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domingo, 3 de junho de 2018

amor meu grande amor


amor meu grande amor,
que nos encontremos quando formos nossos próprios brilhos
que seja doce e novo os próximos beijos
que nossa pele seja qualquer elemento
seja sinceridade
respeito
entrega
responsabilidade
seja amor
amor meu grande amor, me chegue assim tão de repente
sem avisar
sem endereço.


Desenho em aquarela da amiga Maíra Geraldo a pedido de presentear um grande amor. 

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

me faltam palavras pra dizer do ano de trovoadas e lampejos. e faltam mesmo palavras que envolvam o tudo de dois e catarse, como diria o rafa. palavra é pedra e o ano foi sensação brotando de dentro pra fora, de fora pra dentro. isso aí. tudo. lampejos. abacates estatelados no chão. cavalos com fogo nas patas correndo em direção ao mar. ano de quedas em abismos e lá no fundo de si não estando só de si o conhecimento, transformação, refazer, amar... só soube do amor, nas suas camadas mais doces e amargas. quero agradecer ao universo, que acho que engloba tudo pelo tudo que foi, que é, que serei a partir do que já fui. passado-presente. viva a morte! viva os encontros!! viva o amor esse mais belo ato de vida que carregamos no corpo e não só no corpo. viva o olho no olho, o abraço, o afeto, o sofrimento como abertura para a transformação, a generosidade, o tudo de ruim e de bom, os monstros!!! amor, obrigada por me mostrar que só no amor podemos viajar com aventuras. você é muitx maravilhosx, é uma faca me rasgando e eu nunca sei o que vai acontecer.  

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

"Escrevo-te com a veia aberta pulsando larga, dessa raridade que tu mesmo tem, do horizonte aberto, dessa palpitez do instante, o sufoco que desemboca no riso. A realidade do cérebro atualizada diariamente sem ter porque, burla-nos , se distrai, solidifica, comporta, realiza os repetidos enredos. Que o corpo da agora não pense na impossibilidade, que o corpo não pense, que o corpo se vá distraidamente no sendo. Se a natureza comporta essas dicas hospitalares, essa assepsia virtuosa da sobrevida, essas engrenagens que perfuram os tantos lugares de conquistas, não te baste sólido, nem muitos menos indigesto, crie na largura que existe e insiste, a entrega. E não é um pedido de morte, nem muitos menos um subterfugio da caridade momentânea e do egoísmo do sofrer. Requebra no tecido que se tem a curvatura monumental de uma nova articulação. Noturnas são as teias das entregas, o desgaste vem daquele que insiste no mesmo, é de vida que se tem- e muita- para poder morrer. Dedilho com os dedos do presente, o presente que me deu outrora. Berro de mundo que não quero, arranhando a garganta em desespero, de nada adianta, mas um canto ainda te mando em exagero. A confusão em desord.em, os cumes de apego, é de uma outra extratosfera a correspondecia cognitiva, é de um outro sentido a virtuosidade da razão. Frágil, obviamente, desconhecidos de um sistema espetacular de galáxias e sinapses em órbita do delírio. Ontem vi o encontro de duas galáxias, falo aqui em encontro porque é colisão. Ninguém se aproxima distraído, pacato e complacente, a beleza embrionária do choque cria a natureza necessária da tensão. Como dois rabos gigantes, recurvando-se sobre si mesmo, aderindo-se em espiraloso contato, convergendo a gravidade em dissipação. As galáxias, tão vagas para a nossa numerológica precisão, desatinam-se inteiras, curvam-se, recobrem-se para haver movimento, se saudam em explosão. Desse existir pleno e jogado, arremessado naquele teu largo horizonte, recoberto de nuvens, remexido inteiro em poeira, aberto ao todo momentâneo, carregamos a galáxia inteira e não notamos. E nessa suspensão dormente que, de maneira ou de outra, me encharcaria os olhos, relevo a condição necessária da vida, tão bem saudada, disposta, tratada como o inquilino sobrevivente, do avanço do verme cientifico, da cara disposta em normalidade de enredo. Sabemos que ter uma vida é diferente de se-la no infinito universo em que possa .Cria, cria com o sistema abatido, com a fragilidade exposta, no meio dessa tonalidade imposta, a obra última de partida. O medo desse ato é medo de viver, e pensamos: mas do que nos importa a vida!"

carta da carol barreiro para o vô.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

"a fé corre, a razão fala, a emoção tomba, o medo se protege, a verdade late. corra! corra! corra!"

