sou mais a mesma de ontem. Hoje sou o agora. Um pouco mais leve. Entendendo a morte necessária para que a vida ganhe outros sorrisos em mim. Me vejo lúcida agora. Eterno transmutar de mim. Um doce agosto de deixar ir. Chove em mim.

domingo, 3 de junho de 2018

o amor

autor de foto desconhecido 

novas famílias.
novos formatos. 
novas idéias. 
novos lugares. 
corações abertos. 
rasgados.
sem medo.
transcendência.
evolução.
feliz pela conquista do outro.
feliz pela felicidade do outro.
o outro sou eu.
o outro me é.
ressoa.
soa.
somos.
soma.
amor.
futuro.
frutos.
fruturos.
caducam os pré_conceitos.
alma.
amalgamar.
espírito.
planetas.
galáxias.
cosmos.
universo.
o amor é a linguagem de toda vida, de toda natureza, de toda expressão maior.
eterna.
terno.
enternecer, compreender, aceitar, celebrar, vibrar, se emocionar.
ser.
enquanto uns puxam pra trás,
a gente vai pra frente.
a gente sabe que o caminho certo
é só esse.

ana cañas

amor meu grande amor


amor meu grande amor,
que nos encontremos quando formos nossos próprios brilhos
que seja doce e novo os próximos beijos
que nossa pele seja qualquer elemento
seja sinceridade
respeito
entrega
responsabilidade
seja amor
amor meu grande amor, me chegue assim tão de repente
sem avisar
sem endereço.


Desenho em aquarela da amiga Maíra Geraldo a pedido de presentear um grande amor. 

oca da lua


atravessei um caos rodopiante
uma gota de sangue caiu sobre a terra
era meu coração crescendo
brotei e lancei raízes fortes até o centro do magma
me alimentei da força mãe
a minha mãe primordial
nos tornamos uma só
alma e corpo
a dança da vida
me tornei forte
por ser acolhida em seu útero
agora neste agora
sou meu próprio brilho
minha própria luz
meu próprio caminho
minha força
minha coragem
uivei e dancei com sua força de mulher
a grande avó lua
gratidão minha mãe.

domingo, 27 de maio de 2018

O despertar de Odara





Agora é chegada a hora de despertar para vida, fazer a minha história, celebrar a vida que já é. Libertar e honrar os caminhos da minha mãe e do meu pai. Me libertar de toda culpa que afunda e me paralisa. Chegou a hora de crescer e me tornar uma ser consciente de minhas escolhas e da minha própria história. E tá tudo certo. Não há erros não acertos. Fiz o meu melhor com as ferramentas que tive e que aprendi, mas agora preciso seguir em frente com minhas próprias pernas. Não posso mais caminhar capenga, sem minha totalidade.
Eu me liberto e vos liberto. Fizemos o melhor que podíamos.
Mãe, eu te liberto.
Pai, eu te liberto.
Mariana, amor da minha vida, eu te liberto.

sábado, 12 de maio de 2018

˝Não mais penso,
Nem sei se existo.
Acho que me perdi dentre sinapses convulsas, congestionadas.
Meu cérebro me expulsou, me cuspiu.
Sou mente errante.
Minhas lembranças esvoaçaram. Fiquei sem chão. Sem o chão da minha história.
Vivo de estórias instantâneas feito leite em pó.
Queria querer me encontrar, mas não sei mais querer.
Queria espelhos íntegros pra me ver.
Queria poder voltar, mas não sei pra onde.
Queria ir pra frente, mas não sei pra onde.
Sinto-me em abandono, apesar de não qualificar abandono.
Estou num estado. Estou sem ser.
Tudo que vejo tenta me fecundar. Mas sinto ser estéril.
Não sei por que, só sei que quero vestir alguém. Experimentar alguém.
Quero um encaixe. Quero uma forma. Uma forma que me dê forma.
Sinto dores. Por todos os lados, sinto dores. Acima, abaixo, dos lados.
Ah, se fossem dentro, essas dores seriam um caminho pra mim.
Quero uma chance.
Você, quem sabe você. Você é minha chance.
Me acorde, me acorde.
Me tire daqui, ou daí, ou dali.
Se puder, rasgue meu tempo, me encontre.
Só quero voltar a existir.˝

autor@ desconhecido ou poderia ser eu. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

me faltam palavras pra dizer do ano de trovoadas e lampejos. e faltam mesmo palavras que envolvam o tudo de dois e catarse, como diria o rafa. palavra é pedra e o ano foi sensação brotando de dentro pra fora, de fora pra dentro. isso aí. tudo. lampejos. abacates estatelados no chão. cavalos com fogo nas patas correndo em direção ao mar. ano de quedas em abismos e lá no fundo de si não estando só de si o conhecimento, transformação, refazer, amar... só soube do amor, nas suas camadas mais doces e amargas. quero agradecer ao universo, que acho que engloba tudo pelo tudo que foi, que é, que serei a partir do que já fui. passado-presente. viva a morte! viva os encontros!! viva o amor esse mais belo ato de vida que carregamos no corpo e não só no corpo. viva o olho no olho, o abraço, o afeto, o sofrimento como abertura para a transformação, a generosidade, o tudo de ruim e de bom, os monstros!!! amor, obrigada por me mostrar que só no amor podemos viajar com aventuras. você é muitx maravilhosx, é uma faca me rasgando e eu nunca sei o que vai acontecer.  

