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quinta-feira, 7 de junho de 2012

sábado, 19 de maio de 2012

... e tempo para voltar para casa.


Eu,

Essa carta compõe uma serie de (mu)dança, um presente presente  que se defende ágil e tranqüilo a mim mesma. Sim, esta carta é para mim. Escolhi me dar o abraço que nunca me dei. Escolhi me ver além do muro, além do que posso ver e entender. Resolvi nesses meus vinte e poucos anos fudido me sentir inteira... Os seios, a barriga, o cabelo, a buceta, a boca, o corpo inteiro... Inteiramente me terei em abraços... Liberdade. Serei sim os abraços que sempre remediei em me dar.  Serei o sorriso finalmente largo que escondi atrás dos dentes rangentes. Serei a mulher que nunca me vi ser... Vestirei-me nua, toda nua a mim mesma. Só assim poderei me arriscar no mundo, quem sabe no outro. E só assim “um dia virá em mim à capacidade tão vermelha e afirmativa quanto clara e suave. Um dia o que eu fizer será cegamente, seguramente, inconscientemente visando em mim, na minha verdade, tão integralmente lançada no que fizer, que serei incapaz de falar. Sobretudo um dia virá, em que todo o meu movimento será criação, nascimento. Eu romperei  todos os não que existem dentro de mim, provarei a mim mesma que nada há a temer, que tudo que eu for será sempre onde haja uma mulher com o meu princípio. Erguerei dentro de mim o que sou. Um dia a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência. Eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade e de humanidade, não o passado correndo o futuro. O que eu disser soará fatal e inteiro. Não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões. Não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante. Sempre fundido, porque então viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e mal feita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende. Me ultrapassarei em ondas. Ah, Deus. E tudo que cabe e venha sobre mim, até a incompreensão de mim mesma em certos momentos brancos. Porque basta me cumprir. E então, nada impedirá meu caminho até a morte sem medo de qualquer luta ou descaso, me levantarei, forte e bela, como um cavalo novo.” E então, nada me impedirá. 


Um tempo agora de lembrança ou quanto 
tempo dura um abraço, Alamedas Céu na Boca.
Uma  livre  apropriação do livro Perto do
coração selvagem de Clarice Lispector.
Brasília, maio de 2012 ou um tempo agora de (mu)dança. 



sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

"Eu não estou me achando não. Estou apenas me encontrando no ato eterno de me buscar pelas entranhas das beiradas do meu, do seu, do nosso mover. E como é móvel a escolha, me perco todas as manhãs e me encontro bem pertinho da madrugada. Quando acordo lá vou eu outra vez me perder, me encontrar, me deixar dançar e dizer chega até a madrugada cair outra vez e aí você já sabe..."

domingo, 16 de outubro de 2011


Andam jogando minhas palavras
no esgoto de Brasília
Andam-me jogando
no esgoto de Brasília
Brasília é uma insolação
Insolação é um lindo sol, um lindo sol
Feito pra você

