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sábado, 10 de novembro de 2012

transparência de água

certos momentos me visto de um olhar de vidro,
capto um tempo louco dentro do tempo.
ou seria fora dele?

eu (in)vento
vejo um cabelo dançando com o vento. 

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Quando a gente não quer a vida rodopia o nosso não-querer, e faz um querer-aparecer.  Danada que ela é, ontem me mostrou sobre o que é voltar para placenta viva de um espaço-tempo. Bem aqui dentro eu sou e me lanço no abismo. Consegue ver a imensidão que eu posso ser? Eu sou o tempo. Eu te escrevo com o corpo todo essa caligrafia improvisada no tempo. É porque ando harmônica com o instante-já-agora-aqui. Viu? Rio. Tudo isso agora parece um instante dançando enquanto relembro o passado. Eu fico toda apaixonada. É sério, ontem foi tanto, que morri dez mil vezes por segundo. Você viu? É isso! O tempo sou eu, e também é você. Sutil. Meu tempo é lento mesmo, é assim que eu sei ser, menos burocrática. Ai, você já sabe da história, me abro toda. Eu sou um espaço aberto. Nem sempre, mas estou praticando semanalmente essa possibilidade de abertura. Bem, quem sabe daqui pra frente vire uma rotina. Rotina das boas, não é? 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sei o que estou fazendo aqui:estou improvisando.


[...] “Estou tão ampla. Sou coerente: meu cântico é profundo. Devagar. Mas crescendo. Está crescendo mais ainda. Se crescer muito vira lua cheia e silêncio, e fantasmagórico chão lunar. À espreita do tempo que para. O que te escrevo é sério. Vai virar duro objeto imperecível. O que vem é imprevisto. Para ser inutilmente sincera devo dizer que agora são” dez e trinta e três da noite improvisamento  (pág. 44).
[...] “Como reproduzir em palavras o gosto? O gosto é uno e as palavras são muitas. Quanto à música, depois de tocada para onde ela vai? Música só tem de concreto o instrumento. Bem atrás do pensamento tenho um fundo musical. Mas ainda mais atrás há o coração batendo. Assim o mais profundo pensamento é o coração batendo” (pág. 46).

Água Viva, Clarice Lispector. 


sexta-feira, 21 de setembro de 2012


É de imaginar bobagem
Quando a gente liga na televisão
Toda dor repousa na vontade
Todo amor encontra sempre a solidão

Todos os encontros todos os poemas
Manda me avisar
Manda me avisar

Todos os embates todos os dilemas
Manda me avisar
Manda me avisar
Eu sei
Todo ser humano
Pode ser um anjo

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

corazón batiendo fuerte. sentimiento de viajen.


chegô gogô dagô



o amor é um abraço. o amor é uma chegada. ás vezes chega de perto, outras de lisboa. o amor  é muito e quando muito transborda. ameixas. amoras. amarelas. amarelos. o amor é quando uma alegria bate na boca do estômago. o amor é quando cores caem numa folha branca. o amor tem muitos nomes, nasceu pra ser gente, e gente tem muitas cores. o roberto, por exemplo, tem cor azul que é pra ficar no sol o dia inteiro. 

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

com um pensando de agora vai. um tantinho confiante, com uma sensação céu na boca. saborzinho de que é mais possível. e tudo nessa vida é possível. atravessar um mar de folhas secas, voar por entre flores e estrelas, por entre quadras e super quadras, bem no alto vendo um cerrado sobrenatural. eis aqui minha cara. tem cor, tem sangue, tem muita vida. ás vezes da muito medo sim senhor, mas sou filha do vento. e vou. eu vento. e quando vi, já me perdi, já me achei, já me perdi dez mil vezes por segundo. é um tanto de tudo todo dia. é uma pedra no sapato, é um beijo no estômago, é sopro entre os dentes, é suor de tanto correr, é febre, é grito, é gente. é muita gente. é muita gente por dia. é canto. é água. é conta. é silêncio. é choro. é tristeza. é alegria. é vida turbulenta. é medo... é eu, sou eu, somos nós. é respiro. é inspir a ç ã o. opa, um zilhão de batimentos por segundo.  e logo logo bate outro vento, e outro, e outro, e mais outro... não pára, nunca pára. se pára não existe. morte é movimento pra vida... hoje descobri um caminho lento nas barbatanas de um visionário. ele é cabra sabido e astuto. me disse assim no cantinho do pé do ouvido que não tem resposta não. não tem jeito não menina. tem que viver mesmo. tem que se arriscar, botar o bloco na rua. seja como for eu estou de partida. estou indo ventar porque meu corpo batuca, dança... se alegra mais do que se entristece. 

