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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

apropriações dos nós



sabe uma faca me rasgando,
um mundo se acabando, num sei,
roberto pintor, roberto o homem, a mulher
a mulher terrível, x homem lindx,
a noiva, a morta, o viúvo, a maravilha:
é muito difícil falar essas coisas,
eu não sei, o roberto sempre me trata
com choques elétricos, e eu chego pra ver
elx e me arrebento por elx e me desarrumo
por elx, não sei, é sempre surpreendente,
eu nunca sei o que vai acontecer, e cada vez
é como a vida tivesse se partindo,
se começando, se acabando...
roberto é muito maravilhoso (risos).

terça-feira, 9 de setembro de 2014

sê todo em cada coisa

“para ser grande, sê inteiro: nada
teu exagera ou exclui.
sê todo em cada coisa. Põe quanto és
no mínimo que fazes,
assim em cada lago a lua toda
brilha, porque alta vive.”
Fernando Pessoa

segunda-feira, 21 de julho de 2014

olho no mundo, boca aberta, coração no mundo.


acordei breve. abri os olhos e quase nada de vazio, acorde breve sem pesos. o amor voltou a viajar pela portas dos meus olhos. acordei ontem no supermercado ao comprar um saco de pão. digo de passagem um enorme saco de pão. lembrei de uma amiga peruana e suas memórias intensas com um saco de pão, ela numa bicicleta – a minha dos meus devaneios e ela andar com suas lutas segurando um saco de pão. acordei breve goethe, werther e camila. acordei num dia amarelo dos meus sonhos, morrendo num dia breve. querendo também morrer num dia azul. sentindo desejo da camila, não sentindo falta ou raiva (ouviu?). sentido desejo do revelar-se sem medo de amar.

o disponível me chama
estou aberta pra brincar com meus fios no mundo
pode deitar no meu peito e me devorar até o último breve respiro. 

domingo, 26 de maio de 2013

"os elementos das pessoas também dizem muito para a gente, não só para elas.
tenho relações verdadeiramente elementais com as pessoas.
se é terra, endureço pois também sou. os de água me deixam molinha e passeativa. os de ar eu dou uma viajada, prô bem e prô mal. os de fogo, meus não favoritos, mas sim, grandes amigos, meu irmão bernardo, por exemplo; mas os de fogo me queimam mesmo, talvez por isso não sejam meus prediletos. me machucam, mas ainda bem que me machucam pois aprendo um bocado nesse momento.
ontem uma pessoa que não gosto me abraçou, por mais que eu seja protegida (pelos animais - lembrar de contar essa história aqui), pelo meu pai, pelo espiritismo, pela astrologia, pelo meu travesseiro, mas mesmo assim, mesmo assim. uma mulher que não gosto, e nenhum amigo gosta, me abraçou ontem. elementos confusos os dela. saco elementos na hora, mas ela confusa. ela invertida. ela contrária.
estou negando uma parte do meu mapa astral, ou então estou sublimando lindamente. jamais serei gênio. no máximo herói. canina. coringa."

letrúcia de capricórnio 

sábado, 7 de julho de 2012

das impermanências


quem amassa o pão não é o diabo, meu caro amigo.
quem põe o pão na mesa não é o diabo, meu tenro amigo.
quem dá o preço e colhe mentiras não é o diabo, meu doce amigo.
quem escolhe e se nutre de ilusões não é o diabo, meu sofrível amigo.
quem julga, mente, mata, tortura e contradiz não é o diabo.
e não por fim meu caro amigo, bebemos em brinde a nossa vã existência.
um brinde ao que se amassa e não se percebe, meu tenro amigo!