sexta-feira, 12 de agosto de 2011


eu enquanto me aproprio de Camila
eu enquanto nada sei
eu enquanto não faço escolhas
eu enquanto dureza, pedra lascada
eu enquanto ouço a mesma música repetitivamente
eu enquanto espero, espero, espero o ônibus lotado do Arapongas
eu enquanto acordo cedo pra pegar novamente um ônibus lotado
eu enquanto amo cantora brasileiras
eu enquanto queria me casar com Pina Baush, Clarice Lispector, 
Cibelle, Adriana Calcanhotto, Thiago Pethi, Cícero...
eu enquanto queria me casar com Maria Bethânia, Chico Buarque
eu enquanto amo a lua, os ipês amarelos, rosas, brancos
eu enquanto quero sumir daqui
eu enquanto escrota
eu enquanto Clarice Lispector
eu enquanto perco meu tempo com coisas desimportantes
eu enquanto cretina
eu enquanto tenho um coração de manteiga
eu enquanto falo em fazer e não faço
eu enquanto me apaixono
eu enquanto não demonstro amor
eu enquanto grossa
eu enquanto amor
eu enquanto solidão
eu enquanto tristeza
eu enquanto capricorniana
eu enquanto não namoro ninguém
eu enquanto fico pra titia
eu enquanto me encorajo
eu enquanto tenho medo
eu enquanto atriz
eu enquanto me arrisco a dançar
eu enquanto queria tacar um foda-se em tudo e todos
eu enquanto queria ser escritora
eu enquanto não posso ser o que se espera
eu enquanto expectativas
eu enquanto conheci Nicolas Behr pela Camila
eu enquanto fico puta com a Camila
eu enquanto amo a Camila
eu enquanto não me dou bem com minha família
eu enquanto quero fugir de mim
eu enquanto não posso fugir de mim
eu enquanto não me movo de mim
eu enquanto vazio, silêncio, escarcéu
eu enquanto finjo não te querer mais
eu enquanto queria ser natureza
eu enquanto tenho medo do bicho homem
eu enquanto virgem
eu enquanto não me toco
eu enquanto tenho medo do futuro
eu enquanto não quero fazer nada
eu enquanto quero matar um
eu enquanto quero ser ácida como Hilda Hilist
eu enquanto socrática, existencialista, sonhadora, nada
eu enquanto quero ter dinheiro
eu enquanto quero dá uma vida melhor pra minha família
eu enquanto não tenho quarto, cama, sofá, luz
eu enquanto não quero nada dizer
eu enquanto não sei parar com isso
eu enquanto quero um amor de verdade
eu enquanto queria ter uma câmera fotográfica
eu enquanto vergonha
eu enquanto não acredito em mim
eu enquanto não acredito que tô fazendo isso
eu enquanto escrevo palavras tortas
eu enquanto erro conjugações, verbos, concordâncias
eu enquanto morro todos os dias um pouco
eu enquanto assimilo o mundo
eu enquanto tenho saudade
eu enquanto mãe da minha irmã
eu enquanto pago minhas contas
eu enquanto compro presentes
eu enquanto morro na praia
eu enquanto sou saudade de ilha
eu enquanto sou outras tantas em mim
eu enquanto não me reconheço e era isso que eu queria
eu enquanto tenho um desejo cravado na carne
eu enquanto sexo, seios, mulheres, homens, menstruações
eu enquanto quero fazer sexo
eu enquanto amo a alma e não o sexo
eu enquanto não tenho paciência
eu enquanto, enquanto ainda não tenho fim
eu enquanto piauiense, planaltinense, brasiliense, brasileira fudida, calanga do cerrado
eu enquanto faço longas viagens em pensamento
eu enquanto durmo no ônibus
eu enquanto punk da periferia, latina Americana Lusa em pó
eu enquanto filha, irmã, amiga, nada, bucólica
eu enquanto vadia
eu enquanto filha da mãe
eu enquanto filha da puta
eu enquanto tenho que dormir agora
eu enquando soy clandestina
eu enquanto vertigem, versos rasgados, promessa
eu enquanto pedaço
eu enquanto escrevo de noite
eu enquanto quero beijar
eu enquanto só quero beijar
eu enquanto chovo
eu enquanto avesso, transverso, gordura trans
eu enquanto poesia, música, teatro, cinema, arte de meandrar, efêmera
eu enquanto como gelo
eu enquanto não aguento mais
eu enquanto me reconstruo
eu enquanto, enquanto espero amor
eu enquanto itinerante, dormentes
eu enquanto vago
eu enquanto, enquanto
eu enquanto por enquanto  

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

E, se fosse...

"E, se fosse pra dizer uma última coisa, reproduziria Piaf e diria: AME. E demonstre isso. Você nunca vai se arrepender de externar aquilo que de mais bonito uma pessoa pode sentir. E, se fosse pra dizer mais uma, diria: ESCREVA. Compartilhe, pense, experimente traduzir em palavras. Faz bem. Nos abre a cabeça. Clareia".

Vítor V.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Não quero ser aquela que vai preencher o silêncio...

Não quero ser a que ri mais alto
Ou a que nunca quer ficar só
Não quero ser a última a saber
Pois sou a única que nunca está em casa

O sol está me cegando
Virei a noite de novo

Estou segura
aqui em cima
Mas por que sinto que o carnaval acabou?
Não sinto dor
Aqui dentro

Não quero ser aquela que vai preencher o silêncio...
O silêncio me assusta porque diz a verdade.

A noite está chamando
E ela me pede baixinho pra brincar com ela

Estou caindo
E se eu me entregar, serei a única culpada

Descendo, descendo, descendo...
Girando, girando, girando...
Procuro por mim mesma estando
sóbria!

Já me ouvi chorar, dizendo "nunca mais"
Angustiada, tentando encontrar a saída...

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

...

Eu espero... Espero Miguel chegar. Ele vai chegar com o próximo trem, mais precisamente daqui a cinco minutos se não acontecer nenhum imprevisto com sua chegada. Você me permite falar um pouco de Miguel? Por favor, prometo ser breve. Mas, aviso que o farei com palavras as quais não me são familiares. Por isso serão precárias.

Amo tanto Miguel que não posso ser uma simples espectadora de sua vida, mas parte dela. Por isso, talvez exagere o que há de positivo em sua personalidade singular, tentando minimizar o que possa magoá-lo, ainda que remotamente.