quinta-feira, 26 de julho de 2012


Ela ainda não sabe quem é… Ela se ocupa com seus barquinhos e com as suas desimportâncias. Talvez ela seja as coisas tão gratuitas que a distrai… Esses barquinhos um dia foi um lindo caderno que um amigo lhe deu. Ela não tinha coragem de escrever no caderno por achar que não tinha capacidade de escrever algo tão importante, foi então que resolveu fazer barquinhos de papel com o caderno. Assim ela viajou pra lugares bem distantes…
Um certo autismo a salva, eu e ela constatamos isso. Ela é salva por coisas tão gratuitas quanto à carta mais bonita que já recebeu sem ter sido escrito pra ela.  Assim como Santiago e Estamira quem sabe eles puderam suportar a melancolia de quem suspeita que as coisas aqui não fazem mesmo muito sentido.
Quem sabe ela veio de uma placenta de um morro verde amarelo do vento sul, ou quem sabe ela veio de todos os lados.
A cidade dela seria Bráxilia se não fosse Brasília. Mas ela a dama de concreto (Brasília) também é cidade… é ela que traz toda essa rica seca, esse cerrado absurdo, essas folhas das quais ela inventa e venta. Sutileza. Generosidade. Gratidão. Afeto.
A mãe dela reside nela, o pai dela reside nele.
Ela chegou naquele navio que navega e se perde a cada onda, a cada vento, a cada descuido, a cada destraimento, a cada momento, a cada instante...
Os marinheiros a puxaram pelo percurso louco da vida. Ela recebeu uma carta do acaso sem remetente dizendo que certos marujos iriam se reunir na grande odisséia do centro oeste. Lá foi ela brincar… se perder. 


já é um pedacinho de memória.





quarta-feira, 25 de julho de 2012


Estou numa odisséia há três dias com marinheiros desconhecidos que se tornaram conhecidos. Estamos (re)construindo pedacinhos de memórias, tecendo juntos uma odisséia... sendo generosos. 

domingo, 22 de julho de 2012

Com sete reais no bolso se faz um samba solitário. E dos bons neguinho. Com direito a pastel de queijo e amendoim torrado. Essa coisa de ter e esperar não faz sentido, não do mesmo jeito de antes de não ter e esperar. Agora é só ir sem ficar. Partir e talvez olhar pra trás mandando um beijo da estação. Me permite bailar essa canção que faz muito bem ao coração. Que nessa vida se vive bem com as desimportâncias.   E como é encantador a pele de um jovem senhor invadir seu espaço para uma conversa sobre a vida. E como é rico o encontro com o um jovem de cênicas. O nome dele é simpatia e o sobrenome dele é sorriso. Conversas instantes. Momentos instantes que se vão. E aquela parte que perco o tempo na escada lendo um livro esperando o enotraparte acontecer. E aquela outra hora que me apaixono por uma bela hermosa guapa de cabelos negros de dança forte, que roubou meus pensamentos. Ai... É um momentinho imenso de além. Ou aquele outro encontro com a Márcia. Pensei que coisa mais gostosa abraçar uma alma tão imensa. O cabelo dela é tão grande e enrolado que me envolveu.  Com sete reais no bolso pode-se ganhar o mundo sozinho. Até a volta pra casa ter morrido sete vezes e ter ressuscitado outras setes, foi um transbordo neguinho. Sambinha bom. 
vontade de abraço de elefante com duração de uma gest(a)ção.