sábado, 17 de abril de 2010

As Coisas


Arnaldo Antunes

As coisas têm peso, massa, volume, tamanho, tempo, forma, cor, posição, textura, du-ração, densidade, cheiro, valor, consistência, pro-fundi-dade, contorno, temperatura, função, aparência, preço, des-tino, idade, sentido. As coisas não têm paz.


Vale muita pena assistir esse espetaculo que fala de muitas "coisas". "- A língua nasce do cérebro..." "Como chama o nome disso?"

As Coisas

As Coisas é um espetáculo que mistura teatro de animação, música e artes visuais. No palco, coisas, coisas, muitas coisas. Uma divertida banda de rock, uma boneca falante e uma professorinha nariguda apresentam poemas de Arnaldo Antunes, musicados, narrados e encenados com o suporte de diferentes técnicas de animação, pela Cia Teatro Portátil. Direção Alexandre Boccanera, figurino Ronaldo Fraga, iluminação Aurélio de Simoni, cenário Aurora dos Campos, com os atores Flávia Reis, Julia Schaeffer e Guilherme Miranda.


SERVIÇO

Data: 16 de abril a 2 de maio Horário: Sextas, às 16h | Sábados e domingos, às 16h e 18h (domingo, dia 25, às 15h e 16h30) Local: Teatro I | SCES, Trecho 2, lote 22 Bilheteria/Informações: Terça a domingo, das 9h às 21h | Telefone: (61) 3310-7087 Ingressos: R$ 15 (inteira) | R$ 7,50 (meia entrada para estudantes, professores, funcionários e correntistas do Banco do Brasil e maiores de 60 anos) Classificação indicativa: livre Duração: 50 min.



sexta-feira, 16 de abril de 2010

Música antes de dormir- Chá verde

Eu, tentei evitar, liguei a tv e deitei no sofá. Desde que haja tempo pra sonhar, e assuntos pra desenvolver, não é muito fácil desligar, me dá pena do meu chinês. Por ele eu passava o dia inteiro a meditr, bebendo chá verde ele me diz: fica feliz que vai funcionar. Mas eu tô feliz, eu juro pelo meu irmão. O saldo final de tudo foi mais positivo que mil divãs. Por isso que não adianta querer julgar, e cada um por sí, na sua própria bolha de ar. Mas o que eu penso mesmo, é encontrar alguém, que me dê carinho e beijos, e me trate como um neném. Me trate muito bem. Ah, eu só quero amor, seja como for o amor, seja bom, seja bom, seja bom, seja amor. Me faz mais feliz, me dá asas pra fluir e cantar o amor, lalarálaiarará.

Me apaixonei




Supressão de ruídos

Apreciar o silêncio não é fácil, mas o que não é fácil? Na verdade tudo é fácil. Será? Não sei. Vai saber. Nossas mentes que condicionam as coisas a serem difíceis... Foda é silenciar nossas mentes e não ficar louca com isso.

Seja o que for que seja








Uma porta aberta

É aconteceu mesmo.

É foi mais simples do que se imaginava. Ela abriu a boca e gesticulou palavras antes despercebidas. Bebeu ansiedade e medo num mesmo gole. Divertiu-se.

As coisas são mais simples. A vida é simples. É só uma questão de aprisionamento. Seja livre e se permita sair gritando por ai.

- Eu não consigo.

- Consegue sim.

Abriu a boca e saiu pela rua. E não doía. Ali ela realmente respirou profundamente. Boca para mundo.

E realmente aconteceu.

Libertou-se. E tudo começou com um grito.

Viu? Não disse que era mais simples do que se pensava.

Brasília Outros 50 anos


Vamos brasiliar?
http://www.brasiliaoutros50.blogspot.com/

Tentei chorar e não consegui

- Então, é melhor que você parta logo de uma vez.

Suas palavras me calam fundo...

Estou cansada, cansada do seu destempero da falta de afeto. Destruída. Se ousar te desafiar você me lança uma faca e me enche de medos. Vazia, uma cara só de carne. Carne morena. Eu que só quero um pouco de respeito, atenção, compreensão, afeto... Como eu te valorizo. Se eu pudesse mostrar o que você me deu mandaria construir um monumento te chamaria de meu. Se eu ousar te contar o que se passa aqui pode até engasgar pagaria pra ver. Espero que entenda. Mas, estou cansada já não tenho a mesma vitalidade de antes para seus rompantes. Não sei mais diferenciar as lacunas de suas palavras. A impressão é de que você está apagando meus traços: vazia, calada, imóvel... Não quero mais ser atacada por você. Tento chorar e não consigo. Até isso você tirou de mim. Minha individualidade. O que eu tentei provar durante esse tempo é que eu te valorizo te presto atenção. E isso importa pra você? Não. Quero procurar um lugar mais calmo longe dessa confusão. Antes que você me beba por inteira.

