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domingo, 5 de abril de 2015

- o que é páscoa pra você?
- alegria.
- e como é isso?
- é quando a gente tá feliz, brinca e abraça.
ela sai da cama e me abraça!

domingo, 1 de março de 2015

a vida é um oceano e a gente fica com o olhar atento pra ver baleias emergirem à superfície.

sábado, 10 de janeiro de 2015

dilatamento do corpo


ô  céus, ô vida, ô divino que me dilata! gratidão por cada pessoa que já encontrei até hoje nessa vida, gratidão por cada desejo de amor que recebi ontem, pela lua amarela de ontem, pelo nascimento do coração novo que recebi na virada... o recomeço, amor, morte e nascimento! que os encontros em minha vida sejam cada vez mais profundos, sinceros, alegres e o que tiver pra ser de vida. gratidão vida! 

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

domingo, 5 de outubro de 2014

de peito vazio caminhando pela cidade te encontrei
a chuva revelou seu cheiro absurdo doce
sua estranheza me chamou o desconhecido.

a menina-menino adormecida acordando
comendo a fruto do lobo
a fruta mais intensa que já lambiscou.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

o mar termina onde?

pressentindo sua presença resolvi sair de casa com uma sacola de plástica pra proteger meu fone de ouvido. e você veio como meu instinto pressentiu. você sabe que sou apaixonada por músicas, que quando corro pela cidade meus ouvidos viram uma discoteca ambulante. o plástico salvou a tecnologia. enquanto eu, livre, corria como um cavalo com água nos pés. dessa vez foram águas nos meus pés que me lançaram no abismo da vida. de gotas pequenas até trovoadas intensas da chuva tanto esperada por mim. você veio. corri, corri, corri, corri... senti você em mim. me rasgando, me invadindo, me amando, me querendo por todos os lados. eu te tive em pressentimento e presença. e acalma do fim do arrebatamento trouxe o caminhar. caminhei com você e o vento que nos levou além de nós. sopramos, chovemos, dançamos numa quarta de impulsos. dessa vez resolvi voltar pra trás, você já tinha cessado, mas a presença havia mudando todo espaço, o cheiro das coisas. voltei e tudo não era a mesma coisa que tinha sido da corrida inicial. era tudo assim novo novamente. as cores estavam azuis, o amarelo no azul, o verde no azul... o azul no caminho se fez de volta pra casa. aí pensei nessa vontade louca que estar me dando de dar um tempo com brasília. eu a amo, mas precisamos dar um tempo. preciso disso pra viver. ela me entende.
te contei que peguei no caminho cagaita? que a primeira mordida que dei senti a vida em mim? te contei que catei no caminho uma fruta desconhecida? não sei do que se trata. ela tá na cozinha agora me esperando.
ela me chama nesse momento. 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

domingo


vou andando pela cidade. esbarro aqui, esbarro ali. e chego nos encontros. eu e ela, a cidade. brasília.
e você pode andas por brasília? por onde andou e levou um pouca da cidade no corpo, no pulso da memória? e se eu te pedir pra compartilhar uma (mais que uma) memória, você me empresta sua história com a cidade de brasília?
é simples, bem simples... você me envia uma foto de um lugar de brasília que te causa afeto, seja lá qual for esse afeto. amarelo, rosa, azul, vermelho, preto... água...nuvens... cachorro... carrinho de picolé...tá valendo. se quiser também compartilhar sua história com o espaço, também é bem vindo. é mais que bem vindo.
sei que eu não disse muita coisa sobre essa relação entre eu e brasília, mas vou dizer duas palavras que norteiam essa dança: solitude e encontro.
pros que toparem embarcar nesse barco, peço que enviem um email pra marcinha com sua foto e história. quem sabe uma carta... ela adora receber cartas.
ps: se puderem compartilhar esse convite, vai ajudar a redear o chamamento ;)

