a dor é uma possibilidade muito rica
se sente tanto que o coração aquece
o ar fica rarefeito
os olhos se transformam em mar.
o sentir é tanto e parece,
no meu caso,
que vou virar nuvem
vou virar pó.
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segunda-feira, 21 de maio de 2018
sábado, 12 de maio de 2018
˝Não mais penso,
Nem sei se existo.
Acho que me perdi dentre sinapses convulsas, congestionadas.
Meu cérebro me expulsou, me cuspiu.
Sou mente errante.
Minhas lembranças esvoaçaram. Fiquei sem chão. Sem o chão da minha história.
Vivo de estórias instantâneas feito leite em pó.
Queria querer me encontrar, mas não sei mais querer.
Queria espelhos íntegros pra me ver.
Queria poder voltar, mas não sei pra onde.
Queria ir pra frente, mas não sei pra onde.
Sinto-me em abandono, apesar de não qualificar abandono.
Estou num estado. Estou sem ser.
Tudo que vejo tenta me fecundar. Mas sinto ser estéril.
Não sei por que, só sei que quero vestir alguém. Experimentar alguém.
Quero um encaixe. Quero uma forma. Uma forma que me dê forma.
Sinto dores. Por todos os lados, sinto dores. Acima, abaixo, dos lados.
Ah, se fossem dentro, essas dores seriam um caminho pra mim.
Quero uma chance.
Você, quem sabe você. Você é minha chance.
Me acorde, me acorde.
Me tire daqui, ou daí, ou dali.
Se puder, rasgue meu tempo, me encontre.
Só quero voltar a existir.˝
autor@ desconhecido ou poderia ser eu.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
galope rasante
e surge o entendimento do não
pertencimento. o desajuste. o desencaixe. eu não pertenço a nada que não seja a
mim. me pertenço e já não sei se me pertenço. cansada disso que mora em mim e
que não tem nome. é uma dor que carrego, que nasce todos os dias. que
transformo em alegria, que só sei que tá aqui dentro como um elefante a andar
pela cidade. cansada dessa dor que também é meu alimento pra vida, que é a cor
da minha alegria. cansada sim, mas não me desisto. me curo das setes quedas. quero me levantar. cansaço de entender a lógica. eu quero só ser. mas não. eu
sou um gerúndio. uma criança que guarda na profundeza do seu abismo uma
esperança. esperança é um nome bonito, mas preciso ter cuidado com ela. ás
vezes acho que tenho esperança demais. sonho demais. me aguardo demais nas
profundezas de mim. não sei se isso me faz tão bem. não faz, não fez. esperar
um amor que sempre parte sem silêncio não faz tão bem. estou confusa com esse
amor que me rasgou inteira, que me faz acordar pela manhã tendo esperança de
viver, de olhar pro céu e morrer de amor. me rouba o pensamento por alguns
segundos em parte do dia. eu tento controlar e já estou falando desse amor que
preciso dizer adeus. e nem sei se tenho, ou sim tenho. se me envergonho desse
sentir. essa vontade de mandar mais um carta dizendo estou partindo, estou
rompendo de amor, estou indo a teu encontro em cumuruxatiba.
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segunda-feira, 22 de setembro de 2014
domingo, 21 de setembro de 2014
tenho soluços
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domingo, 31 de agosto de 2014
cura-me
uma noite qualquer e toda a sua impermanência dos encontros.
um paradoxo de se permitir e esquecer. perdoar. um olhar sem medo o que o corpo tem a
dizer. o poder do corpo. uma noite vermelha. intensa. uma cozinha desenhada com
muitas flores bocetas.
mil mulheres podemos ser na fila do supermercado, na pia da
cozinha. na minha cama que meu sexo me conecta com a vida. em qualquer lugar.
instinto.
instinto.
corpo fera desatando nós. desatando o medo querendo ser
coragem. coragem amor pra combater a covardia a cada instante do viver, do
desejar algo que é além do que posso imaginar.
perceber no distrair e não no fugir que a intensidade nos
aproximou, e também, nos afastou. me corrói a ausência, o não dito, o incompreendido,
a fuga que não foi só minha. me dói no peito e me fortalece. me faz romper as
jaulas que não são só minhas. transformando o não , desatando o não.
movendo os moveis do lugar, removendo minhas memórias das
paredes.
relembrando que num primeiro encontro parangolé a pureza foi
um mito. o que existe, tem e é, é a
imperfeição e um aceitar o outro em todas as suas potencialidades. ter concessões
pelo amor, ter coragem pra combater a apatia, o peso e a defesa que ainda pode existir.
que a alegria também se constrói. ela existe em mim também.
tudo é construção.
é um invento que posso intuir.
é contradição. é momento. é nada.
te vejo no meu presente, no meu futuro, no meu passado. no
meu destino.
isso parece que existe. é um perfume em mim.
é um palco vazio trazendo a nostalgia do encontro
impermanente.