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"o que vemos só vale - só vive em nossos olhos pelo que nos olha".

o caminho é longo e a vida é breve. a vida é breve e surge uma coragem desmedida em mim. um cavalo no meu peito correndo em direção ao mar. olha a vida e quer molhar o corpo inteiro no mar das incertezas. um paradoxo, uma coragem de viver na intensidade do amor que me rouba do tempo. que me rouba de mim e me perco.
o tempo que cura a dor e transforma em pulso a vida. batimentos cardíacos sem categorias.
descobri que a caminhada se faz a pé mesmo, passando por todos os tipos de terrenos. e quanto mais me encaminho a mim mais posso sair dos meus castelos. sair pra passear, ver, olhar, sentir, respirar, silenciar. 
os tijolos eu vou derrubando pra construir outros caminhos. caminho de árvores me parecem mais vivos que tijolos e muros de pele. 
nunca fui covarde em andar pela vida. se tive medo fui com ele. a entrega talvez não tenha sido tão plena, mas talvez não fosse o momento naquele processo.
e não é à toa que se tem uma vida pra viver. se bem que não acredito em apenas em uma. a vida é um dos mistérios mais divinos que pode existir. é lindo isso. não tenho palavras, mas tenho sentimentos pulsando em mim. se eu pudesse dançar isso por meio dessas palavras, talvez alguém enxergaria.
a minha jornada foi feita de encontros e de fugas. agora nesse tempo de mudanças e trovoadas vindo da vida  não preciso mais fugir. me tornei pra mim um encontro vasto. um risco de querer me conhecer a cada em encontro. de me abandonar e voltar a mim. de ir no outro mesmo com avalanches e redemoinhos internas. tenho aprendido a ter mais calma. calma de um bebê recém-nascido conhecendo a vida.
curioso que nessa busca de liberdade tive que conquistar minha  solidão primeiro. conquistar minha solitude dançando e tendo medo. o medo que me impulsionou para o abismo. eu sempre me joguei em abismos, vou fundo. quando vejo já estou estatelada no chão como um abacate que cai na seca. abacates se lançam do alto como quem se lançam na morte querendo nascer. eles se jogam pra se perder na terra. "... tem força suficiente para admitir que quando não mais se aguenta... tomba... quando não suporta cai, desapega, desgruda, em queda livre, ponto em risco até a semente..."
o bom da vida é se perder. abraçar seus monstros e anjos. olhar pra vida com olhos de criança. porque a realidade é uma das piores ditaduras que pode existir.
quero antes de tudo agradecer a vida pelos sinais de amor que sempre existiu. pela delicadeza que sou agora pra ter calma de viver. agradecer pelo engajamento de vida que sempre existiu e que agora e percebido com mais intensidade. obrigada pela abertura para outro. e não é fácil. nunca foi.
melhor que a solitude de se ser é caminhar a pé com outros. somos. não estou mais sozinha, pois percebo que a coragem e a covardia é um jogo que se joga a cada instante do viver.  

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

empoderamento



como eu amo a vida. é uma espécie de mágica. é uma dança que me desloca pra dentro e fora de mim. é um instante pequeno e gentil de entrega. e só basta eu ficar atenta, forte, com um olhar amplo, generoso e vivo. é preciso viver com coragem a cada instante único que se pode ser pleno. é preciso se entregar. hoje tenho dimensão desse amor, das oportunidades que ela me oferece. e como são tantos os sinais no caminho. antes eu tinha medo, era cega e não via seu emaranhado do todo que nos une. um elo. eu só quero agradecer a ela, pelo inúmeros presentes no caminho, que vão desde encontros com pessoas preciosas e abacates estatelados no chão, ipês amarelos feito algodão doce, nuvens no céu, eu indo ao encontro de um grande amor. um grande amor que nunca morre. e se morre é pra nascer diferente. transformado.  re-curso de um rio. vivo. obrigado por tudo, vida!obrigado pelo entendimento do desatar nós, do desatar defesas do meu coração, essa dureza imposta que agora posso transformar. amo você vida! amo tudo isso e tô aqui com coragem pra viver. pra ficar descabelada e assanhada de querendo toda em mim.