domingo, 31 de agosto de 2014

cura-me


uma noite qualquer e toda a sua impermanência dos encontros. um paradoxo de se permitir e esquecer. perdoar. um olhar sem medo o que o corpo tem a dizer. o poder do corpo. uma noite vermelha. intensa. uma cozinha desenhada com muitas flores bocetas.
mil mulheres podemos ser na fila do supermercado, na pia da cozinha. na minha cama que meu sexo me conecta com a vida. em qualquer lugar.
instinto.
corpo fera desatando nós. desatando o medo querendo ser coragem. coragem amor pra combater a covardia a cada instante do viver, do desejar algo que é além do que posso imaginar.
perceber no distrair e não no fugir que a intensidade nos aproximou, e também, nos afastou. me corrói a ausência, o não dito, o incompreendido, a fuga que não foi só minha. me dói no peito e me fortalece. me faz romper as jaulas que não são só minhas. transformando o não , desatando o não.
movendo os moveis do lugar, removendo minhas memórias das paredes.
relembrando que num primeiro encontro parangolé a pureza foi um mito. o que existe,  tem e é, é a imperfeição e um aceitar o outro em todas as suas potencialidades. ter concessões pelo amor, ter coragem pra combater a apatia, o peso e a defesa que ainda pode existir.
que a alegria também se constrói. ela existe em mim também.
tudo é construção.
é um invento que posso intuir.
é contradição. é momento. é nada.
te vejo no meu presente, no meu futuro, no meu passado. no meu destino.
isso parece que existe. é um perfume em mim.
é um palco vazio trazendo a nostalgia do encontro impermanente.
é a fragilidade do amontoado de palavras que me levam a nada, ou sim, me levam ao meu encontro.
do descobrir solitude.
janelas com luzes  que me causam uma grande saudade nostálgica da sua presença passional. fugitiva. la fugitiva. aventureira.
pela infâmia do destino pode ser que seja só melancolia. outro ensaio melancólico de mais uma perda.
escrevo pra entender e pra esquecer. perdoar, assim com toda prolixidade e repetição das palavras. e quando não lembrar com tanta precisão, voltar aqui. não sei. não sei.
porque é natural que seja assim você aí. e eu exatamente aqui. e isso é lindo. vai durar.
estou te amando no gerúndio
é serio
é possível o passageiro
me lasquei
não sustento nada
não me cobre
não me infâmia
não me castigue
.
.
.
dar vontade de ser outra pessoa
diferente inconstância
bandoleira
o si mesma fiel a mim
a ti
.
.
.

e que seja mágico. 

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

o si mesmo, é o si perder de si


sou um abacate espatifado no chão


abacateiro florindo
cai no seu tempo
flórea a terra vermelha
colho os espatifados na terra
colho, faço, invento
imagino
um almoço na seca
tempero do prazer
da esperança verde
meu alimento cai do alto
samba meu coração
sou continuação. 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

o intratável

AFIRMAÇÃO. contra tudo e todos, o sujeito afirma o amor como valor.

[...]

4. há duas afirmações do amor. inicialmente, quando o amante encontra o outro, há afirmação imediata (psicologicamente: deslumbramento, entusiasmo, exaltação, pouca projeção de um futuro pleno: sou devorado pelo desejo, pelo impulso de ser feliz): digo sim a tudo (cegando-me). em seguida vem um longo túnel: meu primeiro sim é corroído por dúvidas, o valor amoroso é incessantemente ameaçado e depreciação: é o momento da paixão triste, do surgimento do ressentimento e da oblação. desse túnel, entretanto, posso sair; posso "superar"sem liquidar; o que afirmei uma primeira vez, posso novamente afirmar, sem repetir, pois, agora, o que afirmo é a afirmação, não sua contingência: afirmo o primeiro encontro na sua diferença, quero seu retorno, não sua repetição. digo ao outro (antigo ou novo): RECOMECEMOS.

barthes, roland. fragmentos de um discurso amoroso. pág. 18.

quarta-feira, 23 de julho de 2014


e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar
toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida, nunca mais se deixe esquecer
aonde nasce e mora todo o amor.