Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador livros. Mostrar todas as postagens

sábado, 28 de janeiro de 2012

VERMELHO AMARGO

"Foi preciso deixar o vermelho sobre o papel branco para bem aliviar seu amargor."

ps: o fundo aqui deveria ser vermelho, então use sua imaginação, meu bem!

Vermelho amargo de Bartolomeu Campos de Queirós - págs 11 e 12. Na casa da Marcinha tomando suco de uva numa taça de vinho vermelho. 




segunda-feira, 31 de outubro de 2011


Mas estou tentado escrever-te com o corpo todo, enviando uma seta que se finca no ponto tenro e nevrálgico da palavra. Meu corpo incógnito te diz: dinossauros, ictiossauros e plessiossauros, com sentido apenas auditivo, sem que por isso se tornem palha seca, e sim úmida. Não pinto ideias, pinto o mais inatingível “para sempre”. Ou “para nunca”, é o mesmo. Antes de mais nada, pinto pintura.

Clarice Lispector

Água Viva (Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1994), 16. 

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Consciência

E de tal modo nesta semana já havia acontecido o que quer que fosse, e de tal modo se haviam ligado aos elos invisíveis que, ao fim de sete dias, sucedera essa coisa de que inesperadamente se toma consciência: um passado.

domingo, 5 de setembro de 2010

Não soltar os cavalos

Como em tudo, no escrever também tenho uma espécie de receio de ir longe demais. Que será isso? Por quê? Retenho-me, como se retivesse as rédeas de um cavalo que poderia galopar e me levar Deus sabe onde. Eu me guardo. Por que e para quê? para o que estou eu me poupando? Eu já tive clara consciência disso quando uma vez escrevi: "é preciso não ter medo de criar". Por que o medo? Medo de conhecer os limites de minha capacidade? ou medo do aprendiz de feiticeiro que não sabia como parar? Quem sabe, assim como uma mulher que se guarda intocada para dar-se um dia ao amor, talvez eu queira morrer toda inteira para que Deus me tenha toda.

domingo, 8 de agosto de 2010

Quase de verdade

“Era uma vez... era uma vez: eu! Mas aposto que você não sabe quem eu sou. Prepare-se para uma surpresa que você nem adivinha. Sabe que eu sou? Sou um cachorro chamado Ulisses e minha dona é Clarice. Eu fico latino para a Clarice e ela- que entende o significado de meus latidos- escreve o que eu conto.”

terça-feira, 6 de julho de 2010

A Paixão Segundo GH

"Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: -quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."
"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."