O que eu sou... eu sou... eu sou um abacate estatelado no chão. É que quando eu olho de frente pro meu elefante a gente diz adeus. Adeus! E nós jogamos no abismo da vida! Caímos juntos, numa queda livre. Damos as mãos e do alto GRITAMOS: EU TE LIBERTO! EU TE AMO, EU TE AMO! PODE CAIR PROFUNDO EM DIREÇÃO AO AMOR. CAI SEM MEDO, SE POSSÍVEL FOR DANCE ESSA DOR. ESSA LÁGRIMA PRECISA SE TRANSFORMAR! Na frente da minha janela tem pé de abacate, e ele me ensina de tempos em tempos, de caídas e caídas que a vida é assim. É assim mesmo. Só depende dos teus impulsos a queda livre. Não tem para onde fugir. A gente foge porque ainda tem medo, tem um cachorro latindo alto dentro da gente. A gente pode não ver, mas uma hora isso se fará tão presente como um abacate que caí. A gente sente muito! Muito tudo, tudo e tanto! A gente sente muito a vida rasgando a pele da gente, perfurando as camadas, a gente é ser sensitivo cara! Não tem como não ser. A gente não aguenta aí dança.  Eu danço porquê senão eu morro doente. E morrer doente estraga as raízes! Porque a vida já não é tão pequena... e lá no fundo algo te late, ou como me seria: meu elefante LATE! GRITA! LATE! GRITA! LATE! Esses dias eu disse adeus a mim. Disse a mim mesma que me libertaria de toda defesa que pudesse atravancar o amor. Não estou de acordo com sua covardia, porque o amor que correr pelas ruas, que pular catracas, quer gritar pra quem quiser ouvir, que brincar de subir em árvores, quer descansar debaixo de uma árvore fresca, que correr com fé em direção ao mar, CORRER COMO UM ELEFANTE FEROZ EM DIREÇÃO AO MAR! SER ONDA INTENSA NUMA QUEDA LIVRE! Meu deus como pude ter me silenciado tanto, me enganado tanto, me matando tanto! Doente. CHEGA! CHEGA! CHEGAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA! Porque o mar é queda mais doce que pode existir. É a queda livre dos abacates do meu jardim, eles caem pra se molharem no mar! Caem porque não se aguentam mais e se libertam! Caem porque AMANHÃ RECOMEÇO! 

o vento que sopra entre nossos fios


Brasília é muito ampla. O que mais se escuta por aqui são os carros e os pássaros. Às vezes não se escuta nada, mas eu não aguento e tenho que tapar os ouvidos bem forte com os dedos. É um exagero, eu sei. Mas quando se fala de um espaço imenso, onde estão as pessoas?
Meus olhos ficam a procura de pessoas coloridas: uma pessoa azul poderia facilmente se confundir com esse céu enquanto voasse, uma amarela poderia muito bem estar empoleirada nos galhos de um ipê, e com certeza eu não conseguiria distinguir uma pessoa vermelha tirando um cochilo sobre a terra sangrenta do cerrado. Mas tem o vasto concreto, onde ninguém pode se esconder.... De certo as pessoas estão em suas vidas.
Existe tanta sutileza no óbvio...
Num amplo espaço de vazio, as árvores rompem o território de Brasília - existem árvores, pássaros, carros e eu.
Entre eu e a seca de setembro, avisto ao longe uma pessoa caminhando. Uma pessoa e o espaço. Uma pessoa grão no espaço, ou do espaço.
Não é preciso definir um grão de existência no infinito do existir. Apenas se é e isso já é tudo. Me perdi e começo a sentir a cidade falando pelo corpo.
De surpresa, o acaso desembrulha um leão caminhando na savana de setembro. Um amigo leonino passa por trás de mim. Só percebi que era um amigo, porque olhei movida pela curiosidade de saber quem habitava aquele espaço tão amplo. Uma dimensão subjetiva da manhã, um sol rasgando o meu silêncio. Meu minuto de silêncio interrompido.
Ele, esguio e magro, passava pelo caminho dos desejos com sua juba invisível e seguiu em frente. Nada disse e passou. Passante. Talvez ele não quisesse interromper o meu espaço amplo. Naquele momento eu habitava um amplo espaço, eu era um grão de existência debaixo da sombra de uma árvore do cerrado no mês da seca. Ele era o passante a romper o vazio de Brasília.
Brasília é espaçosa. Em todo canto as aranhas constroem condomínios de luxo. E o vento que sopra entre seus fios, corre por Brasília com oito pernas de saudade em direção ao mar. Aos mares. A mim. Ás vezes, eu mesma estou seca e o vento morre na praia. Então eu passo a língua nos lábios e uma onda transforma esse corpo de vento em som.
Tentei assoviar para o leão, na tentativa de um contato direto, mas não surtiu efeito direito. Não insisti e voltei para o encontro imediato com espaço. Espaço. Espaço. Tão amplo e tão tempo... é essa a imagem que percorre meu dia a dia pela cidade. Eu ando a pé para acalmar as ondas. Eu ando a pé para desbotar a minha cor de concreto, pra alimentar outros desejos, pra descobrir novos caminhos.
As pessoas existem nos espaços amplos de Brasília.
Brasília é meu castigo.