Palavras repetidas

Como um sonho ele apareceu pra mim

Tão brilhante como Sol

Chamuscando fogo e cinzas pelo chão

Poderia lhe entregar meu coração e até minha atenção

De repente como um susto roubaram meu presente

Como se ele fosse uma santo

Desse dia até agora procuro por todo o canto

Sol diz pra mim cadê você

Bailarina não consegue mais viver

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Como eu te valorizo


Vem

Te faço um carinho

Te toco mansinho

Te encho te beijos

Te conto um segredo

Vem

Me faz um carinho

Me toca mansinho

Me enche de beijos

Me conto um segredo

Vem

Eu te presto atenção

Te chamo de meu

Te compro uma flor

Depois vou descansar...

domingo, 11 de abril de 2010

Eu gosto de meninas e meninos

Eu amo meninas e meninos. Amo gente que é viva e que me faz ficar mais viva a cada dia. Sou difícil de me apaixonar por pessoas. Isso está muito relacionado à admiração. É como se eu necessitasse de uma pessoa intensa do meu lado. É por isso que amo pessoas com vida para viver! Apaixono-me por gestos, meninas, meninos, musicas, cachorros exceto gatos que é um animal que não confio... É isso que você quer saber? Se eu gosto mais de meninas do que de meninos. Porra eu amo pessoas. Estou apaixonada por um sorriso. Pode isso? Um sorriso. Isso é muito pra mim. É um sorriso de uma menina. Nunca vi um sorriso tão verdadeiro como o dela. É incrível. Ela ilumina tudo que a rodeia. E é magnífico ficar apaixonada por um sorriso. Experimente pra você ver. Estou apaixonada pela simplicidade de um menino. Ele é lindo fisicamente é principalmente internamente. E isso é bom... Não tem como escolher o que eu prefiro mais. Eu amo pessoas negras, brancas, pobres, lésbicas, gays, fudidas em dinheiro como eu, velhos, crianças e outros tantos por ai. O que eu sou? Não me rotulo. Eu sou quem sou e gosto de meninas e meninos, mas não gosto de gatos.... Acho que vou tentar amar um gatinho e evoluir um pouco...

(risos)

Humana

Me perguntaram isso e tentei responder. Não sei se consegui, mas tentei.

Vou começar pelos defeitos que sei é o que você quer ouvir. Admito três é pouco. Tenho tantos que fica até difícil escolher. Mas, vamos lá apesar de você saber quais são os meus defeitos. Não é? Então, sou autodestrutiva quando eu erro. É uma briga interna me sentencio ao fracasso quando erro principalmente no teatro. Quando não alcanço o meu objetivo quero me destruir. Isso é ego... não sei... Outro, minha mente é cheia de elucubrações, então, devaneio demais sempre achando que tem algo errado comigo em relação às pessoas. Isso é não se aceitar... Sou fechada para pessoas. Termos como: você é fria, dura, não demonstra sentimentos, misteriosa, carão e por ai vai. Sou fechada porque tenho medo de gente... Só faço me proteger delas. Isso é egoísmo. Não sei. É uma forma que encontrei pra não sofrer tanto. E nem adianta muito porque é só você me conhecer que me desarmo. Eu tenho coração ele bate aqui dentro ele tem vida. Tenho defeitos porque sou ser humana. Devo ficar por aqui com três defeitos. Até nisso sou destrutiva. Deveria estar falando bem de mim... E vai ser agora. Quando quero uma coisa vou até o final para conseguir. Ás vezes eu consigo ás vezes não, mas quando não dá me rendo não tenho mais o que fazer. Eu sei quando as coisas não vão dar certo... Uma das minhas maiores qualidades é ter atenção por quem amo. Penso mais nos outros do que em mim. Mas, essa fase está bem controlada no momento. Falta uma qualidade? É. Deixa-me pensar... É querer o bem do próximo que não conheço. É sou sentimental. Vire e meche estou chorando por que não conheço pela dor dos outros. Fome, pobreza, descaso, catástrofes, desamor... Isso me faz morrer um pouco a cada dia. Queria poder acabar com o sofrimento dos oprimidos... Desculpe-me. Sou prolixa deveria ter colocado isso como defeito. Tenho que ser mais objetiva. É, isso? Mas, só isso não me define. Seis coisas não me definem.


Ele me bebeu - Clarice Lispector

É. Aconteceu mesmo.

Serjoca era maquilador de mulheres. Mas não queria nada com mulheres. Queria homens.

E maquilava Aurélia Nascimento. Aurélia era bonita e, maquilada, ficava deslumbrante. Era loura, usava peruca e cílios postiços. Ficaram amigos. Saíam juntos, essa coisa de ir jantar em boates.

Todas as vezes que Aurélia queria ficar linda ligava para Serjoca. Serjoca também era bonito. Era magro e alto.

E assim corriam as coisas. Um telefonema e marcavam encontro. Ela se vestia bem, era caprichada. Usava lentes de contato. E seios postiços. Mas os seus mesmos era lindos, pontudos. Só usava os postiços porque tinha pouco busto. Sua boca era um botão de vermelha rosa. E os dentes grandes, brancos.

Um dia, às seis horas da tarde, na hora do pior trânsito, Aurélia e Serjoca estavam em pé junto do Copacabana Palace e esperavam inutilmente um táxi. Serjoca, de cansaço, encostara-se numa árvore. Aurélia impaciente. Sugeriu que dessem ao porteiro dez cruzeiros para que ele lhes arranjasse uma condução. Serjoca negou: era duro para soltar dinheiro.