Miguel é um menino grande, imenso, de rosto bondoso e olhar meio tristonho, cabelos quase que castanhos escuros puxando para um caramelo queimado, tão finos e delicados que parecem flutuar no ar. Seus olhos saltados, escuros, grandes e muito inteligentes, são como um mar profundo. Parecem olhos de sapo, mais separados entre si do que outros... Só muito raramente um sorriso irônico e doce, floração de sua imagem, desaparece de sua boca de lábios grossos. Sua pele é clara como algodão doce. Apenas seus pés e mãos são mais escuros, porque dourados pelo sol.

Seus ombros largos, arredondados, transformam-se em braços femininos, sem angulações, por fim chegando a mãos maravilhosas, pequenas e desenhadas. Elas são sensíveis e sutis.

Quanto a seu peito, eu diria que, é fortaleza de um guerreiro, mas ainda assim, possui uma delicadeza em seu busto. Sua virilidade estranha e peculiar também o torna desejável, para meu desgosto, confesso.

Sua barriga, macia e suave, é como uma esfera apoiada sobre suas pernas fortes e belas, semelhantes a pilastras. Estas terminam em pés grandes, que se abrem para fora num ângulo obtuso.

Ele dorme em posição fetal e, durante o dia, desloca-se com lentidão elegante, como se vivesse num meio líquido. Para a sensibilidade que se expressa em seus movimentos, é como se o ar fosse mais denso do que a água.

A forma de Miguel é de um monstro amado. Eu gostaria de tê-lo sempre em meus braços, como um bebê recém-nascido: eu, a sua substancia necessária.

Não descreverei a personalidade fantástica de Miguel, a quem respeito profundamente, dizendo tolices sobre sua vida. Ao contrario, gostaria de expressar o que ele realmente é. A personalidade singular de Miguel é tão vasta e complexa, que minhas observações talvez não sejam suficientes. Porém, há três direções ou linhas que considero básicas em seu perfil primeiro, ele é inabalável, dinâmico, extraordinariamente sensível e vital, com um conhecimento equiparável ao de poucos homens; é um fantástico entusiasta da vida e, ao mesmo tempo, esta sempre infeliz por não ter podido aprender mais. Segundo, ele é curioso. E terceiro, tem uma absoluta falta de preconceito.

Miguel é eternamente curioso e, ao mesmo tempo, um eterno conversador. Fala e discute tudo, absolutamente tudo. Sua conversa é sempre interessante. Ele diz frases que surpreendem- ás vezes magoam, outras, comovem. Suas palavras podem me deixar tremendamente embaraçada, porque são vivas e verdadeiras.

De minha atitude neste retrato de Miguel podem-se inferir muitas coisas, dependendo de quem as infira; mas minha verdade, a única que posso dar a respeito de Miguel, foram ditas nestas breves palavras... Cabe-me ainda, dizer que Euteamo Miguel como nunca amei. Euteamo quantas vezes for sentido e só nesse motivo é que te amarei. Mas, isso vou dizer a ele assim que ele cruzar o meu olhar, precisamente daqui cinco a minutos de acordo com meus cálculos, claro, contando com os possíveis atrasos do trem.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Apropriações


Aí que andam falando que tenho andado quieto - mais do que normalmente já sou. O que não é uma grande mentira, visto que de fato não tenho tido muita vontade de contar histórias, causos ou besteiras, mas que também não é uma verdade completa, visto que minha quietude nunca foi desinteressada, depressiva ou blasé. Os que me conhecem sabem que minha quietude presta atenção, ouve, ri, percebe, responde, procura entender. Minha quietude é curiosa, interessada, atenta. Minha quietude até fala de vez em quando (!) 

Tem gente que não gosta, que fica aflita quando emito poucas palavras; tem gente que se solta mais, se abre; tem gente que não entende que preciso de tempo pra criar intimidade; tem gente que acha que estou com algum problema; tem gente que relaxa; tem gente que acha que é tristeza; tem gente que acha que é só mistério; tem gente que acha que não me entroso; tem gente que não acha nada.
O que acontece é que tenho sentido uma certa necessidade de ficar calado. Como se qualquer palavra fosse pouco pra descrever aquilo tudo que passa por aqui; como se cada verso que deixo de dizer e passo a ouvir fosse essencial para aprender mais sobre a vida e suficiente para entender um pouco mais sobre os outros e sobre mim mesmo.
E é aí que te pergunto: o que fazer se essa vida me deixa assim?


O meu mundo não é como o dos outros,
quero demais, exijo demais;
há em mim uma sede de infinito,
uma angústia constante que eu
nem mesma compreendo,
pois estou longe de ser uma pessoa;
sou antes uma exaltada,
com uma alma intensa, violenta,
atormentada, uma alma que não se
sente bem onde está, que tem saudade…
sei lá de quê.

eu digo agora: tu me entendes?