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quarta-feira, 8 de outubro de 2014

pelo direito de ser monstro


Era uma roda, eu de frente pra ela. Ela de frente pra mim. Na verdade só existia eu e ela. Meu olhar já não tão meu. Quando vi, eu estava apaixonada por ela. E nunca tinha pensado sobre isso, e por um olhar profundo me entreguei pela primeira vez.
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Esses dias eu lembrei que o primeiro beijo que eu dei foi de baixo de uma árvore. Eu e ela que não mais me recordo, o nome, a data, fizemos uma casa de pano debaixo dessa árvore, era um dia de ensaio de chuva. Estava frio, mas me recordo pela sensação e memória do corpo que boca dela era quente. Meu deus como eu pude ter esquecido isso.
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Eu fui a São Paulo visitar um amor e comprar meias. Passeando pela avenida Paulista, ou Augusta. Minha memória me escapa a avenida, mas me lembro de te visto uma mulher com mini short e um tope, ela dançava sua sensualidade pura nas ruas da cidade. Foi o olhar mais convidativo e sensual que uma mulher me lançou.
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Eu sempre me achei um corpo masculino. Olha esses braços... esse tronco é muito masculino. É por isso que na infância as crianças me chamavam de Maria, Maria Machão! Eu tinha um ódio disso. Eu sentia que tinha algo errado com aquelas crianças. Eu não entendia e chorava, comecei a bater em todo mundo que me caçoava.  Olha só que brutalidade que truculência que eles nos fizeram. 

domingo, 24 de agosto de 2014

eu lembro de tempo que minha mãe falava que as colheres lá de casa sumiam, diminuíam sua quantidade de tempos em tempos. ela me acusava, acusava os meus irmãos. eu acusava os meus irmãos, que eram lerdinhos. como se eu também não fosse da mesma carne.
mas de outros tempos comecei a achar  um mistérios mágico tal sumiço descomunal. me perguntava em que pés as colheres gostavam de percorrer o mundo lá fora.
hoje morando não mais com minha mãe sinto a mesma sensação de sumiço. não me desconfio mais do sumiço. acho graça essa perda e me sinto uma colher sumiça que vai se deixando perder-se pela vida. 

domingo, 29 de setembro de 2013

lembrança

"menina
vê por onde anda
que a rapaziada já quer te engolir
menina
cadê tua turma?
se não tem, se enturma
dá teu jeito, então
cuidado com a sinceridade
já mataram a verdade e eu não li no jornal
que o mal dessa gente miúda
é fazer da palavra glorioso punhal
menina
a soberba é surda
vai que a moda muda
guarda teu refrão
menina
sei que a saia é justa
pra cair não custa, basta um tropeção
cuidado com a mal da maldade
já mataram a verdade
e eu não li no jornal
que o mal dessa gente miúda
é fazer da palavra glorioso punhal
menina
vem viver a vida
firme decidida, como deus bem quer
quem sabe é tua sina
pra dormir menina e acordar mulher
cuidado com a sinceridade
já mataram a verdade e eu não li no jornal
que o mal dessa gente miúda
é fazer da palavra glorioso punhal
menina..."