Eram quase sete horas. Escurecia. O que fazer?

Perto deles estava Affonso Carvalho. Industrial de metalurgia. Esperava o seu Mercedes com chofer. Fazia calor, o carro era refrigerado, tinha telefone e geladeira. Affonso fizera quarenta anos no dia anterior.

Viu a impaciência de Aurélia que batia com os pés na calçada. Interessante essa mulher, pensou Affonso. E quer carro. Dirigiu-se a ela:

- A senhorita está achando dificuldade de condução?

- Estou aqui desde as seis horas e nada de um táxi passar e nos pegar! Já não agüento mais.

- Meu chofer vem daqui a pouco, disse Affonso. Posso levá-los a alguma parte?

- Eu lhe agradeceria muito, inclusive porque estou com dor no pé.

Mas não disse que tinha calos. Escondeu o defeito. Estava maquiladíssima e olhou com desejo o homem. Serjoca muito calado.

Afinal veio o chofer, desceu, abriu a porta do carro. Entraram os três. Ela na frente, ao lado do chofer, os dois atrás. Tirou discretamente o sapato e suspirou de alívio.

- Para onde vocês querem ir?

- Não temos propriamente destino, disse Aurélia cada vez mais acesa pela cara máscula de Affonso.

Ele disse:

- E se fôssemos ao Number One tomar um drinque?

- Eu adoraria, disse Aurélia. Você não gostaria, Serjoca?

- É claro, preciso de uma bebida forte.

Então foram para a boate, a essa hora quase vazia. E conversaram. Affonso falou de metalurgia. Os outros dois não entendiam nada. Mas fingiam entender. Era tedioso. Mas Affonso estava entusiasmado e, embaixo da mesa, encostou o pé no pé de Aurélia. Justo no pé que tinha calo. Ela correspondeu, excitada. Aí Affonso disse:

- E se fôssemos jantar na minha casa? Tenho hoje escargots e frango com trufas. Que tal?

- Estou esfaimada.

E Serjoca mudo. Estava também aceso por Affonso.

O apartamento era atapetado de branco e lá havia escultura de Bruno Giorgi. Sentaram-se, tomaram outro drinque e foram para a sala de jantar. Mesa de jacarandá. Garçom servindo à esquerda. Serjoca não sabia comer escargots e atrapalhou-se todo com os talheres especiais. Não gostou. Mas Aurélia gostou muito, se bem que tivesse medo de ter hálito de alho. Mas beberam champanha francesa durante o jantar todo. Ninguém quis sobremesa, queriam apenas café.

E foram para a sala. Aí Serjoca se animou. E começou a falar que não acabava mais. Lançava olhos lânguidos para o industrial. Este ficou espantado com a eloqüência do rapaz bonito. No dia seguinte telefonaria para Aurélia para lhe dizer: o Serjoca é um amor de pessoa.

E marcaram novo encontro. Destava vez num restaurante, o Albamar. Comeram ostras para comerçar. De novo Serjoca teve dificuldade de comer as ostras. Sou um errado, pensou.

mas antes de se encontrarem, Aurélia telefonou para Serjoca: precisava de maquilagem urgente. Ele foi à sua casa.

Então, enquanto era maquilada, pensou: Serjoca está me tirando o rosto.

A impressão era que ele apagava os seus traços: vazia, uma cara só de carne. Carne morena.

Sentiu mal-estar. Pediu licença e foi ao banheiro para se olhar ao espelho. Era isso mesmo que ela imaginara: Serjoca tinha anulado o seu rosto. Mesmo os ossos - e tinha uma ossatura espetacular - mesmo os ossos tinham desaparecido. Ele está me bebendo, pensou, ele vai me destruir. E é por causa do Affonso.

Voltou sem graça. No restaurante quase não falou. Affonso falava mais com Serjoca, mal olhava para Aurélia: estava interessado no rapaz.

Enfim, enfim acabou o almoço.

Serjoca marcou encontro com Affonso para de noite, Aurélia disse que não podia ir, estava cansada. Era mentira: não ia porque não tinha cara para mostrar.

Chegou em casa, tomou um banho de imersão com espuma, ficou pensando: daqui a pouco ele me tira o corpo também. O que fazer para recuperar o que fora seu? A sua individualidade?

Saiu da banheira pensativa. Enxugou-se com uma toalha enorme, vermelha. Sempre pensativa. Pesou-se na balança: estava com bom peso. Daí a pouco ele me tira também o peso, pensou.

Foi ao espelho. Olhou-se profundamente. Mas ela não era mais nada.

- Então - então de súbito deu uma bruta bofetada no lado esquerdo do rosto. Para se acordar. Ficou parada olhando-se. E, como se não bastasse, deu mais duas bofetadas na cara. Para encontrar-se.

E realmente aconteceu.

No espelho viu enfim um rosto humano, triste, delicado. Ela era Aurélia Nascimento. Acabara de nascer. Nas-ci-men-to.