sábado, 9 de junho de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Serestando



Sem açúcar e com muito afeto serestei com as mulheres da Ana. Serestei com o corpo atento no tempo de suas inúmeras mulheres velhas. Ela que sabe diferenciar velhices pelos micro-tempos, micro-tensões, micro-detalhes, micro-sensações, micro-percepções, grande Ana Cristina Colla. Da minha janela vi a velha mais sábia, aquele que já sabe do tempo e brinca com ele, aquela que vivencia a duração dos movimentos da vida. Aquela que ainda tem tempo para soltar um aviãozinho de memórias no tempo até se desgastar com ele. Ui, o tempo leva... a velha da cadeira, a velha preta da cama, a velha tímida e meio medrosa, a mulher louca da cidade, a velha que dança o tempo. Ana seresta a vida dessas mulheres com uma generosidade absurda, com uma intensidade de “ser” e “estar”, eu vi. Eu senti que serestei com ela pelo meu olhar, por tudo que é corpo, eu senti muito... Fui atravessada, fiquei em pedacinhos, me refiz inúmeras vezes... O primeiro encontro com olhar um dia antes no Careca já me anunciava o dia de hoje... micro-tensões, finíssimos fios invisíveis que ligou nossos territórios. O barco flui no corpo da Ana. Me flui em emoção em enternecimento em vê-la... Um orgasmo conjunto que não é exagero de pisciana muito menos de capricorniana... A penúltima velha revivida pela seresteira Ana me deu um presente lindo, essa carta ai em cima borrada com o suor dela. Essa carta tem cheirinho, tem peso, tem textura, diz muito mais que as simples palavras que existem, tem cor amarela, sabor de goiaba... Era pra mim essa carta, eu já sabia. Era, porque eu queria muito e me veio aviãozinho no liame do tempo... E nunca te contei que amarelo é cor mais bonita que existe?  Lembrei de você coruja. 

Obrigada Ana pelo tempo compartilhado generosamente. 

quinta-feira, 7 de junho de 2012



E se você fecha o olho
A menina ainda dança
Até dentro de você.


Marcia: sem acento, descobriu que gosta de ser chamada de Marcinha há pouco tempo, estudante de arte, clandestina, menina que se apaixonada pela alma das pessoas, capricorniana de raízes firmes. Gosta de ouvir música enquanto escreve. Olha para o céu enquanto caminha, mexer o quadril em pé no ônibus lotado. Não gosta de multidão, mas gosta do silêncio quando provoca mistério. Desde criança sonha com um amor vindo da Lua. Coleciona pedras, cartas, lápis apontado, fotos de revistas e outras frutilidades. Recentemente descobriu que o tempo é coisa seria, capcioso e caprichoso. Tem duas cachorras espalhafatosas e uma galinha recém chegada da Dinamarca. É tão tímida que se esconde do mundo. Escuta uma mesma música esquizofrenicamente. Fala pouco, observa o olhar do outro, queria ler um livro por dia, conhecer um céu diferente por mês. Pensa em fugir para bem longe, fazer coisas pelo avesso. É apaixonada pela beleza e nuanças das mulheres. Pensa em ter filhos. Percebe o mundo turvamente, veementemente, pelo enquadramento do seu óculos.

Da carta perdida na gaveta.


O primeiro abraço que lhe dei foi com um olhar tão profundo que te despi. Eu ainda me lembro do silêncio que ficou entre nós. Ele ainda existe e é tão ou mais misterioso quanto aquele instante que se foi em meus braços. Sobretudo o tempo passa cada vez mais sobre mim. O tempo passa a mão em mim e leva com ele aquele abraço, aquele choro, aquele colo que lhe dei.  O tempo leva. O tempo nunca me permitiu ter você. Eu nunca me arrisquei em sua direção. Ainda me lembro da primeira dança, o não dito, o nunca dito, sobretudo o eterno silêncio que nos acomete assalta.  Ele é cruel e me engana sempre, sempre me lançando de tempos em tempos em sua direção... Eu tenho febre, mas vou seguir em frente por sentir vontade.

Ps: não te amo mais.


Tudo muda quando se percebe o lugar das coisas.
O lugar que não é somente um espaço ocupado,
Mas também um meio de chegança.
Um saber o tamanho, peso, textura, cor,
Gosto das relações entre você e o mundo, as pessoas.

quarta-feira, 6 de junho de 2012


Camila e Marcinha olhada pela Lina.




olhada pela Zizi.


o descuido é o caminho mais curto para a felicidade. eu falo da felicidade de momentos efêmeros, que te dar um soco no estômago. te dar respiros, pausas entre uma felicidade e outra. eu nunca vi e nem senti felicidade eterna, e nem me preocupo com isso. agora é um tempo de suspender a felicidade que existe no momento exato, em que, me descuido... me distraio... Ai plin: felicidade te come toda.

descuido de ontem:

fiquei alterada de cerveja.
quebrei barreiras com o outro.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A Lua chegou trazendo essa canção

Congela o tempo preu ficar devagarinho


o dia de ontem tinha essa trilha sonora
o domingo de ontem tinha uma cor amarela
o domingo de ontem passou pianinho
o dia de ontem teve gosto de sopa de letrinhas

Marcinha

fragmentos de um relato


E antes de começ-ar:
Por mais intransmissível que fossem os humanos, eles sempre tentavam se comunicar através de gestos, de gaguejos, de palavras mal ditas e malditas. 
Clarice Lispector
...

Ainda quero cortar o vento, ser atravessada pelo ar numa dança. 
Ser tão grande e forte como Isadora que se arriscou tanto. 
Dançar o que me move.
Tempo.

...


Não apenas fim
Mas o começo
De novas percepções 
Reafir-mar o desejo 
E a escolha na dança
Na arte, na v-ida 
Perceber vários tempos
O tempo no tempo
O tempo re-colhimento
O tempo colheita
O tempo observ-ação
O tempo rápido, o mais rápido que eu posso fazer
O tempo lento, o mais lento que eu posso fazer
O tempo solitário
O tempo compartilhado
O tempo reflexão
O tempo renascimento
O tempo des-construção
Os vários tempos em mim
E os vários tempos que existe.
E por fim não de conclusão, porque aqui estou de passagem e prefiro pontos e vírgulas que dão possibilidades de respiros, reflexões... tempo de:
   olhar o mesmo olho
      com outros olhos
   em outro olhar
                    o mesmo olho
   nos mesmos olhos
                    o olhar do outro
      de olho
Alice Ruiz

sexta-feira, 1 de junho de 2012


E que é pra lembrar que felicidade se encontra é em horinhas de descuido, na imaginação, nos despropósitos, no transitório, na dança, na arte, na poesia.
Eu vou me descuidar com mais frequência seu Rosa.