sábado, 11 de outubro de 2014
a necessidade de construção de políticas globais, a construção de uma nova definição de democracia.
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zygmunt bauman
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
pelo direito de ser monstro
Era uma roda, eu de frente pra ela. Ela de frente pra mim. Na verdade só existia eu e ela. Meu olhar já não tão meu. Quando vi, eu estava apaixonada por ela. E nunca tinha pensado sobre isso, e por um olhar profundo me entreguei pela primeira vez.
...
Esses dias eu lembrei que o primeiro beijo que eu dei foi de
baixo de uma árvore. Eu e ela que não mais me recordo, o nome, a data, fizemos
uma casa de pano debaixo dessa árvore, era um dia de ensaio de chuva. Estava
frio, mas me recordo pela sensação e memória do corpo que boca dela era quente.
Meu deus como eu pude ter esquecido isso.
...
Eu fui a São Paulo visitar um amor e comprar meias.
Passeando pela avenida Paulista, ou Augusta. Minha memória me escapa a avenida,
mas me lembro de te visto uma mulher com mini short e um tope, ela dançava sua
sensualidade pura nas ruas da cidade. Foi o olhar mais convidativo e sensual
que uma mulher me lançou.
...
Eu sempre me achei um corpo masculino. Olha esses braços... esse
tronco é muito masculino. É por isso que na infância as crianças me chamavam de
Maria, Maria Machão! Eu tinha um ódio disso. Eu sentia que tinha algo errado
com aquelas crianças. Eu não entendia e chorava, comecei a bater em todo mundo
que me caçoava. Olha só que brutalidade
que truculência que eles nos fizeram.
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receita para arrancar poemas presos
A maioria das doenças que as pessoas têm
São poemas presos.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras
calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima
Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.
Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.
Eu venho do espírito santo
Eu sou do espírito santo
Trago a Vitória do espírito santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.
Abscessos, tumores, nódulos, pedras são palavras
calcificadas,
Poemas sem vazão.
Mesmo cravos pretos, espinhas, cabelo encravado.
Prisão de ventre poderia um dia ter sido poema.
Mas não.
Pessoas às vezes adoecem da razão
De gostar de palavra presa.
Palavra boa é palavra líquida
Escorrendo em estado de lágrima
Lágrima é dor derretida.
Dor endurecida é tumor.
Lágrima é alegria derretida.
Alegria endurecida é tumor.
Lágrima é raiva derretida.
Raiva endurecida é tumor.
Lágrima é pessoa derretida.
Pessoa endurecida é tumor.
Tempo endurecido é tumor.
Tempo derretido é poema
Você pode arrancar poemas com pinças,
Buchas vegetais, óleos medicinais.
Com as pontas dos dedos, com as unhas.
Você pode arrancar poemas com banhos
De imersão, com o pente, com uma agulha.
Com pomada basilicão.
Alicate de cutículas.
Com massagens e hidratação.
Mas não use bisturi quase nunca.
Em caso de poemas difíceis use a dança.
A dança é uma forma de amolecer os poemas,
Endurecidos do corpo.
Uma forma de soltá-los,
Das dobras dos dedos dos pés, das vértebras.
Dos punhos, das axilas, do quadril.
São os poema cóccix, os poemas virilha.
Os poema olho, os poema peito.
Os poema sexo, os poema cílio.
Atualmente ando gostando de pensamento chão.
Pensamento chão é poema que nasce do pé.
É poema de pé no chão.
Poema de pé no chão é poema de gente normal,
Gente simples,
Gente de espírito santo.
Eu venho do espírito santo
Eu sou do espírito santo
Trago a Vitória do espírito santo
Santo é um espírito capaz de operar milagres
Sobre si mesmo.
Viviane Mosé
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Viviane Mosé
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
galope rasante
e surge o entendimento do não
pertencimento. o desajuste. o desencaixe. eu não pertenço a nada que não seja a
mim. me pertenço e já não sei se me pertenço. cansada disso que mora em mim e
que não tem nome. é uma dor que carrego, que nasce todos os dias. que
transformo em alegria, que só sei que tá aqui dentro como um elefante a andar
pela cidade. cansada dessa dor que também é meu alimento pra vida, que é a cor
da minha alegria. cansada sim, mas não me desisto. me curo das setes quedas. quero me levantar. cansaço de entender a lógica. eu quero só ser. mas não. eu
sou um gerúndio. uma criança que guarda na profundeza do seu abismo uma
esperança. esperança é um nome bonito, mas preciso ter cuidado com ela. ás
vezes acho que tenho esperança demais. sonho demais. me aguardo demais nas
profundezas de mim. não sei se isso me faz tão bem. não faz, não fez. esperar
um amor que sempre parte sem silêncio não faz tão bem. estou confusa com esse
amor que me rasgou inteira, que me faz acordar pela manhã tendo esperança de
viver, de olhar pro céu e morrer de amor. me rouba o pensamento por alguns
segundos em parte do dia. eu tento controlar e já estou falando desse amor que
preciso dizer adeus. e nem sei se tenho, ou sim tenho. se me envergonho desse
sentir. essa vontade de mandar mais um carta dizendo estou partindo, estou
rompendo de amor, estou indo a teu encontro em cumuruxatiba.
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domingo, 5 de outubro de 2014
vai
mas "óh", não é papo de luz no fim do túnel
e o caralho.
nem atalho pra felicidade.
é só o chiclete da dor que masco até perder o gosto
e então cuspir e dizer:
- já vai tarde!
e o caralho.
nem atalho pra felicidade.
é só o chiclete da dor que masco até perder o gosto
e então cuspir e dizer:
- já vai tarde!
de peito vazio caminhando pela cidade te encontrei
a chuva revelou seu cheiro absurdo doce
sua estranheza me chamou o desconhecido.
a menina-menino adormecida acordando
comendo a fruto do lobo
a fruta mais intensa que já lambiscou.sexta-feira, 3 de outubro de 2014
"não há universo quando não há verso
quando não há uni
une quando verso
não há quando
meu desamor
meu amor
meu grande amor
meu ódio
meu ótio
outra palavra mesmo
porque é outra coisa."
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014
o elefante
Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.
Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.
Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poético
onde o amor reagrupa
as formas naturais.
Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.
É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.
Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.
E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.
quarta-feira, 1 de outubro de 2014
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