é a fragilidade do amontoado de palavras que me levam a
nada, ou sim, me levam ao meu encontro.
do descobrir solitude.
janelas com luzes que
me causam uma grande saudade nostálgica da sua presença passional. fugitiva. la
fugitiva. aventureira.
pela infâmia do destino pode ser que seja só melancolia. outro
ensaio melancólico de mais uma perda.
escrevo pra entender e pra esquecer. perdoar, assim com toda prolixidade e repetição das palavras. e quando não lembrar com
tanta precisão, voltar aqui. não sei. não sei.
porque é natural que seja assim você aí. e eu exatamente
aqui. e isso é lindo. vai durar.
estou te amando no gerúndio
é serio
é possível o passageiro
me lasquei
não sustento nada
não me cobre
não me infâmia
não me castigue
.
.
.
dar vontade de ser outra pessoa
diferente inconstância
bandoleira
o si mesma fiel a mim
a ti
.
.
.
e que seja mágico.
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segunda-feira, 25 de agosto de 2014
tenho um sonho em minhas mãos.
acordei com a cara inchada de lágrimas e com vergonha filha
do ódio. eu sabia que iria acordar assim pela manhã. mas foi preciso expurgar
aquela dor que não era ódio. eu não sou ódio. eu sou amor e a cada dia afirmo
isso em mim. afirmo o amor pra me
entregar sem medos. e se não foi possível essa abertura com você eu resisto a
seguir. a recomeçar. a não ter tantos segredos.
e que só nos encontros eu aprendo. e com sua visita aprendi
muito. mas não tem desespero não. mas não tem revolta não. eu só quero que você
se encontre. saudade até que é bom é melhor que caminhar vazio. a esperança é
um dom que eu tenho em mim, eu tenho sim. não tem desespero não. você me
ensinou milhões de coisas. tenho um sonho em minhas mãos. amanhã será um novo
dia. certamente eu vou ser mais feliz. certamente caetano não vai se incomodar
de tal plágio.
desculpa.
desculpa.
o intratável
AFIRMAÇÃO. contra tudo e todos, o sujeito afirma o amor como valor.
[...]
4. há duas afirmações do amor. inicialmente, quando o amante encontra o outro, há afirmação imediata (psicologicamente: deslumbramento, entusiasmo, exaltação, pouca projeção de um futuro pleno: sou devorado pelo desejo, pelo impulso de ser feliz): digo sim a tudo (cegando-me). em seguida vem um longo túnel: meu primeiro sim é corroído por dúvidas, o valor amoroso é incessantemente ameaçado e depreciação: é o momento da paixão triste, do surgimento do ressentimento e da oblação. desse túnel, entretanto, posso sair; posso "superar"sem liquidar; o que afirmei uma primeira vez, posso novamente afirmar, sem repetir, pois, agora, o que afirmo é a afirmação, não sua contingência: afirmo o primeiro encontro na sua diferença, quero seu retorno, não sua repetição. digo ao outro (antigo ou novo): RECOMECEMOS.
barthes, roland. fragmentos de um discurso amoroso. pág. 18.
[...]
4. há duas afirmações do amor. inicialmente, quando o amante encontra o outro, há afirmação imediata (psicologicamente: deslumbramento, entusiasmo, exaltação, pouca projeção de um futuro pleno: sou devorado pelo desejo, pelo impulso de ser feliz): digo sim a tudo (cegando-me). em seguida vem um longo túnel: meu primeiro sim é corroído por dúvidas, o valor amoroso é incessantemente ameaçado e depreciação: é o momento da paixão triste, do surgimento do ressentimento e da oblação. desse túnel, entretanto, posso sair; posso "superar"sem liquidar; o que afirmei uma primeira vez, posso novamente afirmar, sem repetir, pois, agora, o que afirmo é a afirmação, não sua contingência: afirmo o primeiro encontro na sua diferença, quero seu retorno, não sua repetição. digo ao outro (antigo ou novo): RECOMECEMOS.
barthes, roland. fragmentos de um discurso amoroso. pág. 18.
domingo, 24 de agosto de 2014
eu lembro de tempo que minha mãe falava que as colheres lá
de casa sumiam, diminuíam sua quantidade de tempos em tempos. ela me acusava,
acusava os meus irmãos. eu acusava os meus irmãos, que eram lerdinhos. como se
eu também não fosse da mesma carne.
mas de outros tempos comecei
a achar um mistérios mágico tal sumiço
descomunal. me perguntava em que pés as
colheres gostavam de percorrer o mundo lá fora.
hoje morando não mais com minha mãe sinto a mesma sensação
de sumiço. não me desconfio mais do sumiço. acho graça essa perda e me sinto
uma colher sumiça que vai se deixando perder-se pela vida.
domingo, 21 de abril de 2013
da perda de si
do desviar o olhar
do olhar outras coisas, o entre
do perder de si por um instante
do esquecer de si
do fazer nascer o si mesmo.
domingo, 1 de julho de 2012
é o que é
o amor é perda
é o que é
e nunca será
o amor é perda
é ilusão soluçante
é o que sinto
e nunca tive
é passo no deserto
é um poderoso sentimento
que me toma todo o movimento.
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