Marcia e Roberto

domingo, 5 de outubro de 2014

vai


mas "óh", não é papo de luz no fim do túnel
e o caralho.
nem atalho pra felicidade.
é só o chiclete da dor que masco até perder o gosto
e então cuspir e dizer:
- já vai tarde!

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

gerúndio absoluto

acordei balançando às cinco da manhã...
a boca babando com fome de vida
a língua molhada
coração pulsando
acordei ao som de pássaros
inúmeros vizinhos cantando a cidade invisível
o silêncio absoluto dos pássaros
a cidade ainda escura
os abacates compartilhando  o divino absoluto comigo.
“A gula está relacionada à repressão sexual. Existe um fino canal que liga a ponta da língua ao sexo. Você não pode realizar a meta da vida sem passar pelo sexo. Quando puder se libertar da repressão, todo o seu sistema vai relaxar, e um espaço interno se abrirá. Então, sua consciência te ajudará a se alinhar com os hábitos alimentares.”

sábado, 20 de setembro de 2014

tens medo de fazer amor comigo?
- tenho - respondeu ele.
- por eu ser preta?
- não, não é por seres preta que eu tenho medo.
- tens medo que eu esteja doente...
- sei prevenir-me.
- é porquê, então?
- tenho medo de não regressar. Não regressar de ti.
m.c
“Eu estou te convidando para ir além do medo, além do controle. Estou te convidando para viver a experiência de estar vulnerável, deixando Deus te levar. Simplesmente relaxe e esteja atento a sua intuição, à sincronicidade. O seu coração sabe o caminho.”

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

empoderamento



como eu amo a vida. é uma espécie de mágica. é uma dança que me desloca pra dentro e fora de mim. é um instante pequeno e gentil de entrega. e só basta eu ficar atenta, forte, com um olhar amplo, generoso e vivo. é preciso viver com coragem a cada instante único que se pode ser pleno. é preciso se entregar. hoje tenho dimensão desse amor, das oportunidades que ela me oferece. e como são tantos os sinais no caminho. antes eu tinha medo, era cega e não via seu emaranhado do todo que nos une. um elo. eu só quero agradecer a ela, pelo inúmeros presentes no caminho, que vão desde encontros com pessoas preciosas e abacates estatelados no chão, ipês amarelos feito algodão doce, nuvens no céu, eu indo ao encontro de um grande amor. um grande amor que nunca morre. e se morre é pra nascer diferente. transformado.  re-curso de um rio. vivo. obrigado por tudo, vida!obrigado pelo entendimento do desatar nós, do desatar defesas do meu coração, essa dureza imposta que agora posso transformar. amo você vida! amo tudo isso e tô aqui com coragem pra viver. pra ficar descabelada e assanhada de querendo toda em mim. 

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

reconhecendo o amor



me perdi na escrita por querer te encontrar
e me encontrei
me encontrei sentada sozinha num pé de cupinzeiro
lá estava eu a meditar,
a escutar a música que a vida quer me presentear
escrevi sem vaidades pra entender, pra não entender
pra rir e chorar esse amor que tanto me transformou
que raiou um amor adormecido pelo sofrimento
que fez nascer um novo amor coragem
coragem pra combater o medo.  

domingo, 24 de agosto de 2014

todo domingo me entrego



...me entrego, ofereço, reverencio a tua beleza
física também, mas não só,
não só
[...]
e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar
toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida, nunca mais se deixe esquecer
aonde nasce e mora todo o amor...

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

"A entrega é possível somente se existe confiança; e a confiança é um florescimento. Você pode ficar encolhido na beira do abismo do amor por meses, anos, ou muitas vidas, com medo de pular. Você pode estar ouvindo o chamado do amor pedindo para você pular, mas quando estará pronto para isso não é possível determinar.”

sim prem baba

quarta-feira, 23 de julho de 2014


e se abraçar com força descomunal
até que os braços queiram arrebentar
toda a defesa que hoje possa existir
e por acaso queira nos afastar
esse momento tão pequeno e gentil
e a beleza que ele pode abrigar
querida, nunca mais se deixe esquecer
aonde nasce e mora todo o amor.