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segunda-feira, 21 de julho de 2014

olho no mundo, boca aberta, coração no mundo.


acordei breve. abri os olhos e quase nada de vazio, acorde breve sem pesos. o amor voltou a viajar pela portas dos meus olhos. acordei ontem no supermercado ao comprar um saco de pão. digo de passagem um enorme saco de pão. lembrei de uma amiga peruana e suas memórias intensas com um saco de pão, ela numa bicicleta – a minha dos meus devaneios e ela andar com suas lutas segurando um saco de pão. acordei breve goethe, werther e camila. acordei num dia amarelo dos meus sonhos, morrendo num dia breve. querendo também morrer num dia azul. sentindo desejo da camila, não sentindo falta ou raiva (ouviu?). sentido desejo do revelar-se sem medo de amar.

o disponível me chama
estou aberta pra brincar com meus fios no mundo
pode deitar no meu peito e me devorar até o último breve respiro. 

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

eu quero tatear, imbricar na pele. eu quero serestar o instante. eu quero instante-ar cada afeto. ventar, ventar, ventar. transbordar amor, abraços. eu quero a leveza de um rio. a sutileza de uma barriga d'água.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012


de baixo das flores amarelas
tinha uma terra seca, vermelha
que cegou a gente numa dança torta
o cerrado me encerrou

calma, calma, calma
deixa molhar, deixar chegar
deixa cair, deixa chover
deixa nascer o percurso
deixa escorrer no chão os nossos vestígios
que nosso tempo está por vir

prepare a terra pra semear
jorre toda a água  pra brotar
que nosso tempo está por vir
segure nas minhas mãos
deixe brotar nosso vento...


sábado, 25 de agosto de 2012


um lenço verde sobre a grama
uma menina passou correndo com um ratinho na mão
outra passa toda colorida com um cachecol vermelho
do meu lado o lago e o por do sol laranja
e o silêncio da tarde cinza que é Brasília
na ponte de concreto passos largos de pessoas distantes
sábado sisudo varreu meu entardecer
cultivei alguns silêncios cinzas
até aparecer balões e um sapo
uma menina sem nome passou e plantou o mesmo sapo numa árvore
que parecia chegar nas nuvens dos seus olhos
outra moça morena fotografava e escondia o tempo no seu bolso
seu nome era Júlia
ela não disse, mas eu suspeitei
e tão delicada que era me emprestou sua máquina captadora de tempo
no lenço verde sobre a grama
enquadrei uma moça rosa que esperava sorridente
a moça que havia corrido com seu ratinho
o sol cansou-se da tarde e foi embora para outro pais
não deixou remetente, não disse adeus
mas deixou um amor flutuando no lago
era um balão amarelo que flutuava sobre água serena
depois apareceu outro balão rosa claro
e outros de outras tantas cores
que cabiam dentro dos meus olhos
e enfim a noite me acolheu

segunda-feira, 23 de julho de 2012

só pra constar nos registros por aí

banana por quatro motivos:
primeiro, descobri recentemente que gosto da sensação do amarelo.
segundo, porque amarelo é a cor mais bonita que existe nem que seja só um pouquinho no canto de uma folha branca.
terceiro, descobri que banana é bom para curar cãibras, e eu tenho muitas delas.
quarto, o tempo da banana é diferente das outras frutas. tem um preparo antes, um desvelar, um descascar em estrelas. um tempo diferente, talvez as outras frutas tenham outros tempos diferentes. quero pensar depois no tempo da pitangueira,   deve ser tempo...

domingo, 22 de julho de 2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012



Geometria inflexível,
determina o espaço.
E o estrago está contido,
noves fora eu não sou nada não.

Passarinho colorido
bateu asa e foi embora.
Se eu pudesse ia contigo,
mas eu sei que não é por bem
deixar quem se tem.

Um certo autismo me salva.

Um certo autismo me salva.

Vindo de longe,
descendo bem alto.
De peito aberto,
consciente da missão.
Eu tô num processo
que precede a vida.
No infinito o mar,
brilhos na escuridão.
Arte: Renato Moll
Texto: Mombojó

sexta-feira, 13 de julho de 2012

trocando a beleza pela sutileza. daí é um passo para beleza e outros sabores.

quarta-feira, 11 de julho de 2012


hoje dei um abraço de chegada
que durou um tempo de um
abraço de partida com adeus.

sábado, 7 de julho de 2012


buriti, tu
parece tatu.
amarelo doce
na minha boca.
tierra bendita,
tierra linda!

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Serestando



Sem açúcar e com muito afeto serestei com as mulheres da Ana. Serestei com o corpo atento no tempo de suas inúmeras mulheres velhas. Ela que sabe diferenciar velhices pelos micro-tempos, micro-tensões, micro-detalhes, micro-sensações, micro-percepções, grande Ana Cristina Colla. Da minha janela vi a velha mais sábia, aquele que já sabe do tempo e brinca com ele, aquela que vivencia a duração dos movimentos da vida. Aquela que ainda tem tempo para soltar um aviãozinho de memórias no tempo até se desgastar com ele. Ui, o tempo leva... a velha da cadeira, a velha preta da cama, a velha tímida e meio medrosa, a mulher louca da cidade, a velha que dança o tempo. Ana seresta a vida dessas mulheres com uma generosidade absurda, com uma intensidade de “ser” e “estar”, eu vi. Eu senti que serestei com ela pelo meu olhar, por tudo que é corpo, eu senti muito... Fui atravessada, fiquei em pedacinhos, me refiz inúmeras vezes... O primeiro encontro com olhar um dia antes no Careca já me anunciava o dia de hoje... micro-tensões, finíssimos fios invisíveis que ligou nossos territórios. O barco flui no corpo da Ana. Me flui em emoção em enternecimento em vê-la... Um orgasmo conjunto que não é exagero de pisciana muito menos de capricorniana... A penúltima velha revivida pela seresteira Ana me deu um presente lindo, essa carta ai em cima borrada com o suor dela. Essa carta tem cheirinho, tem peso, tem textura, diz muito mais que as simples palavras que existem, tem cor amarela, sabor de goiaba... Era pra mim essa carta, eu já sabia. Era, porque eu queria muito e me veio aviãozinho no liame do tempo... E nunca te contei que amarelo é cor mais bonita que existe?  Lembrei de você coruja. 

Obrigada Ana pelo tempo compartilhado generosamente.